15/02/2018 as 13:39

Bermudas proíbe casamento gay e príncipe indiano constrói centro para LGBT

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Por Ricardo Montalvão.
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Recentemente, o governo do território britânico de Bermudas tomou uma decisão grave e transformou o país como sendo o primeiro, no mundo, a proibir o casamento de pessoas do mesmo sexo, após a Suprema Corte decidido a favor do matrimônio homoafetivo.

 

Isso mesmo! A Câmara dos Deputados e o Senado aprovou com larga vantagem, legislação que proíbe o casamento homoafetivo, que foi sancionada pelo governador John Rankin. O governador afirmou que a intenção da nova lei é para balancear a sociedade conservadora com as regras da Corte Europeia, já que, embora os casais do mesmo sexo não possam mais se casar formalmente, eles terão seus direitos civis equiparados aos casais heterossexuais. Quanto aos casamentos que foram realizados anteriormente à nova lei, Rankin garante que eles não serão anulados.

 

As organizações internacionais e os grupos ativistas locais condenam a nova lei, pois afirmam que ela viola a Constituição do país, que proíbe qualquer tipo de discriminação. Para Ty Cobb, diretor da ONG Human Rights Campaign Global, "O governador Rankin e o parlamento de Bermudas vergonhosamente transformaram Bermudas no primeiro território nacional do mundo a repelir a igualdade no casamento".

 

Como as Ilhas Bermudas é um território britânico, o assunto chegou à Câmara dos Comuns, no Reino Unido, que afirmou que a decisão vem para tentar minar os avanços do país no que tange os direitos LGBT, mas deixando claro que a decisão é apenas local. A população de Bermudas foi convocada a um referendo sobre a decisão, e sua maioria declarou apoio à recente legislação.

 

Em contrapartida, no final do mês passado, na Índia, o príncipe Manvendra Singh Gohil deu um enorme passo a favor dos direitos LGBT em seu país. O príncipe assumiu publicamente ser gay, num país onde relações entre pessoas do mesmo sexo é considerada ilegal, e foi mais além, ele garantiu que reformará e ampliará o seu palácio para a construção de um centro de acolhimento para pessoas LGBT.

 

Gohil, que é príncipe de Rajpipla, território a oeste do estado de Gujarat, comentou que por saber como é difícil ser gay em um país que as tradições e relações heterossexuais são norma, e, portanto a população LGBT sofre muita discriminação e pressão de suas famílias para que elas mantenham relações heterossexuais, ou que em muitas vezes, elas acabam sendo expulsas de casa e por não terem para onde, ele decidiu construir o centro. Afinal de contas, como o príncipe não terá filhos, então nada melhor que usar seu palácio para acolher LGBT escorraçados de seus lares.

 

Profundo conhecedor dessa lamentável situação, Gohil deixou sua família há mais de dez anos, e desde então criou o projeto “Lakshya Trust”, que tem o objetivo de ajudar pessoas LGBT do estado em que nasceu. O príncipe é um dos maiores críticos da lei em que criminaliza as relações consensuais entre pessoas adultas do mesmo sexo. E para defender sua causa, Gohil resolveu assumir sua sexualidade publicamente, participando de várias ações na mídia internacional, como, por exemplo, a sua aparição no programa “The Oprah Winfrey Show”.

 

Desde a sua “saída do armário”, Gohil vem contribuindo para a criação de vários espaços amigáveis à população LGBT, no entanto, em algumas cidades pequenas, a discriminação continua bastante forte e é por isso que ele decidiu construir o centro em seu palácio.

 

A decisão legislada em Bermudas é bastante lamentável, marcando um grande retrocesso ao avanço dos direitos LGBT naquele país. Por mais que o governador garanta que nossos direitos civis serão equiparados aos casais heterossexuais, nós queremos o direito a registrar nossas relações de maneira legal e nos garantindo judicialmente, os direitos civis que tanto nos negaram. Contudo, a postura do príncipe indiano nos faz voltar a crer que, embora estejamos bem distantes de vivermos em um mundo igualitário e que talvez isso não ocorra pelas próximas 50 gerações, podemos lutar por esse mundo tolerante às diferenças em prol do respeito e amor ao próximo. A luta é e será muito dura, mas vamos a diante.




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