06/09/2018 as 05:04

Ele me ameaçou, agrediu, estuprou e tirou os melhores anos da minha vida

Disse E. de 52 anos, a suposta segunda vítima de estupro de George Magalhães

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Por Junior Valadares
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ESTUPRO

Eu fui estuprada por ele. Isso há quinze anos atrás; eu passei muito tempo com muito medo dele, pois depois do fato consumado ele andou me perseguindo nas ruas, na saída de meu trabalho. Quando o fato aconteceu, no apartamento dele, ele me disse para não abrir a boca porque eu seria taxada de mentirosa, já que ele era um homem com muito conhecimento e tinha as costas quentes.

 

O FATO

No final de 2003, eu estava com um problema de saúde muito sério, com uma irmã em casa, e na época, existia um programa na Rádio Atalaia, que ajudava as pessoas, e no intuito de ajudar minha irmã, eu liguei para rádio onde ele fazia o programa. Quando eu liguei, a atendente me falou que George Magalhães poderia me atender. Ele me atendeu, foi educado; disse que precisaria conversar comigo pessoalmente, marquei, dizendo que ele poderia ir em minha casa, conversar com minha mãe e comigo e ele me perguntou se poderia ser em um lugar onde nós conversássemos sozinhos, e eu afirmei que ele poderia ir no meu trabalho, um ambiente, onde eu ficava só e poderíamos conversar. Ele foi lá, e aí me falou que necessitava fazer uma triagem dos casos, para depois resolver. Como ficou, marcado, ele foi á noite, me buscar em casa para resolver o meu problema, não havia motivo para não acreditar naquele homem que me tratou tão bem e com tanta educação, que disse que iria ajudar. No entanto, não foi isso que eu encontrei; quando entrei no apartamento dele eu já encontrei um homem ignorante, grosseiro e que já foi me agarrando, e aí ele me perguntou se eu estava me fazendo de inocente, e o quê que eu pensava que ele queria ao me levar para lá.

AMEAÇA

Agora a sua conversa é comigo’. Foi logo me empurrando pro quarto dele, e tapando minha boca e se eu gritasse, ele me matava. Eu disse que iria gritar para pedir socorro, mas ele não deixou tinha bem mais força física que eu. Me puxou pelos cabelos, me jogou de costas, e aí eu prefiro não citar os pormenores. Mas ele consumou o ato com a senhora? Consumou .

CONSUMOU E NÃO FOI CONCENSUAL

De forma alguma foi consensual. Ele usou como iscas o problema que eu estava passando.  O único intuito que eu tinha era resolver o problema de saúde de minha irmã, eu nem conhecia George antes, nunca tinha visto ele na minha vida, conhecia pelo nome do programa de radio.

SENTIMENTO DE JUSTIÇA

A única coisa que quero contando a minha história é ajudar a moça que também foi estuprada, para que mais uma pessoa não passe pelo que eu passei. Fiquei com muito medo de sair na rua e encontrar ele, pois ele ficou me perseguindo. Ele passava de carro; à época, ele tinha um gol meio cinza.

O LOCAL

Ele morava ali perto da Nova Saneamento, em uma avenida com o nome de Francisco Moreira, que leva até o Luzia, que tem uns condomínios de quatro a cinco andares, tanto de um lado como do outro da avenida. Lembro bem onde foi o meu sofrimento,, entrei no condomínio, no apartamento dele e sai de lá estuprada..

SENTIMENTO

Eu estou fazendo isso porque se ele fez isso comigo há 15 anos atrás, e hoje ele fez com outra pessoa, isso significa que no meio dessa história pode haver mais vítimas, que como eu, por ter sido ameaçada, por ter tido medo não abriu a boca e como alguém teve a coragem de fazer isso, então eu vim em apoio a ela. Não conheço, não sei quem é, mas quero dar total apoio a ela, pois do jeito que ela é uma  vítima, eu também  fui no passado.

IMPUNIDADE

Olha, logo nos primeiros meses, eu tinha medo até de sair na rua, de encontrar ele na rua. Tinha medo das pessoas olharem pra mim e saberem o fato imundo que aconteceu. Eu tinha medo de tudo! No período, eu gostava de sair, mas eu preferia sair em casa. Nunca abri a boca, nunca falei pra ninguém. Mas, agora, eu acho que um crime não pode ficar impune. Eu sei que o meu prescreveu, perante a lei brasileira; só que quando eu vi aquela notícia na televisão, eu vi que ele continuava praticando o ato imundo dele. Então, ele tem que ser penalizado.

“ATO IMUNDO”

Ato imundo, porque homem tem direito de fazer aquilo com ninguém. Eu que sei o que sofri. Depois de algum tempo, eu já vinha, graças a Deus ... já tinha até esquecido da existência dessa criatura. Aí, quando eu vir o caso ser noticiado, tudo aquilo me voltou na mente, eu comecei a ver aquilo, como se tivesse acontecido ontem.

Calada

Eu nunca abri a boca para ninguém, inclusive para ninguém da minha família, nem pra mãe, que à época, estava entre nós. Me sentia de mãos atadas, eu não sei nem dizer. O medo e a vergonha era o que me travava, por causa das ameaças dele.

MARCAS

Depois que eu soube que ele continuava a fazer, tudo voltou à tona, não o medo, mas a repugnância e o ódio por ele, porque mulher nenhuma é estuprada pra dizer que não sente ódio de seu agressor. O sentimento que eu tenho por esse homem é ódio. Eu nunca odiei ninguém na minha vida, pois eu sei que Deus não é conivente com o ódio, mas que ele me perdoe, o que eu sofri bem maior do que qualquer coisa que eu venha a sentir.

JUSTIÇA

Estou me colocando a disposição da policia e da  justiça  porque a monstruosidade que esse homem fez comigo e fez com essa moça não pode ficar impune. Esse homem deve estar aí aprontando, pois ele não deve ter feito apenas isso em 2003 e ficou 15 anos sem fazer. Não deve ter ficado quieto, só que outras pessoas como eu com medo dele não abriram a boca. É por isso que eu quero ajudar a moça e qualquer outra mulher que tenha sido vítima dele.

MONSTRO

Monstro, é só isso que ele é. Porque eu tenho certeza que ele não precisaria dessa atitude para ter uma mulher na vida dele. Ele não precisaria desses artifícios manhosos para ter uma mulher ou um ato sexual. Ele podia ter uma mulher do lado dele, mas por que ele age desse jeito? Mulher por acaso, é objeto, que deve ser usado, amassado e jogado fora? Não é assim que um ser humano deve ser tratado.

MENSAGEM

Quero dizer que se existem outras pessoas que forma molestadas por este monstro, que elas tenham coragem de abrir a boca agora, porque agora é a hora de se descobrir quem é essa criatura e dar apoio a quem realmente precisa, que no caso é a moça (do caso ocorrido há poucos dias). Tenho receio se ele se lembrar de quem sou, por isso peço, sigilo sobre meu nome. Não se calem, como eu me calei na época, por medo e vergonha. Só que as leis hoje são outras, temos a Maria da Penha aí, que protege as mulheres, temos o crime de feminicídio, que está sendo aí pela justiça. No momento que estupra, ele é capaz de matar. Então, que não se cale, que vá e se defenda, mesmo sendo taxada, pois algumas pessoas ainda machistas falam mal da mulher, são capazes de falar mal da vítima. Mas, que passe por cima de tudo e abra a boca.

 

 




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