EXCLUSIVA

25/08/2018 as 12:28

"Os trabalhadores precisam governar Sergipe", defende Gilvani Santos

Confira a entrevista exclusiva feita pelo Portal Alô News com a candidata do PSTU ao governo de Sergipe

Foto: (Reprodução/Instagram)<?php echo $paginatitulo ?>

 

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) tem em Sergipe,  já alguns anos, uma de suas bases estaduais mais fortes. Representado por políticos conhecidos da sociedade sergipana como Toeta, Leandro e Vera Lúcia, que neste ano, é inclusive candidata a presidente da República, o partido tem amplido o seu núemro de apoiadores e simpatizantes nas últimas eleições e em 2018 mais uma vez lançou candidatura solo a um cargo de destaque na política local e espera de novo surpreender com uma boa atuação de seus representantes no pleito eleitoral.

Com a escolha de Vera Lúcia para as eleições presidenciais, a historiadora baiana Gilvani Santos é o nome da vez para a disputa de governador do estado, mas isso não significa que o discurso e as ideias a serem apresentadas à sociedade sergipana serão diferentes. A defesa radical de um governo liderado pelos trabalhadores, a condenação das práticas capitalistas, a proposição de desapropriar imóveis e terrenos vazios e a luta contra a privatização de empresas estatais e do Banese continuam sendo as bandeiras mais caras ao partido.

Em uma entrevista exclusiva concedida ao Portal Alô News, marcada por declarações fortes como quando diz que considera as eleições "uma farsa" Gilvani Santos fala não só sobre estes temas, mas também sobre outros assuntos que envovem além da população sergipana, todo o Brasil. A necessidade de "uma política nacional de legalização das drogas sob controle do Estado", é um deles.

Confira a entrevista, a seguir:

Portal Alô News - (A.L): O PSTU tem nomes em Sergipe que são razoavelmente conhecidos pela população por já terem lançado candidaturas a postos importantes como ao governo do estado e mesmo à prefeitura de Aracaju, capital sergipana. Em quê as experiências anteriores, podem ser válidas para um resultado positivo do partido na disputa pelo governo de Sergipe, neste ano?

Gilvani Santos - (G.S): A experiência sempre ajuda, e de fato o PSTU tem participado de todas as eleições desde sua fundação aqui em Sergipe. Mas o mais importante é que nossos objetivos seguem os mesmos. Lançamos candidatos que são reconhecidos por suas trajetórias nas lutas em defesa dos interesses dos trabalhadores; denunciamos a farsa que são as eleições, controladas pelo poder econômico e pela grande mídia e apresentamos um programa radical com medidas que visam resolver os problemas mais sentidos de quem vive do trabalho em nosso estado e em nosso país. Participamos das eleições para chamar os operários, a juventude, as trabalhadoras e trabalhadores no campo e na cidade a se rebelar contra o desemprego, a violência, a corrupção e todas as privações que o capitalismo nos impõe.

(A.L): O PSTU é considerado por adversários e mesmo por parte da opinião pública como um partido que não apresenta propostas concretas para a resolução de problemas vividos pela população; é classificado como muito ideológico. A senhora acredita que essa crítica procede? Porque essa imagem ficou tão associada ao partido? 

(G.S): Veja, não há nenhum problema em sermos considerados um partido ideológico. Parte disso tem a ver com o fato de praticamente todos os outros partidos defenderem o mesmo programa e em geral o mesmo método, a corrupção. Como não temos nada a ver isso, e os combatemos abertamente defendo nossas ideias, nos chamam de ideológico. Agora, isso não quer dizer que não tenhamos propostas. Se você olhar o programa dos principais candidatos ao governo são todos iguais: vazios de conteúdo e cheios de promessas. A única coisa que Belivaldo, Amorim, Valadores, Mendonça Prado e todos os partidos da ordem têm de proposta é ajuste fiscal, arrocho nos servidores, corte de gastos nas áreas sociais e isenção de imposto e perdão de dívida para empresas. Não por acaso, eles fingem se enfrentar agora, mas já dividiram palanque e certamente voltarão a dividir. Nosso programa é o único que apresenta propostas concretas para os problemas da população. Primeiro porque apresenta um conjunto de medidas emergenciais para combater os efeitos da crise como o plano de obras públicas para resolver problemas estruturais e gerar emprego; a suspensão e auditoria do pagamento da dívida pública e dos incentivos fiscais; a reabertura das fábricas fechadas, sob controle operário; a desapropriação de imóveis desocupados e sua readequação para moradias populares, entre outras. Segundo porque defendemos um governo direto dos trabalhadores, formado por Conselhos populares, que elejam seus representes para mandatos revogáveis e sem nenhum privilégio, a partir de grandes assembleias nos locais de trabalho, estudo e moradia.

