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11/08/2018 as 16:32

Entrevista do Alô com Márcio Souza, candidato a governador pelo PSOL

Nesta conversa com o Alô, Márcio expõe suas ideias e projetos para o estado, e defende a renovação das forças políticas em Sergipe

Foto: (Divulgação).<?php echo $paginatitulo ?>

Com a proximidade do pleito eleitoral de 7 de outubro, o Portal Alô News dá prosseguimento, a partir deste sábado, à série de entrevistas com os candidato ao governo do estado. O entrevistado dessa semana é Márcio Souza, candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Policial militar, bacharel em ciências econômicas e pós-graduado em Gestão pública pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) Márcio Souza está há 13 anos no PSOL e agora em 2018 irá para seu maior desafio na política: disputar a candidatura de governador do estado.

Em 2016, ele conseguiu já obteve um importante destaque no cenário político local ao conseguir quase dez mil votos na eleição para prefeito de Estância, um dos principais colégios eleitorais sergipanos. Agora, ele aposta no forte descrédito da população com os políticos tradicionais e no desgaste do atual governo para buscar uma vaga no segundo turno e alcançar um feito histórico para seu partido nacionalmente: eleger um governador.

Confia a entrevista com Márcio Souza a seguir:

Portal Alô News - (A.L.):Nas últimas eleições, a professora Sônia Meire sempre teve seu nome escolhido para a disputa pelo cargo do executivo no PSOL, tanto para o governo do estado em 2014, como para a prefeitura de Aracaju em 2016. Dessa vez, no entanto, ela concorrerá ao Senado. Por que o seu nome foi escolhido para a disputa pelo governo esse ano? Como foi tomada essa decisão dentro do partido?

Márcio Souza - (M.S):  A professora Sônia Meire cumpriu um importante papel em 2014 colocando o PSOL num patamar de uma candidatura qualificada e com perfil de esquerda. Estou militando no PSOL há 13 anos e para 2018, e em virtude do período marcado pelo golpe parlamentar, no qual o PSOL fez um com bom combate em toda essa conjuntura nas ruas e na unidade da esquerda contra a agenda do golpe e suas reformas, pretendíamos apresentar uma candidatura que conseguisse aproximar os setores progressistas e pelo bom desempenho obtido em Estância para prefeito, que é o 6º colégio eleitoral colocamos nosso nome à disposição no congresso estadual ocorrido em novembro de 2017, para articular um candidatura de esquerda mas com perfil democrático e popular. Em seguida, foi elaborada pelo partido um processo de prévias internas com dois encontros: um em Aracaju e outro em Estância com toda a militância, e no segundo encontro a professora Sônia Meire anunciou a retirada de seu nome para o Senado, o que unificou o partido em torno do nosso nome, sem precisar fazer a disputa interna. Assim, em 25 de fevereiro deste ano o diretório estadual homologou meu nome como pré-candidato ao governo de Sergipe pelo PSOL.

(A.L.): O senhor, em 2016, foi candidato a prefeito de Estância e obteve um resultado surpreendente ficando em terceiro lugar com 27% dos votos, em uma disputa apertada com dois nomes tradicionais. Quais fatores contribuíram para aquele ótimo desempenho e o que pode ser aproveitado daquela eleição para o pleito deste ano?

(M.S): A conjuntura daquela eleição de Estância, em 2016, foi marcada pelo desgaste da classe política representada, pela polarização, dos grupos de Ivan Leite/Gilson Andrade versus Carlos Magno/PMDB/PT. Desgaste da gestão causado pelo atraso de salários dos servidores públicos e dos professores, que fizeram várias manifestações e por outro lado pelo envolvimento do, à época do deputado Gilson Andrade, que estava arrolado no escândalo da subvenção, o que foi muito explorado. Outro fator foi o envolvimento com nossa campanha da juventude e setores que estavam descontentes com a gestão municipal: servidores públicos, moto-taxistas, feirantes, estudantes universitários, professores, pais de alunos e a necessária renovação politica. Para 2018 temos um cenário com um governo estadual que também não fez o dever de casa, e está praticando sucessivos atrasos e parcelamento de salários dos servidores da ativa e dos aposentados, temos grupo políticos que apoiaram o golpe parlamentar que pavimentou o caminho para o Governo Temer, o mais impopular da história, por retirar direitos e impor retrocesso. Um cenário em que o PT mantém sua aliança com os golpistas PSD e PMDB, e toda essa conjuntura será bem aproveita pela nossa pré-candidatura no campo da esquerda e dos setores progressistas.

