CURIOSIDADES

25/03/2020 as 13:00

Antigo reino maia é descoberto em fazenda no México

Uma equipe internacional de pesquisadores de Estados Unidos, México e Canadá descobriu a capital há muito perdida de um antigo reino maia no quintal de um pecuarista mexicano

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Liderados pelo professor associado de antropologia Charles Golden, da Universidade Brandels, e pelo bioarqueólogo Andrew Scherer, da Universidade Brown (ambas dos EUA), os cientistas começaram a escavar o local em junho de 2018. 

Entre suas descobertas está uma valiosa coleção de monumentos maias, um dos quais tem uma inscrição importante que descreve rituais, batalhas, uma serpente mítica da água e a dança de um deus da chuva. Os pesquisadores também encontraram restos de pirâmides, um palácio real e uma quadra do jogo de bola.

Vacas pastavam na área enquanto os cientistas trabalhavam. Garantir que os animais não pisassem na escavação, caíssem em poços profundos ou sujassem a área de trabalho com esterco era um desafio diário.

Os pesquisadores acreditam que o sítio arqueológico, chamado Lacanja Tzeltal para a comunidade moderna próxima, era a capital do reino Sak Tz’i’, localizado no que é hoje o estado de Chiapas, no sudeste do México. Provavelmente foi estabelecido pela primeira vez em 750 a.C. e depois ocupado por mais de 1.000 anos.

Referências múltiplas

Os acadêmicos procuram evidências de Sak Tz’i’ desde 1994, quando identificaram referências a ele em inscrições encontradas em outros locais de escavação maia. O reino também é mencionado em esculturas alojadas em museus ao redor do mundo.

Sak Tz’i’ não foi de modo algum o mais poderoso dos reinos maias, e seus remanescentes são modestos em comparação com os locais mais conhecidos de Chichén Itzá e Palenque, nas proximidades. Para Golden, porém, encontrar Sak Tz’i’ ainda é um grande avanço em nossa compreensão da política e cultura maias antigas. Ele comparou isso a tentar montar um mapa da Europa medieval a partir de documentos históricos e ler sobre um lugar chamado França. Essencialmente, os pesquisadores localizaram a França. “É uma peça muito grande do quebra-cabeça”, disse Golden.

Em junho de 2014, em busca de um tópico de dissertação, o estudante da Universidade da Pensilvânia Whittaker Schroder, que trabalhou no projeto de Golden, dirigiu por Chiapas olhando escavações arqueológicas. No final de sua estada, um homem que vendia carnitas (tipo de carne de porco) na beira da estrada começou a acenar para ele enquanto passava. Schroder pensou que queria que ele comprasse sua comida. Vegetariano, ele continuou.

Autenticidade confirmada

Finalmente, um dia antes de sua partida, Schroder decidiu que não tinha nada a perder e encostou. Na verdade, o homem não estava interessado em vender seu produto a Schroder. Ele disse ao americano que seu amigo havia descoberto uma antiga tábua de pedra. Ele sabia que Schroder, que fazia pesquisas na área há vários anos, estava interessado nos maias. O aluno de pós-graduação gostaria de vê-lo?

No dia seguinte, Schroder e outro estudante de graduação, Jeffrey Dobereiner, da Universidade Harvard, encontraram-se com o amigo do vendedor, um fazendeiro de gado, dono de loja de conveniência e marceneiro, e confirmaram a autenticidade do tablete. O fazendeiro então passou o caso para Golden e Scherer.

Foram necessários mais cinco anos para negociar a permissão para escavar na propriedade. No México, o patrimônio cultural, como os antigos sítios maias, é considerado propriedade do estado, de modo que o fazendeiro temia que sua terra fosse confiscada pelo governo. Golden e Scherer trabalharam com ele e funcionários do governo para garantir que isso não acontecesse.




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