26/11/2018 as 10:46

Relembrando a SCAS

Ponto de Vista, por Ivan Valença

Ponto de Vista

Política
Por Ivan Valença
Foto: (Reprodução/Redes Sociais).<?php echo $paginatitulo ?>

Esta semana bateu-me uma baita saudade de duas décadas do século passado, os anos 50 e 60 – que Deus os tenha em bons lugares.  Perguntará o leitor, incrédulo, como se ter saudades de algo tão remoto no tempo, uma época em que muita coisa ainda engatinhava. Uma época em que não havia ônibus e o transporte publico era dominado por marinetes e que os taxis eram poucos, não passavam de 300 ou 400. Uma época em que os telefones não eram automáticos e os telefones celulares eram objetos de contos científicos. Era assim mesmo que temos saudades daquela época. Porque naquela cidade pequena, acanhada, de poucos carros e ainda um golpe militar, o de 1964 a nos perseguir, havia porém uma entidades que pelo menos uma vez por mês promovia um show de grandes artistas e que nos enchia a alma de música sobejamente de boa qualidade.

A Sociedade de Cultura Artística de Sergipe (SCAS) chegou a possuir, no auge, quase 800 e poucos associados que enchiam até o limite de sua capacidade o ainda incipiente auditório do Teatro Atheneu. Foi fundada em 1952 e era presidida por um intelectual sergipano e que, muitos anos depois, foi morar em São Paulo: Felte Bezerra. Depois, a SCAS foi presidida por José Carlos Teixeira e quando ele deixou Aracaju para ser deputado federal, o professor João Costa, também conhecido como um gabaritado teatrólogo.  Música clássica, cinema, ballet, teatro, sessões de poesia falada, compunham basicamente  a programação da SCAS.

Boa parte desses espetáculos era de grupos estrangeiros trazidos pela SCAS-São Paulo e vindo para Aracaju logo em seguida. Os cachês  destes grupos eram pagos em dólares tão logo terminava o espetáculo. A agência local do Banco do Brasil fazia o câmbio dessas moedas e providenciava  a troca de cruzeiros por dólares, liras, marcos alemães, francos franceses que eram entregues ao representante dos grupos enquanto os artistas ainda estaam em cena.

Dos artistas que se apresentaram por aqui, trazidos pela SCAS  certamente  a de maior fama era da bailarina, grega de nascimento,  Tamara Toumanova.  Ela parecia caminhar sustentando-se nos pequenos dedos dos pés. Foi emocionante ver e ouvir os aplausos a ela direcionados ao término do espetáculo, durante o qual ela dançou algumas peças clássicas do seu repertório. Foi um só espetáculo, dedicado aos associados da SCAS. Não havia ingressos a venda: para er Tamara Touimanova só sendo sócio da SCAS.




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