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21/07/2018 as 18:00

Entrevista do Alô com o pré-candidato a deputado federal Coronel Rocha

Com doutorado em Segurança Pública e mestrado em Direitos Humanos tem como suas pautas principais a redução da criminalidade e do tráfico de drogas

Foto: (Alô News).<?php echo $paginatitulo ?>

O Coronel Henrique Alves Rocha, ou simplesmente Coronel Rocha, como se tornou conhecido na sociedade sergipana em função de seus 30 anos de atuação na Polícia Militar do estado é sem dúvidas, um dos nomes mais requisitados em Sergipe quando o assunto a ser discutido é segurança pública. Ex-chefe de Inteligência e Chefe do Gabinete de Crises e Conflitos da PM, mestre em Direitos Humanos e Doutor em Segurança Pública, ele não é de observar os problemas da criminalidade com um olhar simplório, nem apresenta soluções fáceis para pôr fim a uma das questões que mais preocupa a população brasileira.

Ciente da dificuldade da tarefa de explicaas ideias à sociedade, ele decidiu se lançar como pré-candidato a deputado federal pela Rede Sustentabilidade em Sergipe e com um discurso baseado no conhecimento técnico-científico apresentar propostas capazes de contribuir para a redução da marginalidade e de crimes relacionados ao tráfico de drogas.

Nessa entrevista ao Portal Alô News ele expõe sua opinião sobre temas polêmicos como legalização do porte de arma e a redução da maioriadade penal, apresenta suas propostas caso venha a ser eleito e ressalta que apesar da importância da polícia no combate à crimininalidade, outros elementos devem ser levados em conta pela adminsitração pública e pelos políticos quando o objetivo é pôr fim às estatísticas alarmantes da violência em Sergipe e no país.

Portal Alô News (A.L.): Coronel Rocha, o senhor atua há mais de 30 anos na Polícia Militar de Sergipe, possui Doutorado em Segurança Pública e Mestrado em Direitos Humanos, mas ainda não havia ingressado no meio político. Como surgiu a ideia de se candidatar a deputado federal?

Coronel Rocha (C.R.): A minha conduta ética, minha história de lutas e as funções que desempenhei nestes mais de 30 anos de serviço público me habilitam a disputar um mandato de deputado federal, submetendo-me ao voto popular. A necessidade de substituição dos atuais congressistas se faz necessária e urgente. A classe política está muito corrompida. É claro que existem exceções, mas são raras, e mesmo assim viciadas com a permanência em demasia em mandatos eletivos. O Congresso precisa ser oxigenado, precisa de novos nomes, de homens livres, que não se candidatem com o apoio de recursos oriundos da corrupção, ou de empresários que mais tarde irão cobrar o "investimento". Um candidato que se apresenta à população como novo não pode estar ligado à forma tradicional de fazer política, onde o povo não é consultado, onde o povo é tratado como gado e quem negocia seu voto é um pseudolíder regional.  Outro fato motivador para pensar em migrar de uma carreira de Estado para uma cadeira do Poder Legislativo federal se dá em razão da total carência de discussões técnicas e verdadeiramente compromissadas com a melhoria da estrutura de segurança pública. A regra que se vê é mera apresentação de teses vazias e sem qualquer verdadeira preocupação com a diminuição desse clima de insegurança instalado. O ingresso de técnicos/profissionais de segurança em cadeiras do legislativo federal leva à casa dos representantes do povo, abordagens verdadeiramente voltadas para a materialização de legislações fortes. Finalmente, a ausência de políticas públicas de segurança que atendam a sociedade e modernize as instituições policiais brasileiras, nos faz refletir sobre essa possível candidatura

 

(A.L.): A disputa pelas oito vagas de deputado federal em Sergipe costuma ser sempre muito acirrada, com nomes tradicionais ou ligados a agrupamentos sempre disputando. O senhor acredita que pelo fato de pertencer ao corpo policial de Sergipe conseguirá sensibilizar membros das instituições policiais a aderirem a sua candidatura?

(C.R.): Acredito sim, acrescentando que não apenas policiais estão aderindo a nossa pré-candidatura, mas também outros profissionais de instituições ligadas direta ou indiretamente à segurança pública, a exemplo de PFs, PRFs, PCs, BMs, GMs, agentes prisionais, agentes de medidas socioeducativas, agentes de trânsito, seguranças privados. Além disso, pessoas preocupadas com a segurança pública em nosso estado estão aderindo e multiplicando nossas propostas, aliadas ao fato de defender a redução de privilégios dos parlamentares, a não utilização de recursos públicos em nossa campanha. Sem esquecer, claro, da vontade de renovação que existe em todo o Brasil. O sistema atual é rejeitado pela população.

