21/08/2018 as 15:15

Fábio Henrique e a normalidade do jogo

Coluna Sem Aspas Por Alex Nascimento “Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
Foto: (Reprodução/Sovaco de sapo).<?php echo $paginatitulo ?>

O ex-prefeito de Socorro, Fábio Henrique (PDT), sabe como chamar a atenção da imprensa e da política. Dessa vez, Fábio apareceu em foto fazendo campanha ao lado do candidato ao senado André Moura (PSC), no último final de semana. O senador Antônio Carlos Valadares (PSB), obviamente, condenou publicamente a “postura” de Fábio Henrique.

Poucas horas depois, o esposo de Sílvia Fontes (PDT), candidata a vice-governadora na chapa de Valadares Filho, fez postagem afirmando que todos os membros do PDT votam no senador Valadares. “Não vamos entrar no jogo dos adversários. O senador Valadares é um homem sério, ético e um grande senador de Sergipe e do Brasil. O PDT apoiará os candidatos a senador da nossa coligação”, afirmou. Fábio, que é candidato a deputado federal, não citou, expressamente, o nome do candidato Henry Clay, mas nota da Comissão Executiva Regional do PDT citou.

O ex-prefeito de Socorro ainda informou que o apoio à candidatura de André Moura não é dele, mas de um grupo do PDT que, em determinada área de Socorro, apoia outros candidatos. A foto pegou mesmo mal, mas muitas outras incongruências de mesmo viés devem aparecer ao longo da campanha, envolvendo outros candidatos e outros partidos.

O fato é que, apesar da reação quase teatral, e necessária, do senado Valadares, e dos panos quentes posto por Fábio Henrique na questão, certamente que Valadares não ficou nem um pouco surpreso com o fato, como certamente Fábio não perdeu nenhum minuto de sossego por conta da reação de Valadares.

Política no Brasil é assim mesmo, uma sopa de sarapatel cozinhada pelas siglas, candidatos e pelo eleitor - também esse um pragmático personagem que sabe tirar seus proveitos do jogo político.

Fábio “causou” outra vez

Fábio Henrique, que, como diz o povo, “já vinha causando”, causou mais uma vez. “O cabra é bom, sabe jogar com a plateia”. Não por acaso, durante meses, Fábio alimentou o “sai-não-sai” do governo, colocou-se em permanente evidência, foi cativado, mimado, paparicado por todos os lados, até que, finalmente, bateu o martelo em favor dos Valadares. Tal postura deixou brechas para comentários negativos a seu respeito, é verdade, mas com pouco ou nenhum poder de estrago. Ontem, por exemplo, uma fonte ligada ao governo disse a este colunista que Fábio “foi até o limite aproveitando as tetas do governo, caiu fora e Valadares tem mais é que ficar de olho, porque, se vacilar, só quem sai ganhando é ele”. Será?

Valadares não dorme no ponto

Olha o que disse o senador Valadares: “as coligações são acordos eleitorais celebrados entre partidos políticos que devem ser cumpridos pelos seus membros. No que diz respeito à nossa coligação temos um acordo assinado e aprovado por todos os partidos que a integram, inclusive pelo PDT, apoiando os nomes indicados para os cargos de governador e vice e para as duas vagas de senador. Essa decisão individual de Fábio Henrique em apoiar André Moura se contrapõe à aliança firmada entre os nossos partidos; e a sua gravidade ainda mais se acentua pelo fato de Fábio Henrique ser presidente de um partido que indicou na composição da chapa majoritária o nome da deputada Sílvia Fontes, sua esposa, como candidata a vice”.

Valadares não dorme no ponto II

O alvo do senador Valadares é André Moura, tanto que ele aproveitou seu o texto de repúdio, que fez com relação ao suposto (?!) apoio de Fábio Henrique ao candidato André, para alfinetar seu concorrente: “Repudio as articulações nefastas de políticos que usam da influência do poder econômico e político, e do falso anúncio de verbas milionárias às vésperas das eleições, como único discurso para mudar o apoio de partidos ou de suas lideranças”. Então tá.

A força das cúpulas partidárias

A força das cúpulas partidárias pode ser traduzida nos números divulgados pelo Estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Segundo o estudo, 79% dos 513 deputados federais tentarão a reeleição em outubro. A projeção da entidade aponta que 75% deles devem se reeleger. O levantamento foi feito com base nos registros das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como as cúpulas partidárias escolhem prioridades, as eleições de 2018 “não deve mesmo trazer muito renovação de nomes”.

