28/02/2018 as 13:42

Jackson Barreto e a arte de muitas artes

Sem Aspas Por Alex Nascimento

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
Foto: (maxilens)<?php echo $paginatitulo ?>

Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor.

 

O pré-candidato ao senado, o ainda governador Jackson Barreto, enfrentará um cenário político-eleitoral duro. Seu mandato, e isto até ele reconhece, não saiu como o esperado. Este animal político, no entanto, tem histórico e escopo e sabe reduzir a margem de possibilidade de angústias eleitorais e frustração de projeto. 

Ao plantar, lá atrás, o germe da dúvida quanto à sua candidatura, estabeleceu um dado ritmo aos acontecimentos, controlou ou moldou as ambições dos aliados, impediu maiores conflitos na base e viu seu desejo ao senado tornar-se imperativo, e isto não apenas junto ao grupo que lidera, no sentido de que precisa de Jackson candidato, mas também imperativo a ele mesmo.

O mês que se aproxima será de importantes movimentos políticos, e alguns deles decisivos para o processo eleitoral deste ano. Para os governistas, por exemplo, é chegada a hora de ver Belivaldo Chagas assumir o governo definitivamente e a de vê-lo “imprimir sua marca, de reconhecida competência” -  segundo palavras, ditas à Sem Aspas, por um dos mais influentes governistas, o deputado federal Fábio Mitidieri. Agora, no entanto, a referida competência terá que ser macro estadual, e em curto espaço de tempo.

Jackson não fez o mandato com que sonhou. Entretanto, do ponto de vista político, conseguiu até aqui dar as cartas. Sua gestão vai sofrer ataques diversos. Mas Jackson goza de boa saúde e disposição. Os tons serão mais cinzentos, quanto mais cinzentos forem os ataques que sofra. Quando logo mais deixar o governo (fala-se em 20 de Março), o quase ex-governador vai a mais uma batalha eleitoral. A primeira delas foi em 1972 quando foi eleito vereador.  São quase cinco décadas de história. Ele domina como poucos esta arte de muitas artes chamada política. Jackson, de uma maneira ou de outra vai continuar influindo por mais um bom tempo nos destinos do estado.

 

A expectativa em torno de Belivaldo I

Em conversa exclusiva com a coluna Sem Aspas, sobre a candidatura de Jackson ao senado e da perspectiva em torno de Belivaldo Chagas, o deputado federal Fábio Mitidieri manifestou confiança na capacidade de gestão de Chagas e de que haverá um choque de gestão, fruto tanto de mudanças em secretarias quanto ao que chamou de “estilo diferenciado de Belivaldo”. Haverá, segundo Mitidieri, um controle mais duro dos gastos e um acompanhamento mais de perto das secretarias: “ele gosta de entender como funciona cada pasta, o que é que estar sendo gasto, o que estar sendo pago, esse zelo nele é maior – não que Jackson não tenha”, afirmou Mitidieri. “Mas esta é uma característica maior em Belivaldo, ser mais controlador neste sentido. Acho que vai cair bem neste momento que o estado está passando”.

 

A expectativa em torno de Belivaldo II

O deputado federal Fábio Mitidieri ainda declarou à Sem Aspas que os desafios que Belivaldo vai enfrentar terão que ser respondidos objetivamente. “Belivaldo vai precisar montar um governo com sua cara e perfil, e começar um novo tempo no estado de Sergipe. Uma mudança de governo sempre gera expectativas”, afirmou o deputado. E são nestas expectativas e mudanças nas quais estão apostando o grupo governista. Belivaldo precisa “colocar a folha do servidor público em dia, conseguir trazer o aposentado, que hoje está recebendo no final do mês para uma data mais próxima; tem a questão da segurança pública que é também uma preocupação latente da sociedade, há a questão das rodovias. Tem muita coisa que precisa ser mudada, a gente sabe que o tempo vai ser curto, mas eu acredito muito no potencial do administrador Belivaldo Chagas, na sua capacidade e no choque de gestão que ele precisa promover no estado”.

 

O senador Amorim e a coerência no diapasão

Na manhã desta segunda-feira, 26, a coluna Sem Aspas conversou por mais de uma hora com o senador Eduardo Amorim. Ao ser questionado por este colunista se ainda acredita na “unidade” da oposição, mesmo frente a real perspectiva de Valadares vir com “algum rasante”, como diriam os mais jovens, e a todos surpreender, o senador Amorim disse a este colunista que continua a acreditar e a buscar a unidade do grupo. “Quando se trata de um bloco político tão plural, com diversos líderes, com uma bancada tão grande, com um número de prefeitos e parlamentares como hoje a oposição se transformou, não é fácil manter a unidade. Eu tenho lutado para manter esta unidade. Se vou conseguir, não sei...”

