EXCLUSIVA

20/10/2018 as 16:23

Confira a entrevista exclusiva do Alô com o senador eleito Rogério Carvalho

Petista falou sobre diversos assuntos na entrevista exclusiva concedida ao Alô

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No último dia 07 de outubro, o eleitorado sergipano concedeu a Rogério Carvalho, um dos mais importantes quadros dos petismo no estado, a mais importante conquista da sua carreira política. Com 300.247 votos, ele se sagrou vitorioso na disputa eleitoral para o cargo de senador, e a partir de 2019 será um dos dois novos parlamentares a representar Sergipe na Câmara Alta do Congresso Nacional.

A vitória de Rogério pode ser considerada a mais importante de sua carreira porque não só vai lhe levar ao posto mais alto em sua trajetória política até aqui, mas também por ter sido conquistada em uma corrida contra nomes de grande envergadura na política local Jackson Barreto, ex-governador do estado, André Moura, líder do Governo Federal no Congresso e Valadares, senador há 24 anos.

Em uma entrevista exclusiva ao Portal Alô News, ele comenta sobre os fatores que o levaram à vitória, o "desenrolar" da campnha e também das expectativas para o segundo turno presidencial entre o candidato Jair Bolsonaro (PSL) e o petista Fernando Haddad.

Confira a seguir, a conversa do Alô, com o senador eleito:

Portal Alô News (A.N): A eleição para o senado neste ano, em Sergipe, contava com grandes nomes da política local na disputa, como Antônio Carlos Valadares, Jackson Barreto e André Moura, além do senhor; e se mostrou mais acirrada que a de quatro anos atrás, quando o senhor não foi eleito. Mas, ainda assim, o senhor conseguiu se sagrar vitorioso, vencendo caciques, e ficando na segunda posição com mais de 300 mil votos. Em sua opinião, qual foi o diferencial que lhe fez superar as demais candidaturas?

Rogério Carvalho (R.C): Acredito que uma boa comunicação. A capacidade que os nossos programas tiveram de levar a nossa mensagem, a campanha de rua, o contato direto com o eleitor e a resposta da eleição anterior em que as pessoas identificaram uma injustiça muito grande em relação a mim. Nesta eleição, parte do eleitor que votou em mim em 2014, repetiu o voto. Todos esses fatores somados me deu condição de interagir melhor e ter o apoio dos políticos e da sociedade como um todo.

(A.N): Depois de uma derrota tão frustrante quanto a de 2014, e das pesquisas não estarem lhe apontando como um dos favoritos a uma das duas cadeiras, o que lhe motivou a seguir a campanha com o mesmo ímpeto do início até o fim?

(R.C):  O que sentia nas ruas. As manifestações com quem eu interagia. Quando fazíamos uma carreata, que também era uma caminhada, as pessoas me abraçavam e diziam que agora era a minha vez, que acreditavam em mim e que esperavam que eu chegando lá pudesse ajudar a melhorar a vida daquelas pessoas. O que me motivou foi ter essa energia, esse apoio da população. Contou também o apoio das lideranças políticas que acolheram minha candidatura. Esse foi o gás, essa foi a energia fundamental para o sucesso da nossa campanha.

(A.N): O outro candidato ao senado de sua coligação, o ex-governador Jackson Barreto, do MDB, acabou não conseguindo êxito na disputa. Comparando com o eleito Alessandro Vieira (Rede), o senhor acha que foi positivo ou negativo para Sergipe não ter dado a vitória a Jackson?

(R.C): É muito cedo para avaliar isso. Eu não tenho o direito de julgar a vontade da população. Quem vai poder fazer esse julgamento é o povo com o passar do tempo, avaliando os mandatos a quem as pessoas conferiram. O desempenho do exercício do mandato é que vai dar condição para a população fazer essa análise. Qualquer um que faça análises neste momento, estaria sendo no mínimo precipitado e desrespeitoso com a vontade popular.

(A.N): Acha que, no caso do deputado André Moura, que parecia ser o mais bem articulado dos candidatos, a forte associação dele ao Governo Temer, foi fatal para a sua derrota? Ou outros fatores pesaram ainda mais neste caso?

