27/07/2018 as 15:01

Convenções partidárias: os arautos começam a ser ungidos

“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor

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Politica
Por Alex Nascimento
Enrico Baj - Comizio<?php echo $paginatitulo ?>

 

Convenções partidárias: os arautos começam a ser ungidos

As convenções partidárias já estão acontecendo. Como diz a canção, “daqui pra frente, tudo será diferente”. Delas sairão homens e mulheres, velhos e “novos” políticos, líderes de direita, de esquerda e de centro a dizer da realidade possível, dos caminhos a trilhar para o novo tempo. Com as convenções partidárias, felizmente, o Brasil voltará a ser o país do futuro.

A violência, por exemplo, que em 2016 causou a morte de 62.517 pessoas, e que vai custar aos cofres públicos do país, este ano, mais que R$ 300 bilhões, será combatida com investimentos em educação, com distribuição de renda, geração de emprego, policiamento ostensivo, tecnologias, fiscalização de fronteiras, combate e prevenção ao tráfico de drogas e armas e valorização dos policiais -  dirão as vozes vindas de tais convenções. Haverá vozes, exaltadas (?!), a dizer “do direito do ordeiro provo brasileiro de se armar”, numa declaração de cega confiança na inclinação que esse mesmo povo tem para o cumprimento das leis.

Tudo isso, claro, com a mobilização da sociedade, o envolvimento das escolas, das famílias, dos meios de comunicação, da igreja, da iniciativa privada, enfim, com o envolvimento de todos os segmentos sociais, bem ao estilo (Enem) eleitoral de ser. A educação pública, essa será um orgulho nacional, com estados e municípios atingindo metas estabelecidas, inclusive internacionais.

Os brasileiros, certamente, ouvirão com atenção os discursos e ficarão sabendo que os serviços públicos de saúde passarão por uma revolução, nos próximos quatro anos, e em pouco tempo comparados aos de nações desenvolvidas. Haverá também uma política articulada de meio ambiente, saneamento básico e mobilidade urbana, “a partir de uma interface estabelecida entre as várias secretarias estaduais e os ministérios”.

Os candidatos aos governos, aos parlamentos e à presidência da República estarão comprometidos com um grande pacto nacional, suprapartidário, de combate à corrupção e construção de políticas duradouras de estado; o Brasil vai atingir o pleno emprego, a famigerada carga tributária será reduzida, investimentos econômicos se darão por tarde parte; a nação, enfim, cantada por todos, nos pátios das escolas e nos estádios de futebol. Todas as previsões pessimistas cairão por terra.

As convenções partidárias começaram a apresentar os “arautos da boa nova”, os abnegadores, os estadistas que acenderão a luz do escuro e longo túnel pelo qual o país atravessa. O futuro do Brasil, finalmente, terá sabor de mel.

Nem vem que não tem

Os arautos da boa nova terão 160,9 milhões potenciais eleitores que precisarão ser convencidos de suas boas-fés. Os números foram divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este ano, serão 4 milhões a mais de possíveis eleitores, o que representa uma elevação de 2.5% em relação a 2016, quando havia 156,9 milhões de brasileiros com mais de 16 anos. São 160,9 milhões de potenciais eleitores, dos quais, 59% ainda não sabem em que votar ou não pretendem escolher ninguém.

O tom que soa de Eliane I

O tom que soa do discurso da pré-candidata a vice de Belivaldo Chagas, a vice-prefeita Eliane Aquino, vai dar um trabalho danado aos adversários “desconstrui-lo”. Eliane tem um estilo franco, e também emotivo, que “muito lembra o estilo Déda de discursar”.  Ao conceder entrevista essa semana, fez questão de frisar que o nome dela é Aquino, que escolheu viver em Aracaju após a morte do marido, que Déda está em todos da família e que não vai admitir o uso político do nome dele. Disse de Nossa Senhora de Santana, padroeira de Simão Dias, terra natal de Déda, Belivaldo e dos Valadares, por quem afirmou ter afeto e respeito. Como se pode perceber, Eliane tem narrativa.

O tom que soa de Eliane II

O tom que soa de Eliane tem conteúdo. Sua atuação junto aos movimentos sociais dão a ela, inclusive, tranquilidade para dizer, sem titubear, que sua decisão deveu-se tanto à confiança que tem em Belivaldo, quanto ao fato de que “suas” bandeiras serão respeitadas e que elas não devem se restringir a uma secretaria de governo. Ao falar sobre o PT, disse da importância da unidade do partido. Tem narrativa, só não pode sair do tom.

Os 3b Manuela Dávila

A visita da bela presidenciável Manuela Dávila agradou um bocado de gente. Durante evento na Assembleia, um histórico comunista saiu com essa: “ela é branca, bela e burguesinha. Quanto menos UJS for, mais votos terá”.

Eleitores uniformizados

"Não se ganha eleição com pensamento único. Não se governa uma nação com pensamento único. Os seguidores, muitas vezes, do deputado Jair Bolsonaro tem uma ânsia de ouvir um discurso inteiramente uniformizado. Pessoas só são aceitas quando pensam exatamente as mesmas coisas. Reflitam se não estamos fazendo o PT ao contrário". O comentário foi feito por Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, convidada de Bolsonaro para ser sua vice.

Sobra vaga para vice I

Tem sobrado vaga para vice em todos os estados brasileiros e também em nível federal. Os que são convidados “manifestam medo” de vir a assumir, amanhã ou depois, um abacaxi para governar. É bom lembrar que, nas últimas décadas (57 anos, para ser mais preciso), quatro vices assumiram a presidência da República: João Goulart, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.

Descumprindo a lei I

Dos 75 municípios sergipanos, 67 fecharam o ano de 2017 descumprindo o limite de gastos com pessoal, previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 54% da receita corrente líquida.

Descumprindo a lei II

Apenas os municípios de Brejo Grande (42,91%), Pirambu (44,45%) e Nossa Senhora de Lourdes (48,76%) estão enquadrados na LRF, enquanto os municípios de Moita Bonita (51,80%), Pedra Mole (52,17%), Estância (52,52%), São Cristóvão (53,56%) e Graccho Cardoso (53,97%) estão dentro no limite prudencial.

Abandono da Orla de Atalaia I

A senadora Maria do Carmo tem razão quando fala do abandono no qual se encontra a Orla de Atalaia. “Fiquei horrorizada e triste ao ver aquele descaso”, afirmou a parlamentar em material divulgado por sua assessoria. “A nossa orla, projetada com tanto carinho por João e sua equipe, considerada por todos, inclusive pelos opositores, como a mais bonita do Brasil, hoje está largada às traças, suja, sem atrativo. É lamentável”, disse a senadora. Quem anda por lá, sabe que ela tem razão.

Abandono da Orla de Atalaia II

A senadora lembrou, por exemplo, das fontes luminosas, que eram de fato alguns cartões postais da Orla. “Na época, a informação era de que seria fechada para manutenção por um período de 30 dias”, afirmou a senadora, ao tempo em que também chamou a atenção para o drama vivido por alguns comerciantes. Está mesmo na hora de se fazer alguma coisa por lá.

O futuro de 233 milhões de pessoas

Ainda segundo o IBGE, em trinta anos o Brasil terá 233,2 milhões de pessoas. Depois, a população entrará em declínio até 2060 (228,3 milhões). Os números fazem parte da Revisão 2018 da Projeção de População, que estima demograficamente os padrões de crescimento da população do país ano a ano, por sexo e idade, para os próximos 42 anos.

 

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