07/03/2019 as 13:55

Histórias de heroínas que foram executadas e esquecidas: Mulheres muito importantes para a nossa sociedade!

Consciência e (R)Existência

Diversidade e Direitos Humanos
Por Linda Brasil.
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No dia 08 de março se comemora o Dia Internacional das Mulheres, mas por causa do capitalismo e das propagandas de grandes empresas de cosméticos e de eletrodomésticos, muitas pessoas acabam limitadas a festejar uma mulher preocupada com sua beleza e com os afazeres domésticos. No entanto, esse dia foi criado para simbolizar a resistência e luta em defesa de direitos das mulheres, que sempre foram exploradas ao longo da história. No início da Revolução Industrial, sofremos com sobrecarga de horas e péssimas condições de trabalho, além de vivenciar a exploração de trabalho infantil de filhos/as.

Desde o final do século XIX, várias mulheres começaram a se organizar para denunciar a situação e lutar por melhores condições de trabalho e igualdade de direitos entre homens e mulheres. Elas tiveram um papel muito importante nas lutas e na conquista de vários direitos.

Mulheres foram as principais responsáveis por fazer eclodir a Revolução Russa em 1917, depois na luta pelo direito do voto e outras conquistas importantes que até hoje, na era digital, têm uma grande importância contra os ataques e retiradas dos diretos de todas/os trabalhadoras/es, como aconteceu recentemente com o movimento da Primavera Feminista e as várias outras manifestações ocorridas em todo o mundo.

A Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, campeã do desfile das escolas de samba de 2019 no Rio de Janeiro, retratou no seu enredo as histórias das mulheres, negras/os, índios/os e pobres sempre foram invisibilizadas pelos livros.

A Mangueira resgatou várias histórias de heroínas importantes que sempre foram esquecidas, como Dandara que dominava técnicas da capoeira e teria lutado ao lado de homens, como seu esposo Zumbi, e outras mulheres nas muitas batalhas do quilombo dos Palmares. Após ser presa, Dandara, para não retornar à condição de escrava, suicidou-se se jogando de uma pedreira ao abismo, em 6 de fevereiro de 1694.

Outra heroína foi Luísa Mahin, uma guerreira das revoltas dos/as escravos/as da Bahia, no início do século XIX. Ela foi uma liderança importante na rebelião Malê ocorrida em Salvador no ano de 1835.

O desfile também contou a história de Garcia Esperança, uma mulher negra escravizada, que em de setembro de 1770 enviou uma carta ao então presidente da Província de São José de Piauí denunciando os maus tratos e abusos físicos que ela e seu filho sofriam. Essa carta é considera a primeira petição escrita por uma mulher no Piauí, tornando-a precursora da advocacia no estado. O documento também é importante nas origens da literatura afro-brasileira.

A sergipana Beatriz do Nascimento é outro exemplo de mulher que foi muito importante para a luta das mulheres brasileiras e que mesmo em seu Estado não é conhecida. Ela foi um mulher negra que na infância foi morar no Rio de Janeiro, foi historiadora, professora, roteirista, poeta e ativista pelos direitos humanos de negros e mulheres, nascida em 12 de julho de 1942 em Aracaju. Foi uma professora influente nos estudos raciais no país e quando estava tentando proteger sua amiga das agressões do marido, foi brutalmente assassinada por ele no Rio em 1995. Esses são apenas alguns exemplos de mulheres importantes em nossa história que não foram registrados em nossos livros e nas aulas das escolas.

Existe um movimento muito relevante e necessário ultimamente que é o do empoderamento da mulher. Ao contrário do que afirmam opositores de tal movimentação, o objetivo não é conquistar mais poder do que os homens. Busca-se conscientizar mulheres do seu papel transformador na sociedade, a fim de proporcionar sua emancipação do poderio e da dominação dos homens e da exploração sistema capitalista. É uma forma de conseguir autonomia sobre a própria vida e resistir contra tanta exploração e opressão que as mulheres sofrem através dos séculos.

Uma mulher muito importante e que representa muito às lutas de várias que foram silenciadas é Marielle Franco. Infelizmente, em pleno mês do dia internacional das mulheres, no próximo dia 14 completa um ano de sua execução no Rio de Janeiro. Até agora, o Estado brasileiro não deu respostas sobre os mandantes de seu assassinato. Marielle é um grande símbolo de resistência, ela foi a primeira vereadora vinda da favela a ser eleita no Rio. Era uma mulher negra e bissexual que estava realizando um trabalho corajoso na Câmara Municipal, denunciado atrocidades da velha política envolvida em corrupção, milícias e organizações criminosas.

O Brasil é um dos países que mais violenta as mulheres, principalmente no ambiente doméstico, são dados alarmantes e precisamos urgentemente mudar essas estatísticas. Para isso precisamos ocupar espaços de poder, principalmente na política, que historicamente foi dominada por homens, brancos, ricos, grandes empresários e coronéis.

Mesmo com algumas conquistas importantes para as mulheres, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, sabemos que somente essas leis punitivistas, sem que aja uma mudança de comportamento na sociedade sobre papéis sociais de homens e mulheres, dificilmente teremos uma redução dessas violências e desigualdades sociais. Para diminuir esses dados, precisamos urgentemente de políticas públicas de educação que proporcionem uma maior conscientização da sociedade sobre os perigos dessa cultura machista, misógina e sexista que coloca as mulheres em situações de vulnerabilidade e homens como superiores.

Com tanta opressão, negação de direitos e oportunidades, é urgente que as mulheres, bem como os/as negros/as, os/as indígenas, as LGBTQI’s e todas as pessoas que sempre foram oprimidas e exploradas, se organizem coletivamente para denunciar e lutar contra essas injustiças e dessa forma ocupem os espaços que sempre lhes foram negados, como nos livros de histórias.

Que o samba da Mangueira nos inspire na construção de um nova história, contada e aprendida nos lares e escolas de nossa nação:

 

“Brasil, meu nego

Deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra

.....

Brasil, chegou a vez

De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”

(Partes do Samba-enredo da Mangueira 2019)




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