CURIOSIDADES

18/04/2018 as 11:48

Brasil despeja quase 6 mil piscinas olímpicas de esgoto na natureza

Os investimentos em saneamento no Brasil caíram nos últimos seis anos

Foto: (Wikipédia).<?php echo $paginatitulo ?>

Cinco bilhões e 200 milhões de metros cúbicos, ou 5733 piscinas olímpicas. Esse é o volume de esgoto diariamente despejado sem tratamento em solo brasileiro. O país trata apenas 45% de todo o esgoto gerado - é o indicador mais atrasado e distante da universalização.

Os dados estão no novo Ranking do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, que avalia a distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto nas cem maiores cidades brasileiras. O presidente da entidade, Édison Carlos, explica que parte da inércia está na falta de investimentos. O levantamento mostra que, de 2011 a 2016, últimos seis anos, os recursos direcionados ao saneamento caíram de forma significativa.

"A gente vinha num patamar entre 12 e 13 bilhões nos últimos anos - em 2014 a gente chegou no máximo, que foi 14,5 bilhões. Mas a gente voltou a cair em 2016 para 11,5 bilhões. Então, em vez de acelerar em busca da universalização do saneamento básico, houve uma regressão da velocidade. O Brasil tem compromissos internacionais com as Nações Unidas de levar água e esgoto a todo brasileiro até 2030. E nessa velocidade, com esse grau de investimento, é certo que nós não cumpriremos mais um compromisso internacional", explica Édison Carlos.

O ranking traz os indicadores das melhores e das piores cidades brasileiras. No quesito tratamento de esgoto, estão entre as dez piores duas capitais: Belém, no Pará, e Porto Velho, em Rondônia. Já entre as exemplares, apenas Salvador, na Bahia.

No geral, Franca, cidade do interior de São Paulo com 350 mil habitantes, ficou em primeiro lugar pelo quinto ano consecutivo. Em último ficou justamente Porto Velho. Entre as principais capitais, apenas Curitiba aparece entre as primeiras, na 17ª colocação.

O conselheiro do Conama e presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuhy, destaca a importância do saneamento:

"A falta de saneamento implica numa situação de insalubridade, na medida em que você tem poluentes, em que as águas estão poluídas, e isso provoca doenças de veiculação hídrica como diarreia, que atingem principalmente crianças em países em desenvolvimento. E por outro lado você acaba tendo uma série de contaminações que são cumulativas. É o efeito bioacumulativo, por exemplo, dos fármacos e outros poluentes que se encontram na água e acabam comprometendo a vida e a saúde das pessoas".

O Ranking do Saneamento revela ainda o abismo entre as 20 melhores e as 20 piores cidades. Enquanto as últimas colocadas fazem um investimento médio anual por habitante de apenas 29 reais, as primeiras aportam 84 reais, quase três vezes mais.

"As cidades que estão melhor colocadas são as que mais progridem. E as piores colocadas, que deveriam correr atrás do prejuízo, avançam muito pouco. Então nós estamos criando dois países diferentes, um que caminha para resolver o problema e outro totalmente parado, com indicadores do século XIX", avalia Édison Carlos.

Ainda de acordo com o levantamento, disponível no site do Instituto Trata Brasil, dos R$ 11,5 bilhões investidos em saneamento em 2016, mais de R$ 4 bilhões vieram apenas do estado de São Paulo.


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Com informações de CBN.




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