22/07/2019 as 06:32

Bolsonaro chama general que o criticou de 'melancia'

O presidente chamou de 'melancia' o general que o criticou por fala sobre nordestinos

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Por Ewerton Júnior
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O presidente Jair Bolsonaro criticou neste domingo (21) o general da reserva Luiz Rocha Paiva, que o acusou de ter sido antipatriótico ao se referir a nordestinos como "paraíbas". Em mensagem nas redes sociais, o presidente disse que o militar se aliou ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), e o chamou de "melancia" e "defensor da guerrilha do Araguaia". "O melhor de tudo foi ver um único general, Luiz Rocha Paiva, se aliar ao PC do B de Flávio Dino para me chamar de antipatriótico. Sem querer, descobrimos um melancia, defensor da Guerrilha do Araguaia, em pleno século 21", disse Bolsonaro. A gíria "melancia" é empregada para definir um militar do Exército -cujo uniforme é verde- que defende propostas de esquerda, uma vez que o interior da fruta é vermelho, cor identificada com o comunismo. O presidente voltou a ser questionado por jornalistas neste domingo sobre a declaração. Ele disse duvidar que alguém tenha ficado ofendido, afirmou que, caso seja convidado, viajará ao Maranhão e ressaltou que a Bahia "é o Brasil". Para ele, é a imprensa que tenta separar o Nordeste do Brasil. "A Bahia é Brasil. Sem problemas. Sou amigo do Nordeste, poxa", disse. "Vocês mesmo da mídia querem separar o Nordeste do Brasil. O Nordeste é Brasil, é minha terra. E eu ando qualquer lugar do território brasileiro", acrescentou.

Na entrada do Palácio do Alvorada, onde parou para cumprimentar populares, ele perguntou se algum nordestino que o esperava na porta da residência oficial tinha ficado ofendido. Em resposta, simpatizantes responderam que não.O general Paiva disse ao jornal O Estado de S. Paulo no sábado (20) que a declaração de Bolsonaro era antipatriótica. "Tem que ter calma, mas mostrar para ele o quanto perdeu com essa grosseria com que menosprezou uma região do Brasil e seus habitantes. Um comentário antipatriótico e incoerente para quem diz 'Brasil acima de tudo'."O presidente voltou a negar em rede social que tenha feito crítica ao povo nordestino, apesar de vídeo feito pelo próprio Palácio do Planalto mostrá-lo chamando os governadores do Nordeste de "paraíba". "Daqueles governadores, o pior é o do Maranhão. Foi o que falei reservadamente para um ministro. Nenhuma crítica ao povo nordestino, meus irmãos", escreveu.A guerrinha do Araguaia foi um movimento armado de esquerda de resistência à ditadura militar na década de 1970.Cerca de 4.000 homens das Forças Armadas integraram as operações contra os militantes do PC do B (Partido Comunista do Brasil) nas matas da região do rio Araguaia, na atual divisa dos estados do Pará e de Tocantins.Em reação a Bolsonaro, os governadores do Nordeste cobraram explicações. À coluna Painel, Dino afirmou: "Só sei que sou o pior dos gestores na visão dele, o que para mim é uma honraria".Para tentar argumentar que a relação com a região é boa, Bolsonaro disse que sua esposa, Michelle Bolsonaro, é filha de cearense. "A maldade está no coração de vocês. Eu tenho tanta crítica ao Nordeste que eu casei com uma filha de cearense."

REPULSA

O Colegiado de Presidentes de Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste (ParlaNordeste) recebeu, com repulsa, as declarações preconceituosas do presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira, 19 de julho. A região, terceira maior economia do Brasil, é morada de 53 milhões de brasileiros que têm orgulho de viver não só na Paraíba, mas também, no Maranhão, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. O ParlaNordeste ressalta o importante trabalho desenvolvido pelos nove governadores eleitos e reeleitos democraticamente pelo povo nordestino, os quais não têm medido esforços para promoverem o desenvolvimento dos seus estados e proporcionarem uma vida digna à população. Por isso, lutaremos contra todo tipo retaliação em função de diferenças políticas ou preconceito. Exigimos respeito e não abriremos mão do cumprimento dos deveres do Governo Federal para com a nossa região.