 

O balão de ensaio da unidade chegou ao fim

Os principais líderes da oposição em Sergipe passaram longos anos tentando convencer o público acerca de uma suposta unidade entre eles. Quanto mais se esforçavam, mais sugestionavam ser a tal unidade apenas um frágil pegar de mãos. O balão de ensaio da unidade da oposição chegou longe. E ao fim!

 

O rasante de Valadares

E por falar em Valadares, não é que o cabra faz valer novamente duas de suas conhecidas marcas, que são a de esticar ao máximo o momento de decisões e a de surpreender na hora de bater o martelo?! Este capa bode de Simão Dias ainda não disse palavra que permita saber do nó final com que, acredita, venha a laçar a vitória redentora de sua recente derrota familiar, e de cuja campanha guarda mágoas. Vai ser Valadares pai e Valadares filho!

 

Sem querer furar os olhos de Aribé I

 

Este colunista reputa o mandato do vereador Lucas Aribé. É um mandato bacana. Bom camarada, vez ou outra faz uns discursos que deixam os não raros sonolentos vereadores um pouco mais ligados. Lucas apresenta projetos importantes para a cidade, sobretudo no sentido de buscar fazer valer políticas de inclusão de portadores de necessidades especiais na capital. Mas Lucas Aribé, ao que parece, tem vacilado, e vacilado feio! É que, segundo vem sendo cobrado, o parlamentar Aribé não tem nenhum portador de necessidade especiais em sua assessoria. E isto desde o seu primeiro mandato.

 

Sem querer furar os olhos de Aribé II

Por sinal, o vereador já fora questionado com relação a isto. Certa feita, respondendo a uma provocação de Vinicius Porto disse que tinha sim, em sua assessoria parlamentar, pessoas portadoras de deficiências e que pagava a estas com o próprio salário, por conta própria. Bem, a coluna Sem Aspas coloca-se à disposição do vereador. Mas o fato é que, pelo menos lá, na CMA, não há nenhum assessor em cadeira de rodas ou com cão-guia. Fragiliza discurso. Lucas! É “preciso visibilidade” e não apenas no discurso. Lucas Aribé deveria dar o exemplo!

 

Números altos

Segundo dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sergipe é o oitavo estado com o maior percentual de pessoas portadoras de deficiência. São 518.901 pessoas com deficiência visual, motora, auditiva ou mental. Isto representa 25,09% da população. É alto, requer respostas, certamente. No Brasil, há 45.623.910 pessoas. Das dez colocações no ranking nacional, os estados do Nordeste ocupam nove.

 

A elegância questionada de Edvaldo

O vereador Elber Batalha, em conversa com este colunista semana passada, ao ser interrogado o porquê que havia deixado a Câmara de Vereadores bem logo o prefeito Edvaldo Nogueira tenha iniciado seu pronunciamento, quando do retorno dos trabalhos da Casa, disse haver saído porque tinha “já agendado um compromisso naquele horário” mas, em seguida, falou do que chamou de “deselegância do prefeito Edvaldo Nogueira”. Segundo Elber, “Edvaldo não sabe ser republicano. Ele cumprimentou a todos os vereadores com uma aperto de mão, menos aos vereadores da oposição. Ele pulou os vereadores de oposição. Edvaldo não sabe ter elegância”.  O fato é que o tom na Câmara de Vereadores tende, também, a ser um pouco mais elevado em relação ao de 2017.  Afinal 2018 é ano de eleição, e os vereadores precisam entra na roda.

 

A elegância confirmada de Eliane Aquino

O vereador Elber Batalha fez questão de registrar, ao conversar com a Sem Aspas, “a cordialidade e urbanidade da vice-prefeita Eliane Aquino que veio me cumprimentar, que se colocou à disposição inclusive para que eu a visitasse e discutíssemos alguns assuntos, inclusive envolvendo temas da pasta dela, como a questão do LGBT, que é um segmento no qual atuo”.

 

A insustentável direita de ser

A Europa não é aqui, claro. Por lá sim ainda há, por exemplo, um ou outro nome da direita que valha alguma aposta. Também por lá um ou outro de centro ou mesmo de esquerda que valha mais que alguns minutos da atenção do eleitor. Por aqui, não! Por aqui, a chamada esquerda não tem mais identidade, a direita é aloprada e o centro é morno, muito morno - justo onde talvez o melhor dos debates poderia estar ocorrendo.

 

 Com aspas

         I. “Com o voto a gente constrói hospitais, com voto mal dado cemitério podem encher”. Senador Eduardo Amorim

         II.“A oposição não tem tido sucesso nas urnas quando nos enfrenta. Estamos trabalhando para que em 2018 essa nossa rotina de ganhar da                 oposição possa ser mantida”. Deputado federal Fábio Mitidieri.

 




Tópicos Recentes