15/04/2018 as 14:20

Transcending Self - as narrativas dos transgêneros não-binários

LGBTI

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Por Ricardo Montalvão.
Foto: Reprodução Instagram<?php echo $paginatitulo ?>

A fotógrafa Annie Tritt criou, em 2016, o projeto "Transcending Self" que conta como é a vida das pessoas que se identificam como o terceiro gênero. Você deve estar se perguntando, e o que é terceiro gênero? Trata-se de pessoas transgêneros que não se identificam, necessariamente, nem com o gênero masculino e nem com o feminino. Os terceiro gênero também se identificam como não-binários, ou seja, estão além da imposição machista e sexista social de que ou você nasce homem ou mulher. Ou seja, são pessoas transgêneros neutras, quanto à decisão binária de gênero masculino ou feminino.

E foi pensando em tentar entender o processo de se conhecer e entender o seu próprio gênero, além de, principalmente, afirmar a importância das histórias de vida das pessoas transgêneros não-binárias que existem em todas as sociedades, de que Tritt resolveu fazer registros fotográficos inspiradores e lançou o perfil @transcendingself no Instagram, que já é seguido por mais de 25 mil pessoas em todo mundo. Lá, você conhecerá histórias emocionantes de transgêneros não-binários de todas as idades. Segundo Tritt, o maior dilema que essas pessoas vivem é pelo fato de não se identificarem com os "rótulos" sociais de gêneros binários.

Alguns países vêm começando a reconhecer a existência do terceiro gênero através de diversos métodos, ao assinalarem "indefinido" ou até mesmo um "X" na opção de gênero. O numéro de países tem aumentando mesmo que de maneira tímida. Em 2017, a Alemanha foi o primeiro país europeu a reconhecer socialmente a existência dos não-binários em sua sociedade, assim como os estados de Oregon e Califórnia, nos EUA. Além desses doias países, o reconhecimento já foi dado na Austrália, Bangladesh, Canadá, Índia, Malta, Nepal, Nova Zelândia, Paquistão e Quênia. Reconhecer socialmente os não-binários, é empoderá-los e fazê-los se sentirem mais seguros e respeitados, no entanto, marcar um "X" ou "indefinido" nos registros civis é, querendo ou não, acabar os enquadrando em "rótulos sociais", e não podemos negar. As sociedades precisariam se libertar da noção de rótulos para perceberem que somos humanos e, portanto, livres de determinações. Mesmo que rotulando-os, é a alternativa encontrada para construir o respeito social pelos transgêneros, binários ou não-binários.

No Brasil, é difícil encontrar não-binários assumidos socialmente, afinal de contas, nosso país é o que mais mata transgêneros no mundo, em contrapartida é o que mais acessa pornografia trans na internet. Até temos um projeto de lei que trata sobre os registros públicos a fim de disciplinar o registro civil do recém-nascido sob o estado de intersexo, no entanto, o projeto encontra-se parado e sem previsão para ser votado na nossa Câmara dos Deputados intolerantes e pré-conceituosos que pertencem, em sua maioria, à bancada evangélica, representantes da nossa sociedade discrimanatória.

 




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