O “velho” Clovis Silveira parece ter razão

Clovis Silveira é um personagem conhecido da política sergipana. Para ele, como diria um antigo humorista da Escolinha do Professor Raimundo, David Pinheiro (Armando Volta), “pau é pau, pedra é pedra”. Clovis, que é presidente estadual do PPS, ao responder a este colunista com relação ao que espera das eleições 2018, experiente como é, não titubeou: “serão iguais às eleições de 2016, 2014, 2012, 2010. Não muda nada”. E, sentado sob sua famosa mangueira, dar o veredito: “novo e renovação são velhas palavras da política”.

Quanto vale um deputado federal

Nas eleições 2018, cada voto para deputado federal vai valer R$17,63. Um deputado eleito vai valer 2,7 milhões ao partido, em dinheiro do Orçamento da União, regra estabelecida pela a minirreforma eleitoral aprovada em 2017. Os puxadores de voto são um tesouro para os partidos. A UOL publicou que, em 2018, os trinta deputados que vierem a ser os mais votados vão gerar em média, aos cofres das legendas, algo em torno de 390 milhões em quatro anos.

Quanto vale um deputado federal II

Em 2014, por exemplo, o deputado Celso Russomanno rendeu R$ 59 milhões ao PRB, Tiririca rendeu 39,2 milhões para o PR e, Jair Bolsonaro, 17,9 milhões para o PP - no período entre 2015 e 2018. Eduardo Cunha, embora cassado, ainda rende bons resultados ao PMDB. Ao todo, Cunha representou, mesmo depois de preso, a bagatela de nove milhões para o partido que o abrigou. É mole ou quer mais?

Não custa lembrar que custa caro

O salário de deputado federal é de R$ 33.763. Ele tem direito a um auxílio-moradia de R$ 4.253 ou apartamento de graça para morar. Recebe também uma verba de R$ 101,9 mil para contratar até 25 funcionários. Tem direito a uma verba de R$ 30.788,66 a R$ 45.612,53 por mês para gastar com alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato, entre outras despesas.

Não custa lembrar que custa caro II

Também cai na conta do parlamentar dois salários no primeiro e no último mês da legislatura como ajuda de custo, como ressarcimento de gastos com médicos. Cada deputado federal custa ao contribuinte R$ 2,14 milhões por ano, ou R$ 179 mil por mês. Somadas as despesas com todos os 513 integrantes da Câmara, as despesas chegam a R$ 91,8 milhões todo mês. Ou R$ 1,1 bilhão por ano.

Belivaldo no segundo turno

Em conversa com este colunista, o prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, afirmou não ter dúvidas de que Belivaldo Chagas estará no segundo turno das eleições. Segundo ele, “nessa eleição, a gente precisa ter juízo para entender que a hora que nós estamos não podemos querer mudar por mudar. É o voto de responsabilidade”. Questionado quanto a sua missão na campanha, Marcos afirma que estar para Belivaldo para o que ele precisar: “vou fazer o que fiz em minha campanha, bater de porta em porta, brigar pelo voto de São Cristóvão. Sou um soldado à disposição do governador”.

Outros números

De acordo com o Diap, o número de candidatos à reeleição (407) na Câmara ficou um pouco abaixo da média dos últimos sete pleitos (408), porém maior que na eleição de 2014, quando 387 tentaram renovar seus mandatos. Dos 106 que não vão se recandidatar para a Câmara, 31 não vão concorrer a nenhum cargo neste pleito e 75 disputam outros cargos. Destes, 40 concorrem ao Senado; 11 são candidatos a vice-governador; nove disputam o governo do estado; sete tentam vaga de deputado estadual; seis são suplentes de candidatos ao Senado; e dois são candidatos à Presidência da República.

Nova convocação de agentes

Governo de Sergipe nomeia mais quarenta novos agentes da Polícia Civil. Essa é a penúltima convocação antes da lista de quase quatrocentos e cinquenta agentes e escrivães ser finalizada. Os novos policiais vão intensificar o trabalho investigativo das delegacias em parceria com os departamentos especializados, aprimorando a apuração e a elucidação de crimes violentos no estado.

Políticas para mulheres

Nesta terça-feira, vinte e um de agosto acontecerá, no auditório do Tribunal de Justiça, a Capacitação dos Organismos de Políticas para Mulheres. O evento faz parte da programação do Agosto Lilás e é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Mulher, da Assistência Social e dos Direitos Humanos (Seidh), através da Coordenadoria Estadual de Políticas para as Mulheres e da Coordenadoria da Mulher do TJ.

 

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