(R.C): Uma eleição, a gente não ganha ou perde por um fator isolado. Acredito que o fato de ele ser o líder de Temer tenha pesado contra ele. Mas uma eleição, a gente nunca ganha ou perde por um fator isolado. Devem ter outras explicações para o insucesso dele nesta eleição. É difícil avaliar quais as outras variáveis. Ele como candidato é quem tem condição de fazer esta análise de forma mais adequada. Qualquer um de fora que fizer isso não será preciso na avaliação.

(A.N): Recentemente foi divulgado um vídeo nas redes sociais, no qual, o ex-candidato a governador de Sergipe, pelo partido de Bolsonaro, Eduardo Cassini, declara apoio às campanhas de Belivaldo Chagas e Fernando Haddad, para o governo e presidência, respectivamente. Esse movimento soou bastante estranho, dado que até pouco tempo atrás, Cassini criticava fortemente o governo do estado e era um dos principais mobilizadores da candidatura de Bolsonaro em Sergipe. Por qual motivo, ocorreu essa mudança tão repentina; qual foi a explicação dada por ele a seu grupo? É verdade que ele se filiará ao PT?

(R.C): Depois que cessarem ou diminuírem as ameaças sofridas, ele vai ter a oportunidade de poder dar explicações mais precisas e adequadas a essa questão. Imagino que ele tenha percebido o quão inadequado é ter um presidente como o Bolsonaro num momento como este no país.

(A.N): A respeito da organização da campanha de Fernando Haddad em Sergipe, qual a faixa percentual de votos que foi colocada como meta para o petista no estado? E por qual motivo, o presidenciável que obteve mais votos em Aracaju, no primeiro turno, foi Bolsonaro, com uma vantagem de 10 pontos de Haddad?

(R.C): Creio que em função de ter uma concentração maior de classe média em Aracaju que tem identidade com o Bolsonaro. Agora a meta é levar a mensagem do nosso candidato para o maior número de pessoas e tentar mostra motivos para se votar em Haddad. Na verdade não estabelecemos meta, estabelecemos o desafio que é ampliar a vantagem que tivemos em Sergipe em relação a Bolsonaro. Aqui em Sergipe, o Bolsonaro perdeu para o Haddad. Em nosso estado, Haddad ganhou no primeiro turno.

(A.N): De acordo com pesquisas de diferentes institutos, a probabilidade de vitória do candidato do PSL, hoje, é muito maior que a do petista, mesmo com vários articulistas e órgãos da imprensa nacional e internacional atentando para um suposto risco que sua vitória pode trazer à conservação da democracia no país. Se isso realmente for verdadeiro, por qual motivo, o PT tem tido tanta dificuldade em articular a tão desejada frente democrática com partidos de centro e de orientação ideológica distinta?

(R.C): Não vejo essa dificuldade. Acho que tem um trabalho exitoso sendo feito. A gente já tem a declaração de apoio de vários partidos. E várias declarações de liberações de outros partidos, o que num cenário como este é muito favorável. O que nós temos certeza é que as pesquisas já não são capazes de apresentar um retrato do momento que a gente vive. Tudo muda com muita velocidade. As pesquisas já não são precisas no que vai acontecer. O cenário da disputa está em aberto e nós, povo brasileiro, temos todas as chances de nos livrarmos de um caminho obscuro que não sabemos onde vai dar.

(A.N): Como senador da República, em um cenário com Bolsonaro presidente, como irá desenvolver a sua relação com o executivo nacional? Há possibilidade de cooperação em determinadas pautas, ou seu mandato será exclusivamente combativo ao governo federal?

(R.C): Meu mandato vai ser em favor do povo de Sergipe e do povo brasileiro. Tudo aquilo que for de encontro aos interesses da maioria eu vou me posicionar contra. Se tiver alguma questão que traga benefício efetivo para a população, discutirei e estarei apoiando se caso for. É assim que deve ser um mandato popular com a responsabilidade de fazer o melhor, preocupado em atender às expectativas de quem me confiou a tarefa de representar o estado de Sergipe no Senado Federal.




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