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24/11/2018 as 18:50

Alimentação na infância: como educar seu filho a adotar hábitos saudáveis

Na entrevista do Alô desta semana, você vai ficar sabendo da importância de uma educação alimentar saudável desde cedo, e como implelentá-la em casa

Foto: (Divulgação/Hapvida).<?php echo $paginatitulo ?>

Uma boa alimentação é, sem dúvidas, uma das bases fundamentais para o bem-estar e o desenvolvimento adequado de uma pessoa ao longo da vida. Na infância, então, este elemento ganha ainda maior relevância, em virtude do processo de apresentação de diversos sabores às crianças e da edificação dos primeiros hábitos alimentares.

Por causa disso, saber como dar início a esse processo é um dos principais desafios que se impõem aos pais. e estar atento às propriedades presentes em cada alimento, ás necessidades básicas para o crescimento corporal saudável e principalmente aos perigos que certos alimentos representam é uma tarefa que precisa ser encarada com aplicação pelos responsáveis por cuidar dos pequenos. 

Dada a relevância deste assunto, o Portal Alô News entrevistou nesta semana, a nutricionista Mayara Cardoso dos Santos que irá falar dentre outros assuntos, sobre a importância da introdução alimentar, a ingestão de determinados alimentos em diferentes faixas etárias, o peso da presença dos pais na consolidação de uma cultura alimentar saudável e até sobre como driblar as poderosas estratégias de mareting dos produtos de fast food, que em geral encontrm nas crianças, presas fáceis.

Confira a entrevista a seguir:

Portal Alô News - (A.N.): De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma alimentação diária satisfatória para o ser humano compreenderia cinco porções de frutas, hortaliças e legumes. No caso das crianças, qual a importância da adoção deste costume alimentício para o seu desenvolvimento saudável?

Mayara Cardoso - (M.C.): O período de introdução alimentar é o momento em que se inicia a construção dos hábitos alimentares da criança. Trata-se da fase de transição do bebê que antes se alimentava apenas com leite, seja por leite materno ou fórmula infantil, e agora passa a ter inseridos na sua alimentação outros grupos alimentares como os cereais e tubérculos, feijões, carnes e ovos, legumes e verduras e as frutas. Incluir alimentos variados, ricos em vitaminas e minerais é importante tanto para o desenvolvimento físico, e cognitivo dessa fase, mas também para a adoção de uma alimentação saudável que irá se estender a todas das fases da vida.

(A.N.):  Existe alguma diferenciação entre a alimentação recomendada para uma criança na primeira infância, e nas outras fases dos primeiros anos da vida?

(M.C.): Na primeira infância, que compreende a faixa etária de 0 a 6 anos, as crianças estão sendo apresentadas aos mais variados tipos de alimentos, é a fase das descobertas, da construção das preferências alimentares. Nos primeiros 6 meses de vida, recomenda-se o aleitamento materno exclusivo, que supre todas as necessidades nutricionais do bebê. Já na fase dos 6 meses a 1 ano de idade a alimentação da criança passa por um processo de mudanças que vão desde consistências, texturas, temperos até as quantidades e oferta dos alimentos ao longo do dia. Existem alguns alimentos que não são recomendados no primeiro ano de vida da criança como o leite de vaca e iogurte, mel, nozes e castanhas, carnes cruas e malpassadas. Após os 12 meses, a criança já pode consumir os mesmos alimentos que os adultos da família. Cada fase possui recomendações nutricionais diferenciadas, mas todos os alimentos são liberados, priorizando os alimentos in natura (legumes, verduras, frutas, raízes, etc.) ou minimamente processados (arroz, feijão, leite, etc.), e os alimentos chamados de processados para completar as refeições como por exemplo os queijos, pães entre outros, e evitar ao máximo os ultraprocessados como macarrão instantâneo, refrigerantes e achocolatados etc.

(A.N.): Qual o grau de importância da escola na formação da cultura alimentar da criança? Acha que seu papel pode ser mais influente que o desempenhado pelos pais?

