ESPORTE

09/03/2020 as 11:32

Prisão de Ronaldinho tem famosos e foi palco de torturas na ditadura

O astro e seu irmão Assis passaram no domingo a terceira noite reclusos na Agrupação Especializada de Assunção

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Narcotraficantes, terroristas, políticos e dirigentes de futebol processados por lavagem de dinheiro. Uma população diversa está abrigada na Agrupação Especializada de Assunção, a prisão em que Ronaldinho Gaúcho está preso.

 O astro e seu irmão Assis passaram no domingo a terceira noite reclusos no local. Lá, os ex-jogadores são vizinhos de criminosos de todo tipo de periculosidade: de traficantes de drogas e membros do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho a políticos detidos por enriquecimento ilícito.

A Agrupação Especializada da Polícia está localizada no bairro de Tacumbú, em Assunção, não muito longe da maior cadeia da capital do Paraguai: a Penitenciária de Tacumbú. De fato, o local não é uma prisão, mas um quartel da Polícia Nacional - no entanto, tem sido usado como espaço para receber detentos há anos.

Durante o período da ditadura militar de Alfredo Stroessner, a Agrupação Especializada era conhecido como Agrupação de Segurança. Lá, presos políticos foram torturados, mortos e até enterrados durante os anos mais duros de repressão do regime. Até hoje é possível ver os lugares onde parentes das vítimas realizaram escavações em busca de valas comuns para tentar encontrar restos dos desaparecidos com base em relatos escritos e orais daqueles que viram os perseguidos chegarem e morrerem naquele local.

Com a chegada da democracia, o lugar tornou-se a sede da Agrupação Especializada. Segundo um levantamento feito anos atrás pelo jornal ABC Color, esta é uma unidade de elite que apoia os trabalhos da Polícia Nacional. O quartel possui cinco companhias de suboficiais e dois grupos da polícia de choque de 150 agentes, que prestam serviços por turno. A segurança do local é composto por 18 policiais.

Além da guarda permanente, existem 24 câmeras de segurança localizadas nos pavilhões, assim como dentro e fora das instalações. Os policiais monitoram tudo de uma sala.

NÃO É UMA PRISÃO - Toda autoridade que assume o Ministério do Interior insiste que o Agrupamento Especializado não é uma prisão. "Esta não é uma penitenciária, é um instituto da Polícia Nacional, mas, para uma questão excepcional, pode ser usada. Não é para prisioneiros, é para policiais", disse o atual ministro do Interior, Euclides Acevedo, há semanas.

No entanto, continua a abrigar presos. O quartel funciona de maneira improvisada como um local de prisão de criminosos considerados altamente perigosos ou abriga pessoas que, por algum motivo, não são consideradas prudentes de serem enviadas para prisões comuns. Por exemplo, todos os policiais que devem cumprir uma pena disciplinar são encaminhados para a sede do Agrupamento Especializado.

As salas ou celas destinadas a policiais que prestam seus serviços ou a pessoas indisciplinadas passaram a ser ocupadas por criminosos de alto risco, como sequestradores, homicidas e narcotraficantes.




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