(A.L): No lançamento da sua candidatura, a senhora falou que pretende buscar a reabertura de fábricas que fecharam no estado. Quais medidas políticas vê como necessárias para voltar a gerar empregos em Sergipe, a partir do parque industrial local?

(G.S): Nos últimos anos a participação da indústria no PIB do estado caiu significativamente. Em 2015, caiu a 22% em um estado que já foi o segundo maior produtor de petróleo do país e cuja indústria já correspondeu a 2/3 do PIB, nos anos 80. Desde a década de 90 a política industrial para o Sergipe consiste em privatizações e benefícios fiscais para que empresas se instalem aqui. O Estado deixa de arrecadar quantias que podem chegar à casa dos bilhões anualmente, fornece crédito barato e instalações para que essas empresas paguem baixos salários, degradem o meio ambiente, lucrem como nunca e depois fechem as portas, saíndo sem pagar o que devem aos trabalhadores e ao Estado. Defendemos como medidas para retomar o crescimento da indústria e gerar emprego: manter a Fafen estatal e operando; manter a Deso e o Banese 100% estatais e reestatizar as empresas privatizadas, sob o controle dos trabalhadores. Tomar de volta tudo o que foi roubado do povo e privatizado, como a Energipe, e colocá-las sob o controle dos trabalhadores. É preciso ainda acabar com a farra dos benefícios, isenções fiscais e renegociações para grandes empresas estabelecendo o controle operário sob as empresas beneficiadas por incentivos governamentais e estatizar as empresas sonegadoras.

(A.L): Como falou agora, seu partido se expressa de forma contrária à privatização ou venda de empresas e outras entidades públicas no estado. Como acredita que os movimentos e partidos opostos a essa agenda liberal podem mobilizar a população comum a aderir a esta causa? Não considera que esse tema parece ter muito mais adeptos a favor de pautas privatistas?

(G.S): Uma pesquisa do Datafolha em dezembro do ano passado mostrava que 70% dos brasileiros são contra as privatizações. O nosso povo sabe que a venda das empresas só traz benefícios às grandes empresas estrangeiras e prejuízo para o país e os estados. Os entreguistas argumentam que essas empresas dão prejuízo e que são fonte de corrupção. Nada mais falso. Na verdade o lucro das empresas estatais tem sido desviado para pagamento de juros da chamada dívida pública, que não passa de um arremedo de fraudes que serve para desviar dinheiro público para os bancos. A outra parte dos lucros vai para os acionistas privados, já que boa parte delas não são 100% estatais. Em relação à corrupção, o que a gente percebe é que os grandes corruptos são as grandes empresas privadas, que saqueiam as estatais através de altos executivos ligados aos partidos do sistema. Enquanto isso os trabalhadores são demitidos, perdem direitos e vivem sob a constante ameça de venda das empresas. O PSTU defende que as empresas que hoje são estatais sejam colocadas sob o controle de seus trabalhadores e que aquelas que foram privatizadas sejam reestatizadas. Colocar as estatais a serviço do atendimento das necessidades da população e do desenvolvimento do estado e do país. Além disso, em nosso estado defendemos a estatização de empresas que receberam incentivos fiscais e são devedoras, como a Itaguassu/Nassau que fechou as portas sem pagar seus funcionários e devendo $ 400 milhões ao estado.

(A.L): No programa de governo da sua candidatura, há uma menção sobre uma suposta necessidade, em Sergipe, de “desapropriar os imóveis e terrenos vazios que hoje servem à especulação, e destiná-los à moradia popular, sob o controle dos próprios moradores”. Como vai acontecer esse processo? Ele prevê indenizações aos donos das terras?

(G.S): Segundo estudo publicado esse ano pela Fundação João Pinheiro, há um deficit de 90.173 moradias em nosso Estado. Por outro lado, há mais de 100 mil imóveis vagos em condições de serem ocupados ou em construção, resultado da ocupação urbana voltada ao lucro e não ao atendimento das necessidades dos trabalhadores. Sabemos que há milhares de imóveis e terrenos, especialmente na Grande Aracaju, servindo apenas à especulação imobiliária, estes serão desapropriados sem indenizações.

(A.L): Além da implementação de uma reforma agrária mais contundente, quais ações podem ser aplicadas para favorecer a geração de renda e de qualidade de vida para a população da zona rural sergipana?

