27/03/2018 as 10:44

O aperto de mão de Valadares e o abraço de André Moura

Sem aspas Por Alex Nascimento

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
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“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor.

 

O aperto de mão de Valadares e o abraço de André Moura 

Os adversários do senador Valadares dizem de seu aperto de mão o que dizem de seu perfil político. Em seu aperto de mão quase não se percebe contração muscular, é um levíssimo gesto, um original e quase enigmático movimento. Diferentemente da maneira comedida com que o senador costuma cumprimentar as pessoas, o deputado federal André Moura costuma ter gestos largos e efusivos, seu abraço, por exemplo, é um clássico abraço de político, desses em que o sujeito joga o outro para os lados e os tapas estalam de tanta alegria manifesta, mais convincentes que beijo de novela.

Como é sabido, até recentemente Valadares e André formavam, juntamente com o senador Eduardo Amorim, o que parte da imprensa chamava de a “santíssima trindade” da oposição. O dia 05 de agosto de 2016 foi um marco para a “união” dos três. Naquela data André Moura, juntamente com Eduardo Amorim, oficializa apoio ao deputado federal Valadares Filho para a disputa pela prefeitura de Aracaju. Disse o líder de Temer naquela oportunidade: “a partir de hoje somos um só. Uma família. Estamos unidos e vamos trabalhar para trazer a verdadeira mudança para nossa capital”.

A propagada “família” teve vida breve e sempre insosso relacionamento. Agora, finalmente, decidiram dizer o que pensam um do outro. Valadares pensa mal de André, e o deputado pensa mal do senador socialista.  Na verdade, tanto Valadares quanto André Moura finalmente encontraram o mote para poder justificar o fim de algumas encenações e discursos. Ao ocuparem as mídias sociais e a imprensa para dizer um do outro “um mentiroso”, como fizeram semana passada, deixam claro que o velho jogo segue seu curso, e que pouco ou nada mudou na realidade política - quer nacional, quer local.

A verdade é que nunca o deputado deu um abraço verdadeiro no senador Valadares, nem deu o senador Valadares um sincero aperto de mão em André Moura - e Sergipe inteiro sabe disto! A disputa, também entre eles, era apenas uma questão de tempo.

Acordo jamais firmado (?!)

“Nunca fizemos acordo na eleição de AJU para entregar os destinos de Sergipe, e o de nosso partido, em uma suposta reunião fechada, sobre a qual o diretório do PSB, e sua militância, nunca souberam. O líder de Temer André Moura não deve confundir o PSB com um partido de aluguel”, disse o senador Valadares, desmentindo o deputado federal André Moura que afirma ter havido um acordo segundo o qual o PSB assumiu o compromisso de apoiar o PSC e o PSDB nas eleições destes ano. Afinal, quem estar faltando com a verdade? O fato é que, cada vez que André afirma ter havido tal acordo, e toda vez que Valadares nega o referido pacto, o que os dois fazem é chamar o eleitor de tolo. Este sabe, no entanto, que um e outro estão apenas jogando para plateia porque não conseguiram chegar a um bom termo para que ambos assegurem as conquistas que pretendem vitoriosas em 2018.

O Amorim quebra o quase franciscano silêncio

O pré-candidato ao governo pelo PSDB, o senador Eduardo Amorim, manteve um quase franciscano silêncio esse tempo todo. Mas esta “leveza de ser” de Amorim com relação ao disse-me-disse dos dois parlamentares em torno do suposto acordo político envolvendo a “trindade” não mais se sustenta e o senador começou a partir pra cima de Valadares também, tanto que no programa Alô News, transmitido pela Aperipê e apresentado pelo jornalista Júnior Valadares, Amorim “revelou detalhes do acordo que teria sido celebrado entre os dois partidos e afirmou, educadamente, que o senador Valadares tinha certeza que o tal acordo teria sido fechado, mas se o senador Valadares não queria se ‘lembrar’ era um problema dele”.  Eduardo é outro que não prega os olhos quando o assunto é poder.  Portanto, longe de ficar, a esta altura do campeonato, esperando ver se ainda acontece o abraço apertado de André em Valadares ou um aperto de mão efusivo deste no deputado, decidiu soltar a sua voz, até agora direcionada especialmente contra Jackson.