(A.L.):  O PSOL, em suas disputas eleitorais no estado, sempre teve a postura política de não se coligar com partidos considerados tradicionais, com forte penetração na máquina administrativa e nas casas parlamentares. Caso sua candidatura se sagre vitoriosa, como pretende governar e se relacionar com o legislativo? Estaria aberto a alianças e negociações com partidos com inclinações diferentes?

(M.S): Primeiro que em Estância em 2016, fizemos um ensaio para ampliar as alianças para além do PCB, buscamos partidos que foram contra o Golpe a exemplo do PCdoB, PDT e Rede, além de dialogarmos com PV e PRP, mas não logramos êxito, pois estes partidos preferiram caminhar com o grupo do ex-deputado Gilson Andrade aliado a Ivan Leite. Numa futura vitória, ela virá em dois turnos, o que nos dá já na noite de 7 de outubro um real panorama da composição das 24 vagas da assembleia legislativa, e se ocorrerá renovação ou não e em que percentual. Outro ponto a se levar em conta é que estamos defendendo a unidade daqueles que lutaram contra o golpe, o que nos dará um perfil de dialogo com os partidos que tiveram essa posição, e o principal é fazer um chamamento à população e aos setores organizados da sociedade civil para um apoio popular para ampliar a governabilidade e estabelecer uma relação republicana com as bancadas eleitas.

(A.L.): Sergipe aparece hoje, na posição de um dos estados mais violentos do país em vários rankings de violência desenvolvidos por instituições especializadas. Na sua opinião a que se deve os altos índices de criminalidade no estado e quais medidas deveriam ser implementadas para modificar esta realidade?

(M.S): O serviço de inteligência precisa ser priorizado na capital e no interior. Ampliar as operações ostensivas de saturação no interior do estado, e a presença do policiamento nas rodovias estaduais, pois elas acabam se concentrando mais nas áreas litorâneas, investir na polícia de proximidade nos bairros periféricos junto com politicas públicas preventivas voltadas para a juventude; e também proporcionar a valorização e melhores condições de trabalho aos policiais. Além disso, é necessário criar a secretaria da juventude para integrar as políticas públicas estaduais necessárias de estímulo e promoção dos direitos da população jovem, valorizar e treinar contínuamente nos direitos humanos, defesa pessoal, armamento e tiro os nossos policiais e ampliar a participação popular nas decisões que envolvam a segurança dos bairros e comunidades, reestruturando a estratégia de participação pública na política de segurança, através do fortalecimento e democratização do Conselho de Segurança Pública e deste modo superando o modelo de "guerra às drogas".

(A.L.): O desemprego é um problema que tem afligido grande parte dos brasileiros, e em Sergipe, esse quadro não é diferente. Quais potencialidades o senhor enxerga em Sergipe para estimular uma forte geração de emprego?

(M.S): Vamos valorizar a agricultura familiar com a criação de coletivos produtivos e comunidades que sustentam a agricultura; e fortalecer incentivos para áreas de trabalho comum em cada região do estado tais como o ecoturismo, a economia solidária, a produção têxtil comunitária, a indústria ecológica e produção artística comunitária de povos tradicionais. Allém disso, também ampliaremos o fomento a pequenos empreendedores através de linha de crédito no Banese.

(A.L.): Em uma perspectiva mais ampla, quais as políticas que serão consideradas prioritárias na gestão estadual do PSOL?