(M.C.): A escola pode desempenhar um papel muito importante nessa construção da alimentação da criança, através de trabalhos de educação nutricional voltados para esse público, trazendo para o ambiente escolar atividades lúdicas sobre a importância de comer alimentos saudáveis, de ter um prato colorido, comer à mesa junto com a família, entre outros ensinamentos. Além disso, quando as escolas adotam a política das lancheiras saudáveis, dando preferência aos lanches caseiros, opções mais saudáveis inclusive nas lanchonetes dentro das instituições de ensino, merendas escolares que sigam as recomendações preconizadas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para cada fase escolar, todas essas propostas em conjunto auxiliam nessa construção. No entanto, a formação dos hábitos alimentares da criança, sem dúvidas, vem de casa. Os pais são os maiores exemplos para os filhos, por isso a importância de uma boa alimentação ser inserida para todos os membros da família. Esses ensinamentos de comer alimentos saudáveis, apresentá-los e oferecer alimentos novos para as crianças experimentarem, mostrar exemplos dos alimentos que não são saudáveis, deixar que a criança participe do preparo dos alimentos, se reunir com a família toda à mesa, sem distrações durante as refeições, entre outros aprendizados, são valores adquiridos com pais/cuidadores, com a família.

(A.N.): Alguns pais comentam que conseguem impor uma alimentação baseada em itens saudáveis durante os primeiros anos de vida da criança, mas que quando ela cresce um pouco, passa a ser muito influenciada por propagandas de fast foods e de produtos industrializados. Como ajudar esses pais a reverterem essa situação, que muitas vezes parece perdida?

(M.C.): A publicidade dirigida as crianças é um desafio a ser enfrentado pelos pais. As propagandas de fast foods, que na maioria das vezes vem acompanhada de brindes com personagens de interesse das crianças, assim como grande parte das embalagens dos produtos industrializados voltados para o público infantil, que trazem expostos esses personagens, são exemplos dessa publicidade. Uma dica interessante é o diálogo, explicar para as crianças que o principal objetivo desses comerciais e anúncios de produtos atrativos é a venda, que eles não são tão legais de serem consumidos por crianças. Evitar a exposição a essas propagandas, não utilizando tablets, celulares e televisão durante as refeições, também são boas estratégias, lembrando que o pais/cuidadores também devem praticá-las, visto que o exemplo é sempre mais importante que somente o discurso. Além disso, é importante cobrar dos ambientes escolares que também sejam livres de propaganda de produtos e que essas questões sejam discutidas em sala de aula com as crianças.

(A.N.): Também há uma certa ideia disseminada, de que o investimento em uma alimentação saudável dos filhos acarreta um grande custo financeiro. Isso procede, ou a implementação de uma dieta baseada em frutas, verduras e outros itens como cerais e leite, a um valor financeiro moderado é factível?

(M.C.): Ter uma alimentação saudável não precisa ter um alto custo financeiro, basta fazer escolhas mais acessíveis como, por exemplo, dar preferência à sazonalidade dos alimentos da sua região, o que seria optar pela compra dos alimentos que estejam na sua época de colheita. Estes são bem mais baratos quando comparados a outros que não estejam no seu período sazonal, além de serem também mais saborosos. Comprar de pequenos produtores e feiras livres pode também ser uma opção de melhores preços e alimentos mais frescos. Preparar as refeições em casa, sejam lanches ou marmitas acondicionadas de maneira adequada para levar à escola, pode ser uma medida mais econômica do que realizar as refeições em lanchonetes e restaurantes.

(A.N.): Quais nutrientes são considerados mais importantes para a formação de uma criança forte e saudável, e em quais alimentos eles podem ser encontrados?

(M.C.): A infância é uma fase em que é necessário que se tenha uma composição alimentar variada e colorida: diferentes tipos de verduras, legumes e frutas, ricos em vitaminas, minerais e fibras; os cereais e tubérculos são muito importantes e oferecem energia e proteínas; os feijões e leguminosas fornecem proteínas, ferro, carboidratos e fibras e as carnes e ovos possuem zinco e ferro que são essenciais para o crescimento, e vitamina B12, responsável pelo desenvolvimento neurológico.