Bandeiras são para políticos sem dinheiro

No Brasil, “bandeiras” é coisa de político sem grana para bancar uma campanha eleitoral, sempre muita cara. Por vezes coincide de tal político também ser honesto e coerente em relação ao que defende -  muitos destes, no entanto, e exemplos não faltam, depois mantém as bandeiras tão somente para manter o poder. Já houve um tempo em que elas davam norte a forma de atuação política. O sujeito era de esquerda ou de direita e suas bandeiras eram claras. Sem mais bandeiras, a disputa beira o reles dos interesses pessoais.

Tiros sem ideologia

Treze dias após o assassinato da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, o silêncio é o som mais agudo. Os tiros que mataram a ex-vereadora pelo Rio de Janeiro Marielle Franco não tinham ideologia política, não tinham gênero, ranço racial ou econômico, nem ocorreram por conta da luta em defesa dos direitos humanos. A vereadora fora assassinada porque levava a sério as bandeiras que defendia. Ela esqueceu que no Brasil ainda é válida a velha máxima segundo a qual é preciso mudar para que não haja transformação nenhuma. Talvez o silêncio diga justamente isto.

As milícias mandam na parada I

Segundo o jornal El País, as milícias no Rio de Janeiro controlam certa de 170 regiões em todo o estado. Surgiram em consequência do buraco deixado pelos governos. Em seu nascedouro, eram patrulhas de segurança contra traficantes. Integradas especialmente por policiais e ex-policiais, agentes penitenciários e mesmo bombeiros, há bem pouco tempo eram vistas com bons olhos pela população e mesmo por autoridades. Hoje elas controlam serviços básicos como distribuição de água e gás, além de transporte alternativo, venda de imóveis, sinal clandestino de TV e internet e “segurança”.

As milícias mandam na parada II

Nascidas da ideia romântica de proteção aos moradores de “zonas permanentes de conflitos”, as milícias são a expressão mais crua da decadência moral da política nacional.Com um perfil cada vez mais civil, embora acolha ex-policiais e ex-narcotraficantes, membros das milícias costumavam posar para fotos de campanha com políticos e chegavam mesmo a se candidatar. Em 2010, um vídeo gravado em 2007 causou polêmica. Nele, o ex-governador  do Rio Sérgio Cabral inaugurava uma rede de abastecimento de água junto a dois líderes do então mais poderoso grupo paramilitar da cidade: um vereador e um deputado estadual, posteriormente condenados a dez anos de prisão por formação de quadrilha.

Sergipe e Bahia dão prejuízo de 800 milhões

O esforço de políticos sergipanos para “salvar” a Fafen provavelmente não dará em nada, já que há um decisão da Petrobrás, inclusive, de sair do negócio de fertilizantes, segundo declarou à Valor Econômico o diretor de refino e gás natural da empresa, Jorge Celestino Ramos. A decisão está alinhada ao “posicionamento estratégico de saída integral das atividades de produção de fertilizantes, conforme o Plano de Negócios e Gestão 2018-2022”. Ainda segundo a Valor, as fábrica de Sergipe e Bahia somaram um perda de R$ 800 milhões (R$ 600 milhões da Fafen-SE) e a estimativa da Petrobrás é de continuidade desse prejuízo. As unidades serão oferecidas ao mercado. Veja matéria completa http://www.valor.com.br/empresas/5396267/petrobras-decide-parar-producao-de-fertilizantes-em-bahia-e-sergipe ou as ferramentas oferecidas na página.

Fertilizantes importados

Em 2016, o Brasil registrou uma safra de 209,5 milhões de toneladas de grãos. Por trás desses números impressionantes, 28 milhões de toneladas de fertilizantes foram usadas em 2015 para nutrir leguminosas, frutas e grãos. Deste total, 75% tem origem estrangeira. A produção agrícola nacional faz do Brasil o quarto consumidor de fertilizantes, perde para China, Índia e Estados Unidos. Mas, enquanto o consumo desses produtos cresce em média 2% ao ano em todo o mundo, no Brasil o crescimento é de 4%. Já a fabricação nacional tem caído. Essa dependência de nutrientes estrangeiros influencia no custo da lavoura.