 

(A.L.): O senhor será candidato a deputado pela Rede, que terá o Dr. Emerson como nome para o Governo do Estado e é um partido criado há pouco tempo a partir da motivação da ex-ministra e ex-senadora Marina Silva. Por que a escolha pela Rede?

(C.R.): Quando nasceu a ideia da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, juntamente com um grupo de amigos (entre profissionais da segurança pública, empresários, servidores públicos civis, trabalhadores da iniciativa privada) a exigência era que deveríamos escolher um partido que não estivesse envolvido nos escândalos de corrupção e nem que possuísse em seus quadros políticos envolvidos em corrupção. Ficou fácil a decisão. Agregado ao fato de ser a REDE Sustentabilidade um partido sem donos, onde todos têm voz. A relação foi se construindo aos poucos desde meados do ano passado. A REDE possui em seus quadros pessoas da estirpe do Dr. Emerson, do Delegado Alessandro Vieira, entre tantos outros homens e mulheres que dignificam não só as profissões que pertencem como também e a sociedade de forma geral.

 

(A.L.): A relação entre segurança pública e política costuma estar envolta com temas bastante polêmicos como a legalização do porte de arma e a redução da maioridade penal. Qual a sua posição em relação a estes dois pontos específicos?

(C.R.): Sobre a legalização do porte de armas ela já existe, bastando apenas uma regulamentação para facilitar as pessoas de bem possam ter o posse ou o porte, de acordo com a situação peculiar do cidadão. A legislação hoje possui critérios bastante subjetivos, fazendo com que a autoridade que concede o porte/posse de arma, restrinja ao seu bel prazer quem pode ou não possuir uma arma. Os valores também são muito elevados para que o cidadão de bem possa registrar uma arma, e possuir uma autorização legal de posse ou porte, outro ponto que precisa ser revisto e mudado para valores mais acessíveis. Sobre a redução da maioridade penal, é preciso uma discussão aprofundada e sem ideologia. Não entendo que seja a solução para a queda da criminalidade. Mas sem dúvidas as medidas atuais não coíbem as práticas criminosas. Ou seja, há um ajuste a ser feito.

 

(A.L.): Temos na atualidade, um militar da reserva, o Bolsonaro como um dos nomes mais cotados para a disputa presidencial. Ele consegue um enorme destaque nas redes sociais muitas vezes pelas declarações controvérsias e em certas ocasiões, consideradas preconceituosas que emite. Qual a sua opinião sobre ele, acha que o Brasil precisa de alguém como Bolsonaro no momento?

(C.R.): A REDE Sustentabilidade possui candidata a presidente da república, Marina Silva.

 

(A.L.): Caso seja eleito deputado federal, quais as principais pautas que pretende colocar em discussão no Congresso Nacional?

(C.R.): Com certeza todas as pautas serão em defesa do interesse público, em especial na promoção de uma segurança publica mais eficiente em defesa do povo sergipano. Para isso temos que pensar em instituições policiais fortes, onde todos os policiais sejam efetivamente autoridades policiais para dar a imediata resposta ao clamor público, tendo todos os servidores os mesmos direitos e garantias. Precisamos abordar questões sensíveis como o fim da prisão disciplinar, um piso salarial nacional para policiais e bombeiros militares, integração dos sistemas de inteligência dos 26 estados e do DF, em ciclo completo de polícia para as duas corporações policiais de cada estado, em melhoria do sistema de saúde da PM, da estrutura dos quartéis, do atendimento ao cidadão, de mais cursos de capacitação, de redução da diferença salarial entre praças e oficiais e entre agentes e delegados, em igualar os salários dos peritos e legistas aos dos delegados. O sistema de defesa civil deve ser constantemente aperfeiçoado e valorizado, com investimentos permanentes de prevenção, maiores investimentos em aquisição de equipamentos dos corpos de bombeiros. É necessária também uma atenção especial para o sistema prisional, que carece de investimentos, além da valorização dos agentes prisionais, transformando sua carreira em carreira policial (PEC 14/2016), liberando policiais civis e militares das atividades de guarda e escolta de presos. A valorização do profissional de segurança com o reconhecimento da expertise adquirida por aqueles que estão na lida diária com as questões de segurança, não esquecendo a capacidade técnica, devidamente alicerçada em regras objetivas, de modo a permitir o fluxo de carreira aquele que melhor estão habilitados/capacitados. Desta forma, as corporações teriam suas gerências sempre ocupadas por aqueles que passaram pelas funções primeiras e conhecem verdadeiramente os processos, tudo isso através de carreira única, com uma porta apenas de entrada, pela base. Na esfera Municipal, precisamos adequar o estatuto geral das guardas municipais à Lei federal 13.022 de 2014, valorizando a importância da segurança nos municípios. O fortalecimento do município na segurança pública é essencial para que prefeitos reforcem seu aparato, a fim de planejar e aplicar políticas voltada a proteção de seus bens, serviços e proteção dos seus munícipes, através de repasses de verbas federais específicas para a área. É preciso entender também que o estado não deve ser tão grande quanto ele é, precisamos diminuir o tamanho do estado, mas sem deixar desassistidos os milhões de brasileiros que sequer possuem acesso à saúde, segurança e educação. Precisamos rever a necessidade do governo possuir, por exemplo, TVs públicas, Bancos Públicos, Empresas públicas, que poderiam ser geridos pela iniciativa privadas, gerando mais empregos para nossa população.