(A.N.): E em quais quantidades esses alimentos, devem ser ingeridos?

(M.C.): As quantidades das porções dos grupos alimentares variam de acordo com a faixa etária, além das necessidades individualizadas que cada criança possa apresentar. No geral, o ideal é que seja variada, com o tamanho das porções ajustado de acordo com o grau de aceitação da criança. O consumo de água também deve ser incentivado na infância. Recomenda-se que não seja oferecido nenhum tipo de açúcar, e café nos primeiros 2 anos de idade.

(A.N.): Já quanto aos produtos que acabam carregando uma carga de gordura e de calorias inadequada, quais seriam aqueles que os pais mais deveriam tomar cuidado e deixar distantes das crianças?

(M.C.): Os alimentos chamados de ultraprocessados devem ser evitados ao máximo. São aqueles fabricados a partir de várias etapas de processamento, e possuem um número grande de ingredientes, aditivos e substâncias feitas em laboratórios, além de serem ricos em açúcares, sal e gorduras. Um dos hábitos mais prejudiciais na alimentação infantil da atualidade é o consumo de sucos de caixinhas e refrigerantes, que apresentam muito açúcar, conservantes e corantes, e, em alguns, cafeína também, fazendo mal aos dentes das crianças, além serem viciantes e contribuírem para o aumento de peso. Outro exemplo de um alimento ultraprocessado e bastante consumido pelas crianças é o macarrão instantâneo (conhecido também como “miojo”), que é frito antes de ser embalado, e ainda vem acompanhado de tempero pronto, resultando num alimento rico em gordura, sódio e conservantes. A dica que fica é “descascar mais e desembalar menos”.

(A.N.): Uma alimentação errada durante a infância poderia ser salva por uma mudança de hábito na adolescência ou até em outras etapas da vida de uma pessoa? Ou ainda assim, ela trará consequências indesejadas no futuro?

(M.C.): O ideal é que desde o nascimento, com o incentivo ao aleitamento materno exclusivo, e a partir dos 6 meses, com a introdução alimentar complementar adequada, se adquira hábitos saudáveis que sejam perpetuados ao longo da vida. Porém, quando esse processo não é possível, no momento em que se iniciam mudanças na alimentação, em qualquer etapa, nunca é tarde demais. Toda mudança positiva traz benefícios a saúde e qualidade de vida, e pode começar com alterações simples da rotina, como a retirada de produtos ultraprocessados da alimentação; aumento do consumo de frutas, como opção de lanches e como sobremesa pós almoço, por exemplo; na hora da sede optar pela água e não por sucos e refrigerantes; enfim, a depender das consequências que tenham sido causadas por hábitos alimentares inadequados na infância, modificações na adolescência ou fase adulta talvez não possam sanar completamente consequências já instaladas, mas com certeza trarão grandes benefícios. 

(A.N.): Para finalizar, deixe uma mensagem de aconselhamento aos pais, sobre qual a maneira ideal de estimular seus filhos a seguirem uma cultura alimentar saudável.

(M.C.): Seja exemplo para os seus filhos. Para que a criança tenha uma boa alimentação os pais/cuidadores precisam transmitir aos filhos que se alimentar bem é importante para todos da família. Se você toma diariamente refrigerante na frente do seu filho, não tem como fazer com que ele compreenda que tomar os sucos naturais, preparados da fruta, são melhores opções, por exemplo. A principal mensagem é que a alimentação acima de tudo deve ser um momento de prazer, principalmente em família. Na rotina corrida dos dias atuais não é tarefa fácil reservar um tempo para cuidar da alimentação, preparar as refeições, pensar nos lanches para a escola, mas são cuidados valiosos. Inserir bons hábitos alimentares na vida das crianças além de proporcionar saúde é um ato de amor.




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