Comunidade Recanto da Paz se mobiliza I

Moradores da comunidade Recanto da Paz, através de representantes da associação de moradores e do Instituto Atitude começam a desenvolver um lento, mas consistente movimento de luta “por respeito, dignidade e realização de projetos". Localizada bem defronte ao aeroporto de Aracaju, a comunidade durante muito tempo foi chamada de Malvinas, e até hoje sua população sofre certo preconceito também por conta de seu antigo nome. Segundo um dos líderes da associação, Lenildo Bayer, a comunidade é invisível para os governantes, invisível para as oportunidades, vítima de preconceito por parte daqueles que não a conhecem.”

Comunidade Recanto da Paz se mobiliza II

“O Recanto da Paz é uma comunidade cheia de sonhos, cheia de uma riqueza social incrível. Estamos procurando parceiros que possam abraçar o projeto #soudapaz #recanto, projeto que objetiva criar as condições para que possamos ter uma estrutura para a realização de ações voltadas sobretudo para adolescentes e jovens. Cansamos de esperar o poder público e isto de há muito tempo”, afirma Lenildo. “Mas vamos continuar cobrando. A justiça, inclusive, já determinou que o governo realize algumas intervenções aqui, como saneamento básico, pavimentação e construção de praça, mas até agora não tivemos visita de nenhum órgão”, desabafa Lenildo. 

Comunidade Recanto da Paz se mobiliza III

“Nós decretamos ‘estado de calamidade’ do Recanto e décimos reagir cada vez mais. Nem o governo nem o prefeito se comove em ver nossas crianças frequentando os postos de saúde por causa das várias doenças que pegam por falta de saneamento básico. Decretamos ‘estado de calamidade’, sobretudo ao levar em conta a quantidade de crianças e adolescentes que presenciam o tráfico de drogas, além de muitascorrerem risco de envolvimento. Não há na comunidade uma única área de lazer ou espaço para prática de esporte, por exemplo”. Com a palavra, mais uma vez, o Ministério Público!

Secretário de segurança defende legalização da maconha

Maurício Teles Barbosa, secretário da Segurança Pública da Bahia, tem deixado claro para a imprensa ser ele favorável à legalização da maconha no Brasil. Em entrevista ao canal UOL, disse que a legalização da maconha pode vir a “quebra” o faturamento das quadrilhas, principalmente em estados do Nordeste. Tá certo!

Mercado de Arte

O Art Basel, o maior grupo de feiras de arte do mundo, copilou os números de leilões e vendas de 6.500 galerias em vários países e revelou, na semana passada, que este mercado movimentou US$ 63,7 bilhões, cerca de R$ 208,3 bilhões em 2017.Também no ano passado foi comercializado a mais cara obra de arte de toda a história, uma pintura de Da Vinci por R$ 1,5 bilhão. Houve, neste segmento, um faturamento de 977 milhões, o que correspondeu a 64% no incremento de vendas com relação ao ano anterior. Mas o forte continua a ser arte contemporânea, com faturamento de 6,2 bilhões.

Com Aspas

I. "No Rio, já tivemos várias experiências de intervenções desastrosas, como a do Exército na Maré. Ela durou cerca de um ano, no período de Copa e Olimpíadas. Gastou-se R$ 600 milhões, um investimento enorme que poderia ser usado em políticas efetivas" – Marielle Franco, em 19/02/2018, ao criticar a intervenção federal na segurança do Rio.

II. “Toda morte me mata um pouco. Dessa forma me mata mais”. Elza Soares, sobre a morte de Marielle Franco.

III. “Somete os profetas enxergam o óbvio”. Nelson Rodrigues

 

“Críticas e sugestões alex.semaspas@gmail.com

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