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03/11/2018 as 18:02

Entrou em atrito com alguém amado por causa de política? Psicóloga dá dicas de como superar o problema

As consequências de discussões políticas mais fervorosas podem ser extremamente prejudiciais a um relacionamento com alguém querido

Foto: (THINKSTOCK).<?php echo $paginatitulo ?>

O período eleitoral de 2018 se encerrou na última semana. Marcado como nunca antes pelo forte nível de confrontação de ideias, entre os eleitores (algo positivo para qualquer democracia) principalmente no âmbito das redes sociais, ele acabou, de modo colateral, gerando também muita animosidade entre pessoas que divergem fortemente sobre assuntos de caráter político e ideológico.

Pior de tudo é que esse clima de ressentimento acabou atingindo círculos onde as pessoas se relacionam de forma íntima ou constante, como no meio familiar, no trabalho, no grupo de amigos ou amigas que se veem no final de semana, e por aí vai. A eleição passou, mas aquele sentimento misto indignação e raiva com a opinião política do outro ainda está muito vivo, e ainda sem previsão para desaparecer.

E é justamente sobre como fazer para reatar os laços com aquela pessoa que antes você tinha uma forte intimidade, que o Portal Alô News conversou com a psicóloga Stephany Elza. Na entrevista a seguir, ela vai dar aconselhamentos e boas dicas para buscar reestabelecer aquela relação que acabou ficando desgastada em virtude de desentendimentos durante as eleições; e vai explicar o porquê de o brasileiro não conseguir separar a política dos seus vínculos afetivos, e assim fragiliza-los por fatores que deveriam ser inofensivos.      

Portal Alô News: (A.N.): Foi encerrado ha poucos dias o período de disputa eleitoral para presidente, que acabou estimulando um ambiente de animosidade muito forte na sociedade brasileira. Isso conseguiu atingir até círculos de amizade e de família. Passadas as eleições, você acha o reestabelecimentos dos laços afetivos se dará de forma automática, ou sera necessária uma iniciativa em busca disso?

Stephany Elza: (S.E.): Percebemos que mesmo após o calendário de eleição ter sido encerrado, as discussões e debates continuam fervorosos, e analisando de forma ampla, pode se dizer que para reatar os laços de afeto, será necessário sim um esforço das partes envolvidas.                        

(A.N.): Quais sentimentos precisam ser deixados de lado para que essa reconciliação se estabeleça?

(S.E.): Os sentimentos mais evidentes nos discursos dos eleitores dentro das mídias sociais são medo, raiva e ódio. Mas o que realmente precisa acontecer para que possa haver uma reaproximação é o reconhecimento de que a outra pessoa tem o direito de ter um posicionamento diferente e que isso deve ser respeitado.

(A.N.): Como saber qual o momento certo para tomar a iniciativa de se reaproximar? Combinar um encontro em algum local poder ser uma idéia interessante? Ou seria mais recomendável uma conversa reservada?

(S.E.): Duas grandes oportunidades se aproximando são o natal e réveillon. Naturalmente, essas festas representam a reconciliação, momento perfeito para demonstrar todo seu amor e carinho por aquela pessoa querida. Uma boa dica é enviar um convite afetuoso para aquela pessoa que você entrou em atrito, demonstrando que sente falta dele(a).

(A.N.): E quando apenas um dos lados quer buscar a reconciliação? Como essa pessoa que está disposta a deixar as antigas desavenças de lado, deve se comportar para convencer o outro?

(S.E.): Cada pessoa tem seu tempo para processar cada sentimento, alguns deixam  que tudo passe mais rápido e outros seguram aquela emoção por um pouco mais de tempo. A partir do momento em que o primeiro passo da reconciliação é dado, e não é correspondido, a melhor opção é esperar o momento que a outra pessoa ira se abrir para reativar os laços. Quando a amizade ou a relação familiar é próxima, isso não costuma demorar a acontecer.

(A.N.): O brasileiro está cada vez mais sentindo gosto em discutir sobre política, e mesmo com o fim das eleições as discussões irão continuar opinando sobre temáticas de caráter político e ideológico, ainda que em um nível menor. Há alguma forma de se fazer isso, sem magoar aquelas pessoas que são próximas de nós, e discordam de nossa opinião?

(S.E.): Existe um campo de estudo que se chama Psicologia das Habilidades Sociais, que estuda justamente a interação interpessoal, a melhor forma que isso deve acontecer e as conseqüências de uma déficit nessas habilidades. Os tipos de discursos encontrados são o ativo, passivo e assertivo, e cada um desses tem seu melhor enquadramento a partir da situação e relação entre as pessoas que estão dentro da “conversa”. Para os debates políticos o melhor tipo de discurso será o assertivo, ele se caracteriza pelo respeito a si, e ao próximo, não desmerecendo nenhum dos pontos de vista.

Um exemplo de discurso Assertivo em um debate político seria:

 - Seu candidato não merece vencer por tais motivos.
 - Muito bons seus argumentos, mas se avaliarmos da maneira X, meu candidato trará mais benéficíos. Sugiro que assistamos juntos tal documentário que trata sobre esse assunto e logo após poderemos debater mais, com maior conhecimento sobre isso.

Dentro dessa fala houveram três pontos chaves, respeito ao outro, contra-argumentação validando o próprio pensamento e ainda a sugestão de promover o maior conhecimento sobre o assunto.

(A.N.): Porque, muitas vezes, um parte considerável das pessoas não consegue colocar a sua opinião sobre um determinado assunto, sem abrir mão de posições agressivase intolerantes com o diferente?

(S.E.): O discurso agressivo acontece quando a pessoa não sabe validar o posicionamento do outro, e como em alguns casos não consegue contra-argumentar de forma eficiente, rebate com ofensas e xingamentos. Isso é uma clara demonstração de falta de habilidades sociais.     

(A.N.): Acha que esse nível de acirramento das discussões está relacionado a uma certa imaturidade da nossa sociedade, em promover debates mais aprofundados e menos apaixonados?

(S.E.): Sim, nossa sociedade está em processo de aprender e respeitar o outro, mas esse progresso caminha a passos lentos, e a melhor forma de contribuir para isso é mostrar ao outro que você merece respeito e por isso também irá respeitá-lo.

(A.N.): Você acredita que tudo isso faça parte de um processo de amadurecimento das relações pessoais, e que em algum tempo, as discussões políticas promovidas pelas pessoas comuns, possam ser baseadas em menos ofensas e maior facilidade para aceitar a opinião diversa?

(S.E.): É uma grande conquista para nossa sociedade, esse maior gosto pela discussão sobre política que vem se destacando nos últimos anos e com certeza isso só nos leva ao progresso já mensurado em nossa bandeira brasileira.




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