(M.S): Faremos uma retomada do papel do estado no desenvolvimento econômico. Regularizaremos o pagamento dos servidores; na saúde ampliar emos a oferta de especialistas e serviços hospitalares, combateremos a privatização, terceirização e a máfia da politização dos procedimentos; na educação aumentaremos os investimentos e valorização do magistério e dos trabalhadores da educação, revisando o modelo do ensino em tempo integral; e priorizaremos a segurança pública. 

(A.L.): O senhor não acredita que seu nome ficará um pouco esquecido em uma disputa com grandes nomes como Eduardo Amorim, Belivaldo Chagas e Valadares Filho, que tem à sua disposição valores financeiros muito maiores para custear suas campanhas? Não seria mais viável uma candidatura sua a deputado estadual, já que foi tão bem na disputa pela prefeitura de Estância e poderia ter chances razoáveis de se eleger?

(M.S): Tenho acompanhado a politica há mais de 20 anos, e posso afirmar que estamos no fim de um ciclo politico tanto para direita que sempre disputou e ocupou os espaços de poder em Sergipe na figura de João, Valadares e Albano como também para a centro-esquerda que após a redemocratização chegou ao poder em Sergipe através do PT com o saudoso Marcelo Deda e na última eleição de 2014 com Jackson Barreto/ Belivaldo fez um dos piores governo da história de Sergipe, somados a isso, temos o cenário nacional da crise politica, econômica e ética que desaguou no Golpe de 2016. É necessário afirmar que em 2018 a principal disputa não se dará para o governo e sim para o Senado. Lá estará em disputa as principais lideranças do estado nas três variações da mesmice que se apresenta que por sinal estiveram no mesmo palanque em 2010. Acredito na renovação e que o desencantamento com a política fará com que muitos busquem alternativas diferentes das três opções dos grupos tradicionais citados. Disputar eleição sem aporte financeiro é o que sempre fiz, seja nas duas eleições que ajudei a coordenar ainda no PT na campanha de deputado federal de 2002 e de prefeito de 2004 do professor Dudu (hoje presidente da CUT) seja nas eleições que fui candidato a prefeito de Estância pelo PSOL. Essa eleição será decidida no segundo turno e acreditamos que temos ampla chance de ser a opção dos setores descontentes com o governo ineficiente e com a oposição golpista, esses setores podem nos levar ao segundo turno.

(A.L.): Alguns representantes de partidos de esquerda em Sergipe como Sônia Meire e Vera Lúcia, que esse ano concorrerá à presidência da República, já são muito conhecidos pela sociedade sergipana, mas nunca foram eleitas para um cargo político. O senhor se vê pronto para quebrar este histórico negativo?

(M.S): Na última eleição municipal obtivemos em Estância 9.556 votos, praticamente a mesma votação que alcançaram juntas Sônia Meire(PSOL) e Vera Lúcia (PSTU) na disputa em Aracaju, totalizando juntas 10.714 votos. Ressalto que há 4 anos atrás em 2014 , na disputa para o governo sem a presença de uma candidatura do PT para governo o PSOL representado por Sônia Meire obteve 46.346 votos que rejeitaram as grandes candidaturas e que enfrentaram o discurso do 'voto no menos pior' para não deixar que chegasse ao poder de Sergipe a chapa que quebraria o estado. Sou servidor público estadual e sei na pele o que passamos no último período, somando ai os aposentados do estado, além de quê a minha categoria de policiais militares e todos da segurança pública que gradativamente está despertando para o desafio que se avizinha em todo estado, em especial na grande Aracaju. Somado a isso, há a juventude que quer renovação, em 2018 não teremos o voto do “menos pior” no primeiro turno e pelo que se desenha teremos grande índice de votos nulos, brancos e abstenção, e temos mais de nove candidaturas a governador sendo deste 80% pertence a setores conservadores, e não será surpresa ao abrir as urnas ter uma candidatura da esquerda democrática no segundo turno, por isso quebraremos sim esse paradigma, pois o PSOL está bem localizado na disputa politica e representará um projeto que será abraçado pelos setores progressistas e da esquerda que lutaram contra agenda do golpe em 2016/2017. O que precisamos daqui para a frente é de visibilidade.

 




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