 

(A.L.):  A questão da criminalidade é um tema cada vez mais caro ao eleitor brasileiro e que constantemente levanta provoca diversas ideias e propostas com o intuito de diminuir os índices de casos relacionados à marginalidade. Para o Coronel Rocha, qual caminho o país deve trilhar conseguir enfrentar ente problema de modo efetivo?

(C.R.):  A segurança pública sem investimentos está fadada ao fracasso, como vivemos atualmente, com nossos jovens perdendo as suas vidas para o trafico de drogas, nossos bens sendo vilipendiados, e principalmente, nos fazendo reféns dessa violência desenfreada, presos em nossas residências. Defendo um maior investimento em segurança pública, com recursos carimbados para o fundo nacional já existente, a elaboração de políticas públicas com a participação de todos os segmentos envolvidos (públicos e privados) na proteção da vida. Fortalecimento da segurança de nossas fronteiras (terrestre, marítima e aérea) para evitar a entrada de armas e drogas, afinal o Brasil nem fabrica armas (fuzis e pistolas automáticas) e nem drogas. E educação. Sem investimentos em educação, não teremos perspectiva de futuro para milhões de brasileiros. Isso, sem dúvida, se reflete nos absurdos índices de violência que temos.

 

(A.L.): Recentemente foi divulgado, inclusive, o Atlas da Violência 2018, estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que aponta a liderança de Sergipe no ranking da taxa de homicídios em 2016. Na sua opinião, o que levou o estado a ficar no topo desta estatística negativa?

 

(C.R.):  A ausência total de políticas públicas voltadas para a diminuição da violência, do tráfico de drogas. Por mais que tenhamos policiais dedicados, qualificados e preparados para suas respectivas áreas de atuação, o combate à violência não se faz apenas com polícia, todos os demais órgãos devem estar envolvidos nas políticas (se existissem). Violência não é um problema apenas de polícia, precisamos envolver o judiciário, o legislativa, defensoria pública, OAB, demais segmentos do executivo, a sociedade civil, enfim, a segurança é responsabilidade de todos.

 

(A.L.):  O senhor tem aparecido bem em algumas pesquisas eleitorais para deputado federal. Quais estratégias e medidas acredita ser necessário adotar para continuar aparecendo em boas posições durante a campanha eleitoral e conseguir aparecer entre os eleitos nas votações de outubro? 

(C.R.):  Fico feliz por ser lembrado pelos sergipanos. Mas pesquisa é um retrato de um momento. O fundamental é trabalhar muito, falar a verdade sempre, trilhar um caminho ético e fazer na prática o que propomos: uma política diferente. Quero muito conscientizar a população a não mais votar em políticos envolvidos em corrupção. O sergipano deve estar atento à transferência "hereditária" de mandatos. Existem políticos e empresários com objetivos de lançar filhos para se perpetuarem no poder e gerar uma “renovação” fajuta. A renovação da classe política é uma boa solução, porém não podemos generalizar. Aumentar a participação popular nas decisões e, especialmente, na fiscalização da atividade política é fundamental para o combate a corrupção. Países mais transparentes e com maior participação popular são os que dão menos espaço à corrupção, citamos como exemplo a Finlândia, Suécia, Suíça etc. Eu acredito que o Brasil e Sergipe têm jeito. Então, trabalharemos muito nesse sentido.




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