22/03/2018 as 17:58

Câmara dos Deputados realiza sessão solene em homenagem à Marielle Franco

LGBTI

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Por Ricardo Montalvão.
Foto: Google<?php echo $paginatitulo ?>

Às vésperas de se completarem 10 dias da execução da vereadora carioca, Marielle Franco (PSOL-RJ), sua esposa, Monica Benício, e sua irmã, Anielle Silva, participaram de sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília, a fim de homenagear o Dia Internacional do Direito à Verdade, em que foram enfatizadas as Graves Violações aos Direitos Humanos e da Dignidade das Vítimas. Dia este instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é celebrado todo dia 24 de março. Marielle era negra, lésbica, nascida em favela do Rio de Janeiro, lutava em defesa das mulheres, dos negros e dos LGBTs, ou seja, parte das minorias discriminadas, ignoradas e odiadas pela sociedade brasileira.

Desde sua morte, Marielle vem sendo difamada nas redes sociais, tendo sua morte comemorada por muitos, que os considero desalmados, mal amados, e de uma crueldade tenebrosa. Segundo informações, Monica e a família de Marielle entraram na justiça contra todos os difamadores, para que todos possam responder, judicialmente, sobre as informações caluniosas a respeito da vereadora, inclusive, a desembargadora Marília Castro Neves que afirmou que a vereadora era "engajada com bandidos" e "um cadáver tão comum quanto qualquer outro". A Comissão Nacional de Justiça (CNJ) determinou, no último 20, a abertura de procedimento que apurará a conduta da desembargadora.

Luiza Erundina (PSOL-SP) foi a primeira discursar no Plenário, a fim de resgatar a história verdade sobre os acontecimentos que ocorreram durante o regime militar brasileiro, como também, para homenagear as 434 pessoas desaparecidas no decorrer do período. Para a deputada, a lembrança e comemoração da data, é necessário devido à atual conjuntura em que o Brasil passa, principalmente, após a execução de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, que foram assassinados no último dia 14. Fato que vem sendo comparado às mortes nos, infelizmente famosos, "porões da Ditadura Militar Brasileira", haja vista que toda e qualquer pessoa que fosse contra o regime vigente, desaparecia. Esse desaparecimento servia para disfarçar o sistema de tortura e morte praticado pelos militares. Para quem não lembra, Marielle denunciou o comportamento da Intervenção Federal em Acari, subúrbio do Rio de Janeiro, no dia 10 de março e quatro dias depois ela fora executada com 09 tiros.

O líder do PSOL, na Câmara, o deputado Ivan Valente (SP) pediu a elucidação das recentes mortes políticas, a de Marielle e Anderson, além de que faixas foram estendidas, onde uma delas perguntava "Quem matou Marielle e Anderson?". Antes mesmo da sessão ter início, deputados do PSOL e do PT colaram uma foto da vereadora, em uma exposição na Câmara em homenagem ao Mês das Mulheres.

Em seu discurso na Câmara, Monica Benício, afirmou que “As autoridades brasileiras competentes não devem só a mim a satisfação do que aconteceu com a minha mulher, porque isso não vai trazê-la de volta, mas devem ao mundo o respeito e a satisfação do que aconteceu nesse crime bárbaro”. Além de fazer questão de informar que a voz de Marielle não será calada e que sua esposa virou um símbolo de esperança e luta e que por ela, continuará a lutar. Para Benício, "Marielle é força, Marielle é potência!".

Neste 22 de março, o coletivo Mulheres Negras Resistem fez um ato em homenagem à Marielle Franco, na Casa das Pretas, onde a vereadora palestrou, no dia 14, horas antes de ser assassinada.




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