(G.S): Hoje o campo brasileiro está na mãos do agronegócio, controlado por um pequeno número de grandes empresas e o capital financeiro internacional. Produz-se para exportação e não para alimentar a população. Em Sergipe, 5% dos proprietários são donos de 62% do território rural. Defendemos a partilha do latifúndio a fim de garantir terra aos camponeses sem-terra, assim como todas as condições de produção e comercialização de seus produtos, apoio técnico e com acesso e liberação de crédito barato e sem burocracia ao pequeno proprietário. Organizar a ocupação territorial e produção no campo pautadas pela soberania alimentar e energética, e pela preservação da saúde e do meio ambiente. Defendemos também a titulação das terras quilombolas sergipanas que já foram reconhecidas.

(A.L): Sergipe é hoje um dos estados mais violentos do pais, de acordo com rankings elaborados por instituições nacionais especializadas no tema da segurança pública. Na sua opinião, como reduzir os altos níveis de criminalidade, homicídios e de tráfico de drogas no estado?

(G.S): Infelizmente, no nosso país, hoje uma vida não vale nada. Mais de sessenta mil pessoas são assinadas por ano, e menos de 10% desses homicídios são investigados. As polícias são treinadas para enxergar negros, pobres e movimentos sociais como inimigos a serem combatidos. Enquanto eles mesmos, cabos e soldados, recebem do oficialato e do governo o que é reservado para essa população: desprezo, retirada de direitos, arrocho salarial, autoritarismo e cedo ou tarde a morte violenta. As cadeias estão cada dia mais cheias, mas os grandes criminosos ocupam mansões, câmaras, palácios de governo e justiça. A política genocida da proibição às drogas ergue de um lado o poder do tráfico e suas facções que recruta nossa juventude alijada de direitos e sem expectativas e do outro um aparato repressor cada vez mais armado e violento. Dos dois lados homens pobres, em sua maioria negros, sendo usados como carne de canhão dos barões das drogas e do poder político. No meio disso, sem nenhum direito à autodefesa, o conjunto da população trabalhadora, principalmente a mais pobre que não pode pagar por condomínios fechados, cercas elétricas ou carros blindados. O problema da violência não se resolve somente no âmbito de Sergipe. É preciso uma política nacional de legalização das drogas sob controle do Estado, assim se acaba com o poder do tráfico. Tirando as drogas da ilegalidade é o primeiro passo para tirar os dependentes químicos da marginalização, lhes oferecendo tratamento adequado. Com o controle estatal dessas substâncias suas receitas devem ser revertidas para áreas como educação e saúde, além de campanhas de esclarecimento e desestímulo ao consumo das substâncias que atualmente são ilegais, mas também de outras já são legalizadas, como o álcool. Para Sergipe como medidas para redução imediata da violência apresentamos nossas medidas de geração de empregos, a implementação da escola em tempo integral com garantia de recursos e condições de trabalho aos professores. Além disso, defendemos a desmilitarização da PM e a formação de uma polícia civil unificada, controlada pela população, com direito à sindicalização, eleição direta e mandatos revogáveis para funções de comando. É preciso dar atenção especial aos casos de violência contra as mulheres. É necessário ampliar o número de delegacias especializadas, garantido seu funcionamento 24Hrs, além de qualificação do pessoal para esses atendimentos. É necessário ainda construir casas abrigos e ter uma política de emprego e renda para mulheres vítimas de violência, para que possam reconstruir suas vidas longe dos agressores. Implementaremos também as mais diversas campanhas de combate à violência contra as mulheres.

(A.L): Para finalizar, nos diga porque a população sergipana deveria escolher Gilvani Santos como a nova governadora do Estado?

(G.S): Estamos todos de saco cheio da situação a que os capitalistas nos submetem. Ninguém aguenta mais o desemprego, a exploração, a violência, a carência total nos serviços de saúde e o rouba-rouba dos políticos. Cada vez mais os trabalhadores acertadamente percebem que as eleições não resolvem nossos problemas. Nossa candidatura é um chamado a se rebelar contra tudo isso e oferece um conjunto de medidas para atacar a raiz do problema. Mais do que isso, chamamos os trabalhadores a assumir com suas próprias mãos, através dos concelhos populares, a direção de nossa sociedade. Escolher o 16 para votar é um voto de protesto, de revolta. Quem vota 16 não está apenas escolhendo Gilvani governadora, mas dizendo: os trabalhadores precisam governar Sergipe.




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