CURIOSIDADES

24/03/2020 as 13:07

'Sem beijos nem abraços – e trocando de vagão a cada espirro (com álcool em gel no bolso)'

O que o coronavírus mudou na vida de um ‘neurótico com doença’

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Como muitos brasileiros, o designer Guilherme Abo Arrage vive momentos de ansiedade e incerteza em meio à propagação do novo coronavírus pelo mundo. Mas para Arrage, que mora em São Paulo, evitar contagiar-se pelo pânico é um desafio muito maior. Descrevendo-se como "neurótico por doenças", a possibilidade de contrair o vírus que surgiu na China imprimiu mudanças em sua rotina.

"Sou neurótico em relação a ficar doente. Se começo a ter uma coriza, já tomo remédio. Às vezes, nem tenho sintomas, mas acabo me automedicando para não ficar doente", diz ele, que credita sua "saúde de ferro" aos seus "novos hábitos dos últimos dois anos", uma combinação de alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e higienização frequente das mãos.

Dias depois de conversar com a BBC News Brasil pela primeira vez, Arrage contou à reportagem na noite de quinta-feira (12/03) que um caso de coronavírus foi confirmado na empresa onde ele trabalha, um polo de startups. Todos os funcionários agora estão trabalhando de casa.

"Pego dois trens e um metrô para chegar ao trabalho. Sempre evitei segurar nas barras. Agora, com o coronavírus, se eu vejo alguém gripado no meu vagão, eu mudo de vagão. Também tenho meu álcool gel portátil e lavo as mãos o tempo todo. Praticamente a cada hora, eu estou higienizando as minhas mãos", acrescenta.

Psicológicos lembram, contudo, que neuroses são transtornos mentais e que, apesar de seu uso informal na linguage popular, é um "assunto que deve ser tratado com seriedade". O mesmo se aplica à "hipocondria".

Arrage diz também que deixou de cumprimentar as pessoas com beijos e abraços e brinca que está pensando até em passar a adotar 'o aperto de mãos de Wuhan', uma espécie de cumprimento com os pés de forma a evitar o contato mais próximo.

Questionado sobre como estava se sentindo após a confirmação do caso de coronavírus em seu trabalho, ele disse que "tranquilo".

"Pelo menos, agora, não vou mais precisar pegar transporte público (para ir ao trabalho), que era o que mais me preocupava. Mas se tiver qualquer sintoma mais grave, vou correndo ao hospital", diz.

Em seu trabalho, reuniões e viagens já haviam sido canceladas antes da confirmação do primeiro caso. A orientação era evitar o contato mais próximo e passar a fazer uso de tecnologia para dar conta dos negócios.

"Tínhamos participado de uma reunião extraordinária em que nos foi explicado que qualquer sinal de gripe as pessoas tinham que ficar em casa. Agora, com o caso de coronavírus confirmado, estamos todos trabalhando de casa", diz Renata Betti, empresária e fundadora da startup de recursos humanos Talent Academy e residente do CUBO.

Betti conta que a pandemia de coronavírus pelo mundo também antecipou a mudança de hábitos de sua família.

"Meu pai não cumprimenta mais as pessoas. Ele só faz namastê (saudação reverencial em que as duas mãos pressionadas juntas, as palmas tocando-se e os dedos apontando para cima, no centro do peito)", diz.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia de coronavírus já infectou mais de 150 mil pessoas em todo o mundo. Do total, cerca de 5,5 mil morreram por causa da doença, conhecida como covid-19.

Até este domingo (15 de março), segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 121 casos confirmados, a maioria em São Paulo, e cerca de 1,5 mil suspeitos. Nenhuma morte foi confirmada até agora.

Recentemente, o ritmo de propagação do vírus vem aumentando exponencialmente ao redor do mundo, enquanto cai na China, epicentro do surto.

Na Itália, o país europeu mais afetado, toda a população está em autoisolamento. Espanha e França também restringiram fortemente a movimentação das pessoas.

Já no Reino Unido, Chris Whitty, chefe médico do Departamento de Saúde do Reino Unido, disse esperar que "teremos 50% de todos casos num período de três semanas e 95% deles num período de nove semanas se (a taxa de contágio) seguir a trajetória que pensamos que ela seguirá". Atualmente, o país tem 1.140 casos da doença.




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