02/07/2018 as 10:43

A hora da despedida

Ponto de Vista Por Ivan Valença

Ponto de Vista

Política
Por Ivan Valença
Foto: (Reprodução).<?php echo $paginatitulo ?>

Antigamente, mas não tão antigamente assim como o leitor deve estar se imaginando, a gente sabia do desaparecimento de pessoas queridas da sociedade sergipana, através de notas fúnebres divulgadas pelas emissoras de rádio da cidade, ou também por notas sucintas vindas a luz pelos jornais, fossem eles semanais ou diários. Havia até um serviço de alto-falantes no centro de Aracaju, ali pela rua João Pessoa ou pela rua Itabaianinha, que também noticiava os passamentos de pessoas famosas no quadrilétro sergipano.

Alguns mais velhos, talvez porque já não tivessem compromisso  com expedientes de trabalho, circulavam pelo centro da cidade – leia-se João Pessoa, o que é hoje o Calçadão – avisando os transeuntes  sobre a morte do dr. Fulano de tal. Quem conhecia os personagens às vezes parava o velhinho atencioso, para obter maiores informações sobre o horário do sepultamento  e o cemitério onde isso iria ocorrer. Essa circulação era feita em dois horários, as 10h30 (estendendo-se até por volta do meio-dia) na poarte da manhã e das 15 às 15h30, na parte da tarde.

Alguns carros de propaganda, mais das vezes, paravam junto a esses velhinhos e procuravam saber os nomes dos últimos falecidos, local e hora de sepultamento, e continuava a circular pelo centro com as últimas novidades. Ao que me consta não cobravam nada por este serviço que eles consideravam de utilidade pública.

Naquela época, geralmente os sepultamentos ocorriam nos dois principais cemitérios da cidade, o São Benedito e o Santa Isabel, ou até mesmo no Cemitério dos Cambuís, na praça dos Expedicionários, mais próximo do bairro Siqueira Campos. Normalmente os sepultamentos de pessoas de idade ocorriam entre 16 e 17h,  e os de crianças e adolescentes entre 15 e 16h.

Esta semana perdi dois grandes amigos – o desembargador aposentador Artur Oscar de Oliveira Deda, 86 anos e o advogado Givaldo Rosa Diaz, 70 anos. Soube da morte de ambos por um meio mais moderno, no caso, a internet. Que descansem em paz.




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