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12/01/2019 as 17:43

Síndrome do Pânico: confira entrevista exclusiva com psicóloga sobre o assunto

Síndrome do Pânico possui características peculiares, confira como descobrí-las

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Considera um dos dos tipos de transtorno da ansiedade com maior incidência nos últimos tempos, a síndrome do pânico tem sido cada vez mais, alvo da discussão de profissionais, famílias e mesmo de comentaristas em programas de televisão. 

Para deixar o internauta do Alô News por dentro do assunto, e lhe garantir um adequado conhecimento a respeito de tal, conversamos com a psicóloga clínica e jurídica Dayanne Silva, que nos falou sobre as caracterísitcas desse problema, das formas de tratamento, de como evitar o transtorno e de outros elementos que se referem à doença.

Confira a entrevista a seguir: 

Portal Alô News - (A.N.): Muito se tem comentado nos meios de comunicação, nos últimos anos, sobre Síndrome do Pânico. No entanto, ainda há grandes dúvidas a respeito de suas características. Quais sintomas ela compreende?

Dayanne Silva - (D.S.): A síndrome do pânico ou o Transtorno de Pânico é um dos transtornos da ansiedade. O Transtorno do pânico caracteriza-se por medo exagerado e intenso de que algo ruim aconteça, são apreensões e preocupações recorrentes, inesperadas e persistentes que causam um desconforto grande e atinge um pico em poucos minutos, acompanhados de sintomas físicos (coração acelerado, taquicardia, sudorese, tremores, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náuseas, calafrios e outros) e de sintomas cognitivos (medo de enlouquecer, medo de perder o controle e medo de morrer). Muita gente que já teve crise de pânico acreditou que estava tendo um infarto, porque começou a perceber sinais físicos que são semelhantes à de um infarto, mas que são desencadeados pela ansiedade e não porque a pessoa tem doença cardíaca por exemplo.

(A.N.): Além dos sinais psicológicos, há também manifestações físicas da doença?

(D.S.): Não diria manifestações físicas. Mas sim si,ntomas que são queixas que a pessoa apresenta, e que são geradas pela ansiedade. Num ataque de pânico a pessoa irá sentir o coração batendo mais rápido, ela pode sentir formigamentos, pode sentir-se angustiada, sentir-se que está ficando sem ar, mas não configura como sinais de doença. Inclusive, as pessoas com transtorno de pânico inúmeras vezes procuram médicos como os cardiologistas e fazem vários exames porque têm a percepção que estão doentes. 

Obs.: Sintoma é diferente de sinal. Sintoma é a queixa que a pessoa apresenta sentir. Sinal é o que as pessoas conseguem observar no outro sem que ele diga.

(A.N.): Um estudo norte-americano constatou que mais de 70% dos casos registrados de síndrome do pânico ocorrem em mulheres. Porque acaba se mostrando mais forte a incidência desse problema em mulheres?

(D.S.): Bom, eu não li esse estudo, mas a partir do que conhecemos dos transtornos ansiosos, as mulheres são mais vulneráveis a desenvolver esses tipos de transtornos (ansiosos) porque levam a vida de uma forma mais intensa, são inúmeras cobranças e pressões sociais, cuidar da casa, cuidar dos filhos, trabalhar, estudar, se cuidar, além de lidar com cobranças profissionais, estresse, traumas, questões genéticas e a influência dos hormônios.

(A.N.): A partir de que momento é possível diferenciar esse transtorno de um quadro de ansiedade?

(D.S.): A ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura, a ansiedade é natural e adaptativa para todos os seres humanos. Já os transtornos de ansiedade se diferenciam da ansiedade e do medo natural pelo excesso desproporcional para a situação vivenciada, pela persistência e também pela intensidade. O transtorno do pânico é um dos transtornos da ansiedade, o que diferencia um transtorno ansioso de outro transtorno ansioso é o seu foco ou sua natureza.  Em todos os transtornos da ansiedade existe uma ansiedade desproporcional e desadaptativa. No transtorno de Pânico, você tem um medo irreal, e persistente, que atinge um pico em poucos minutos, é o pânico, um surto abrupto, com sintomas de que você vai passar mal, poderá morrer, de que vai ter uma catástrofe.  E no transtorno Ansioso de fobia social, por exemplo, o foco é a ansiedade para apresentar-se em público, falar ou se expressar e não chega atingir um pico.

(A.N.): Porque o medo de morrer acaba sendo uma das principais manifestações de quem sofre com esse problema? O que as leva a ter esse receio?

(D.S.): Porque o transtorno de pânico tem seu foco no medo de catástrofes de algo muito ruim possa acontecer e a pessoa não ter controle sobre a situação, como o medo de ter doenças que ameaçam à vida e as preocupações com as questões mentais (enlouquecer).O que pode levar a pessoa a ter esse medo é a forma que a pessoa direciona e encara a vida, pessoas que são muito inseguras, ansiosas, negativas e preocupadas, como também ter vivenciado alguma situação estressora e traumática, faz com que elas se tornem mais propensas do que outras a desenvolver um transtorno de ansiedade e do pânico.

(A.N.): Pode existir alguma associação desse problema com um fator genético?

(D.S.): Sim, não podemos afirmar que somente o fator genético é responsável pelo desenvolvimento do transtorno, mas há indícios da influência genética para o desenvolvimento deste, existe uma vulnerabilidade maior para transtorno de pânico entre filhos de pais com transtornos de ansiedade, depressivo e bipolar.

(A.N.): A síndrome do pânico pode levar a outros tipos de transtorno de ordem mental?

(D.S.): Sim, o transtorno de pânico é significativamente comórbido com a depressão, o transtorno do estresse pós-traumático, agorafobia e outros.

(A.N.): A pessoa com este problema deve procurar auxílio já a partir das primeiras crises, ou é possível uma recuperação a partir da própria autoconsciência?

(D.S.): É imprescindível para o tratamento do transtorno de pânico e para a diminuição das crises de pânico que a pessoa procure ajuda profissional especializada o quanto antes. Se ela conseguir identificar na sua primeira crise que esses sintomas e sinais podem ser de ordem psicológica e não de ordem física, digo doença, é o mais aconselhado a se fazer, ir ao Psicólogo. Dificilmente alguém que sofre do transtorno de pânico irá melhorar sem ajuda profissional. 

(A.N.): Explique como se desenvolve o tratamento de quem sofre com esse transtorno. Quais profissionais devem estar envolvidos na recuperação do paciente?

(D.S.): Então, o tratamento é basicamente com profissionais da saúde mental, Psicólogo e Psiquiatra.  O psicólogo irá trabalhar com a psicoterapia, encontros semanais, aplicando inventários, e escalas, fazendo a psicoeducação, a descastratofização, a felixibilidade cognitiva e outras técnicas. E o Psiquiatra entrará com intervenção medicamentosa.  

(A.N.): Queria que a senhora nos dissesse quais práticas podem nos distanciar da possibilidade de adquirir este tipo de problema.

(D.S.): Bom, o que pode nos ajudar a não adoecer psicologicamente falando, seria encarar  a vida de forma mais tranquila, quero dizer, sem exageros nas cobranças e pressões do dia a dia, praticar atividade física regularmente, ter boa qualidade de sono e de alimentação, além de ter momentos de lazer, e quando se perceber com dificuldade para superar um problema, buscar ajuda de um profissional especializado.

 

Dayanne Silva é psicóloga clínica e jurídica, de CRP 19/IS081

 




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