QUAQUA

O governador Belivaldo Chagas (PSD) disse na Secretaria de Segurança Pública, que o Estado não tem dinheiro para recuperar as rodovias. “Eu preciso de R$ 400 milhões para recuperar as rodovias, e não tenho, sequer, R$ 400 (quatrocentos reais). Antes de conceder entrevista à imprensa, o governador declarou que tem dificuldades para pagar a 70% dos servidores até o próximo dia 30, como vem fazendo há alguns meses. O governador não está conseguindo receber o empréstimo de R$ 80 milhões autorizado pela Assembleia Legislativa. Segundo ele, o Estado precisa desses recursos até o início da semana que vem.

SOU NORDESTINO

“Antes de qualquer questionamento; não sou do PT e tambor não sou radical de esquerda. Sou filiado e militante de um partido de centro esquerda, sem radicalismo, e que tem feito uma oposição consciente e propositiva. É muito preocupante saber que o Brasil está governado por um radical de direita, absolutamente despreparado e que governa como se estivesse em campanha eleitoral. O nosso presidente, mesmo que não teve o meu voto, mas foi eleito para trabalhar por todos, vem disseminando o ódio e o preconceito. Infelizmente, ele não entendeu a importância do cargo que ocupa. Dia 19 de julho ficará conhecido como o dia das bobagens. Quanto mais ele fala, saem mais bobagens, inverdades e discriminação do ódio”, palavras do deputado federal Fábio Henrique.

NEGÃO

O ex-governador, João Alves Filho, permanece na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Hospital Santa Luzia em Brasília(DF). Ele voltou a ser sedado no sábado, 20, e segundo informações da jornalista, Ana Alves, ele foi submetido a uma traqueostomia. Após visitar o pai Ana Alves confirmou por meio de mensagem, que o quadro permanece sem alterações após as intervenções de ontem. Em nome da mãe, a senadora Maria do Carmo (DEM), Ana voltou a pedir orações na intenção do ex-governador. Sergipe vem acompanhando o quadro do ex-governador desde a última terça-feira, 16, quando João foi internado após um engasgo.

SENADORES

Os senadores sergipanos, Alessandro Vieira (Cidadania) e Rogério Carvalho (PT) concordam que o presidente Jair Bolsonaro foi preconceituoso e não agiu dentro dos padrões republicanos ao usar o termo paraíba para se referir aos nordestinos e afirmou que para os governadores do Nordeste não deve “ter nada”, destacando o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). A declaração foi gravada na sexta-feira, 19, quando o presidente recebeu jornalistas vinculados à imprensa internacional. “Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”, disse Bolsonaro. . O senador Alessandro Vieira reafirmou compromisso com os nordestinos e criticou as declarações. “As declarações são equivocadas e preconceituosas. Quanto à liberação de verbas, vamos sempre trabalhar para garantir os interesses dos sergipanos, mas sem abrir mão da independência parlamentar e da defesa intransigente dos valores nordestinos”, disse Vieira. Já o petista Rogério Carvalho afirmou que verbas extras não deverão vir, porque o presidente já demonstrou que não pretende ajudar o Nordeste, mas garantiu que recursos chegarão, porque ele não pode vetar a liberação de emendas impositivas. Rogério propôs boicote a Bolsonaro. “Ele não gosta do Nordeste, já é pacífico que ele nos destrata o tempo todo. Deveríamos fazer com o governo federal o que a sociedade faz com empresas que contratam trabalho escravo, ou seja, boicotar. Essas declarações de Bolsonaro são de desrespeito total ao povo nordestino”, disse Rogério.

DELTAN

O procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, manifestou em mensagens receio de comentar o caso Flávio Bolsonaro para não desagradar o governo Jair Bolsonaro. As mensagens trocadas entre membros da Lava Jato foram reveladas neste domingo (21) pelo site The Intercept Brasil. Elas fazem parte de um pacote que o site afirma ter obtido de uma fonte anônima e inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram. Flávio é investigado no Rio de Janeiro devido a movimentações atípicas suas e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz identificadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no âmbito da Operação Furna da Onça, que mirava deputados estaduais. A reportagem deste domingo mostra troca de mensagens entre Deltan e colegas em dezembro passado, quando a movimentação financeira de Queiroz veio a público, incluindo um repasse de R$ 24 mil para a atual primeira-dama, Michelle Bolsonaro.




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