29/12/2018 as 19:18

2018 – Um ano de perdas, retrocessos e conquistas

Por Linda Brasil

Consciência e (R)Existência

Diversidade e Direitos Humanos
Por Linda Brasil.
Foto tirada da internet pela colunista<?php echo $paginatitulo ?>

 

Vários acontecimentos marcaram o ano de 2018 e com certeza irão ficar na história da tão recente democracia brasileira. Foram assassinatos, prisões, denúncias, crescimentos de ideias fascistas e a eleição de um presidente declaradamente machista, racista e LGBTfóbico. Mas apesar disso, também tivemos algumas conquistas no campo dos direitos individuais.

Uma das perdas mais emblemáticas, que representou a situação de perseguição e os retrocessos que estamos atravessando, foi a execução da vereadora e militante Marielle Franco, e do seu motorista, Anderson Gomes. Uma mulher negra, bissexual, da periferia, que foi eleita a quinta vereadora mais bem votada da cidade do Rio de Janeiro.

Pela primeira vez, uma mulher vinda da favela e defensora dos direitos humanos das minorias consegue chegar à Câmara Municipal do Rio, fazendo um trabalho exemplar, apresentando vários projetos importantes para a cidade e denunciando as atrocidades da “velha política” dominada por homens brancos, heterossexuais e engravatados. Sua corajosa atuação estava ameaçando políticos e empresários que se beneficiam do erário público de forma ilícita. Além disso, vários outros/as militantes que trabalham em prol de comunidades desfavorecidas social e economicamente foram assassinados/as em todo o Brasil. Muitos desses crimes ainda estão sem solução, como no caso de Marielle.

Num ano de eleições conflituosas, ocorridas dentro de um processo de golpe político iniciado em 2016, que tirou do poder a primeira mulher eleita democraticamente. Um processo deliberado com conivência de membros da justiça e de vários políticos/as envolvidas/os em escândalos de corrupção que estão soltos. Processo eleitoral que, por parte destes agentes, exigiu a prisão sem provas evidentes e a condenação absoluta do ex-presidente Luís Inácio da Silva, mudando o destino da política brasileira.

Uma eleição marcada por notícias falsas e por discursos de ódio. Tudo isso acabou fazendo com que comecemos a vivenciar um triste cenário de preconceito e retrocessos, que ocasionou a eleição de vários políticos corruptos, com ideias reacionárias e defensores de projetos que perseguem pessoas que sempre tiveram seus direitos negados. Entre estas ameaças estão o movimento de escola sem partido e a retirada das discussões sobre gênero e diversidade sexual nas escolas, temas muitos importantes para diminuição de preconceitos e para conscientizar os/as alunos/as sobre o respeito à diversidade e o combate às violências sofridas por mulheres e LGBT’s. 

Mas, além de todas essas perdas, retrocessos e ameaças, tivemos algumas conquistas que mudaram a vida de várias pessoas trans, dando dignidade e cidadania. Uma delas foi a decisão do STF que aprovou a retificação do nome e gênero de pessoas trans diretamente em seus cartórios de registro de nascimento, sem necessidade de ação judicial e dispensando laudos médicos que comprovariam uma “doença” que não existe.  Essa conquista é muito importante para a existência das pessoas trans que não tinham sua verdadeira identidade de gênero reconhecida pelo estado brasileiro, levando-as a uma grande exclusão social e profissional.

Além dessa conquista, tivemos outra vitória importante: o arquivamento do projeto escola sem partido, intitulado “lei da mordaça”, que tem como objetivo principal decretar a neutralidade dos/as professores/as em sala de aula para não despertar o senso crítico dos/as alunos/as, tornando-os mais fáceis de serem alienados/as e explorados/as. Mas com essa próxima bancada no Congresso Nacional, é possível que esse projeto possa ser desarquivado.

Outra conquista importante e muita significativa foi a eleição pela primeira vez de três mulheres trans e travestis para deputadas estaduais: Érica Malunguinho, em São Paulo, e Érika Hilton e Robeyoncé Lima, por São Paulo e Pernambuco respectivamente. Essas duas últimas foram eleitas através de mandato coletivo e todas as três pelo Partido Socialismo e Liberdade - PSOL, tal como Marielle Franco.

Será que tudo o que está acontecendo no Brasil é uma reação ao fato que pessoas que nunca ocuparam alguns espaços na sociedade, estão incomodando e ameaçando privilégios de outros?

Políticos que fazem qualquer coisa para se manter no poder e que na grande maioria são ou estão envolvidos com grandes empresários e instituições educacionais, sociais e religiosas com intuito de explorar, alienar e manter a dominação e doutrinação das pessoas que não têm consciência do seu papel e de seus direitos na sociedade.

2019 e os próximos quatro anos serão de muita luta. Os movimentos sociais e os parlamentares que lutam contra essa ideias reacionárias e projetos retrógrados que beneficiam somente o interesses de um grupo de pessoas gananciosas, hipócritas e corruptas precisam de muita resistência e força para deter essas perseguições e retrocessos.

Que os idealistas e humanistas nas escolas, academias, nas religiões, nos ambientes profissionais possam se juntar e impedir retrocessos!

Que possamos ter a resposta também a uma pergunta que já fazemos há mais de 9 meses: Quem mandou executar e quem matou Marielle Franco?




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