20/09/2018 as 15:34

EU, UM ET

Por Ivan Valença, Ponto de Vista

Ponto de Vista

Política
Por Ivan Valença
Foto: (Pixabay).<?php echo $paginatitulo ?>

O artigo de hoje não é de minha autoria mas do jornalista, economista e adogado Paulo Roberto Dantas Brandão. Que vem a ser o neto do jornalista Orlando Dantas, o homem da “Gazeta de Sergipe”, à sua época, o melhor jornal que houve em Sergipe. Paulinho escreve o ofino. “Eu, Um ET”., [e uma obra da crônica política. A esle, portanto

EU, UM ET

PAULO ROBERTO DANTAS BRANDÃO

Tenho me sentido um peixe fora d’agua. Um ET. Na campanha eleitoral pouquíssimos amigos têm concordado comigo, principalmente os das redes sociais (o pouquíssimo é para deixar o benefício da dúvida).
Uma parte dos meus amigos é de petistas roxos. Um deles veio me dizer indignado que era uma violência não deixarem Lula fazer campanha, dar entrevistas (foi antes de entronizarem o Andrade, ou melhor Haddad). Sem entrar no mérito da justeza ou não da sua prisão, fiz ver a ele que Lula estava preso, e que preso, ao que me consta, não tem certos direitos. Portanto, Lula não podia fazer campanha, como qualquer outro preso. Mas ele estava em primeiro nas pesquisas, retrucou meu amigo lulista. Pouco importa, disse a ele, preso não pode fazer campanha eleitoral, nem pode ser candidato (em nenhum momento entrei no mérito da prisão). E ainda disse que achava regalia Lula não estar na penitenciária, como os demais presos condenados, e receber um magote de gente a toda hora. Meu amigo lulista me olhou como a um ET. O máximo que ele disse é que eu achava que decisão judicial era sagrada. É melhor ficar calado, e fiquei. Mas meu amigo insistiu nas virtudes do PT. Quando retruquei que não concordava com quem acha que o Estado é um poço sem fundos, e acha que equilíbrio fiscal é uma besteira, meu amigo não me deixou terminar. Encerrou a conversa bruscamente. Achou que falava com um ET
No outro dia estava no gabinete de um advogado muito amigo. Na sala um cliente, também amigo, bradava sobre as virtudes de Bolsonaro. Queria todo mundo armado, instituição da pena de morte, fechamento do Congresso e coisa e tal. Passei a retrucar ponto por ponto. Não acredito que liberar arma para a população seja a solução. Toda a minha vida fui contrário à pena de morte – e não invoco questões religiosas. E acredito que por pior que seja, o Congresso é o fiador da democracia. Não há democracia sem um Congresso, e se o que temos é ruim, muito ruim, cabe a nos melhorá-lo. Nem acabei meus argumentos, e o rapaz me olhou mais uma vez como se visse um ET: mas você não vota em Bolsonoro? Perguntou incrédulo. Aí fui eu que levantei os braços e fui embora.
Uma amiga anda apaixonada por Ciro. Diz que é o único que tem dito coisa com coisa. Tirando a besteira de tirar o nome de todo mundo do SPC, que é puro populismo, até que Ciro tem se saído bem nas entrevistas e debates. Mas é explosivo, meio demagogo, num momento em que precisamos de um conciliador para pacificar a nação. E Ciro está longe de ser tal conciliador. Aliás, um artigo em falta entre os candidatos. Minha amiga ficou indignada: mas você não vota em Ciro? Pronto, lá vem o meu sentido de ET.
Num jantar conversei com um amigo empresário. Tentou convencer-me a votar no Amoedo. Falei que era difícil um outsider negociar com o Congresso, o que seria imprescindível para qualquer mudança viável. E completei dizendo que o problema não é a política, pois não se governa sem ela, o problema é o que estão fazendo com a política. A resposta foi uma cara de incrédulo: você quer negociar com esse Congresso? Não acredito. Tem que ser fechado. E me olhou como se visse um ET.
Não vou continuar porque por exclusão terei que votar em alguém. Ou então vou procurar um ET para conversar, talvez seja o único que faz tribo comigo.

 




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