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16/02/2019 as 14:39

Disfunção erétil: confira no que consiste o problema e as formas de tratamento

Urologista cita quais grupos estão mais suscetíveis a sofrer com a impotência sexual, quais as causas e os principais métodos de tratamento

Foto: (Divulgação/Hapvida).<?php echo $paginatitulo ?>

A disfunção erétil, também chamada de impotência sexual, é um dos problemas que mais amedrontam o imaginário popular do homem. Caracterizada pela dificuldade de manter a ereção peniana, em ao menos metade das relações sexuais, ela acontece em função do desequilíbrio entre a contração e o relaxamento da musculatura lisa do corpo cavernoso do pênis, o que impede a ereção do órgão sexual masculino.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 50% dos homens com mais de 40 anos no país se sente (ou já se sentiu) incomodado com o o potencial de ereção do seu pênis, mas, será que realmente todo este quantitativo de pessoas sofre com esse problema?

Para falar sobre o assunto, e tirar dúvidas sobre os principais questionamentos a respeito do assunto, o Alô News conversou esta semana com o urologista André Yoicci. Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, da Confederação Americana de Urologia e da Associação Europeia de Urologia, ele vai nos explicar quando é feito um diagnóstico de disfunção sexual, quais as suas causas, e como são aplicados os tratamentos para a resolução desse problema.

Confira agora, a entrevisa exclusiva da semana do Alô News:

Portal Alô News - (A.N): Primeiro, como diferenciar uma simples oscilação na ereção do pênis, que ocorre com diversos homens ao longo da relação sexual, com o problema da disfunção erétil? Quando procurar ajuda?

Dr. André Yoichi - (A.Y): O diagnóstico de disfunção erétil é dado quando ocorre uma incapacidade recorrente e persistente de ter e manter uma ereção peniana para um ato sexual satisfatório. Dificuldades e falhas eventuais podem acontecer com qualquer homem e em qualquer fase da vida, porém quando se torna repetitivo é recomendado que procure ajuda e orientação médica.

(A.N): Existem fatores de risco que induzem a uma maior tendência para a aquisição da disfunção erétil?

(A.Y): A disfunção erétil pode ser causada por diversos fatores, entre elas estão as doenças vasculares, o consumo de álcool e tabaco. Portanto aqueles que possuem o diagnóstico de doenças como hipertensão e diabetes e não fazem o tratamento adequado, obesos, sedentários, etilistas e tabagistas estão sob um risco maior de desenvolver a disfunção erétil de forma precoce.

(A.N): A disfunção erétil pode ter causas de diversas origens, que vão de traumas psicológicos até problemas cardiovasculares. É em todo cenário que o profissional de urologia deve ser requisitado? Quais os outros especialistas que podem trabalhar em parceria com ele?

(A.Y): Entre as causas de disfunção erétil podemos citar: distúrbios psicológicos; doenças hormonais, neurológicas e vasculares; efeito colateral de medicamentos e procedimentos cirúrgicos; sequela de acidentes com trauma craniano ou de medula; abuso de drogas como álcool e tabaco, além do próprio processo de envelhecimento. Paralelo ao diagnóstico de disfunção erétil o urologista procura investigar as possíveis causas da doença para definir o tratamento, em muitas situações a abordagem multidisciplinar contribuirá para um maior sucesso no tratamento, podemos citar como exemplo o acompanhamento em conjunto com psicólogos para sessões de terapia psicossexual, educadores físicos e nutricionistas para mudança de hábito de vida, cardiologistas para tratamento da hipertensão arterial, entre outros profissionais.

(A.N): O problema da impotência sexual está muito associado a homens mais velhos, geralmente com mais de 40 anos. No entanto, existem cenários em que jovens também podem sofrer com isso?

(A.Y): Este é um problema comum com o processo de envelhecimento do corpo, estima-se que metade dos homens com mais de 40 anos tenham algum grau de disfunção erétil, porém pode afetar os mais jovens, neste grupo são mais frequentes a associação com doenças ou traumas psicológicos.

(A.N): Pessoas que possuem um histórico de problemas uretrais ou no sistema reprodutor (infertilidade, por exemplo), podem ser mais suscetíveis a adquirir a disfunção erétil?

(A.Y): Apesar de serem doenças que afetam os órgãos genitais na maioria das vezes não existe esta correlação, os problemas uretrais estão relacionados em sua maioria a doenças sexualmente transmissíveis, já a infertilidade que também possui diversos fatores pode apresentar em algumas situações uma associação com disfunção erétil, um exemplo a ser citado é em casos de distúrbios hormonais que levam tanto a infertilidade quanto a impotência sexual.

(A.N): Se existem fatores que contribuem para alguém contrair o problema, é certo dizer também, que há formas de prevenção desse problema?

(A.Y): Muitas situações que aumentam o risco de disfunção erétil podem ser corrigidos ou prevenidos ao longo da vida, praticar exercícios físicos regulamente, hábitos alimentares saudáveis, manter um peso adequado, tratar e controlar adequadamente doenças crônicas como hipertensão e diabetes, reduzir o consumo de álcool e evitar o tabagismo são medidas que podem ajudar a prevenir ou retardar o surgimento da impotência sexual.

(A.N): Muitas pessoas confundem impotência sexual com a ejaculação precoce. Existe de alguma forma, uma associação entre esses dois problemas?

(A.Y): Estes dois problemas podem ocorrer de forma isolada ou infelizmente afetar o desempenho sexual de uma mesma pessoa, quando já existe um quadro de disfunção erétil pode haver uma insegurança e ansiedade pelo medo de perder a ereção durante o ato sexual e isso pode levar à ejaculação precoce.

(A.N): Quais as formas de tratamento a que mais são submetidos os pacientes com disfunção erétil?

(A.Y): O tratamento depende da causa que levou a disfunção erétil e por isso existe uma grande opção de tratamento que será indicado e adequado a cada situação, desde psicoterapia, reposição hormonal, medicações de uso oral, medicamentos injetáveis até cirurgias.

(A.N): O uso de próteses penianas ou a aplicação de injeções no pênis são recomendados em quais cenários? Esses métodos podem trazer efeitos colaterais?

(A.Y): Por se tratar de métodos considerados invasivos são geralmente reservados para situações em que outras medidas anteriores não foram capazes de solucionar a disfunção erétil, normalmente em quadros mais avançados. Porém, o paciente deve ser orientado sobre possíveis complicações de cada método como infecções em local de aplicação do medicamento ou apos a colocação de prótese, rejeição a prótese, entre outros.

(A.N): Qual a mensagem que o senhor deixa para quem sofre com esse problema, e tem receio ou timidez para tratar desse assunto com um profissional especializado?

(A.Y): A prevenção deste problema deve começar deste cedo com medidas que trazem melhor qualidade de vida como um todo. Infelizmente, durante o processo de envelhecimento algumas pessoas serão acometidas pela disfunção erétil afetando seu desempenho sexual e consequentemente prejudicando a sua autoestima. Visite seu médico regularmente e cuide com dedicação do seu maior bem, a saúde.

 




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