MUNDO

12/06/2018 as 15:07

Após cúpula com Kim, Trump anuncia suspensão de exercícios militares com Coreia do Sul

Anúncio foi feito por americano logo depois da assinatura de declaração conjunta na qual Washington dá garantias de segurança e Pyongyang promete desnuclearização

Foto: (Kevin Lim/Reuters).<?php echo $paginatitulo ?>

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira que ordenará a suspensão dos exercícios militares dos Estados Unidos na Península Coreana, e que espera que o ditador Kim Jong-un caminhe "muito rapidamente" para desmantelar o arsenal nuclear da Coreia do Norte, como prometido na declaração conjunta assinada pouco antes pelos dois dirigentes.

Para analistas, a suspensão dos exercícios é uma grande concessão americana, embora Trump tenha afirmado que os Estados Unidos não "cederam nada" por enquanto. Os EUA mantêm tropas na Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia, que sedimentou a divisão da península, em 1953. Atualmente, são cerca de 28 mil soldados, e a realização de exercícios conjuntos com as forças sul-coreanas tem sido historicamente acompanhada de protestos norte-coreanos.

Em entrevista coletiva ao fim da primeira cúpula entre um presidente americano e um dirigente norte-coreano, Trump disse que as sanções econômicas contra a Coreia do Norte continuarão em vigor por enquanto. Ao anunciar a suspensão do que chamou de "jogos de guerra", Trump disse que eles são muito caros e "provocativos". Ele não especificou quando exatamente ocorrerá a suspensão.

O anúncio surpreendeu os sul-coreanos e as próprias tropas americanas na Coreia do Sul. Ao comentá-lo, um porta-voz do governo de Seul disse que "neste momento, o sentido e a intenção das declarações do presidente Trump requerem esclarecimentos". Acrescentou que o país está disposto a "explorar várias medidas para ajudar as conversas a avançar".

Um porta-voz das forças militares americanas na Coreia do Sul disse não ter recebido nenhuma instrução para cessar as atividades militares conjuntas:

— As Forças dos Estados Unidos na Coreia não receberam nenhuma orientação sobre a execução ou suspensão dos exercícios de treinamento — incluindo o Guardião da Liberdade, marcado para este outono — disse a porta-voz Jennifer Lovett. — Em coordenação com nossos parceiros da República da Coreia, vamos continuar com a atual postura militar, até recebermos instruções atualizadas do Departamento de Defesa e/ou do Comando Indo-Pacífico.

Um funcionário sul-coreano disse, em off, que inicialmente achou que Trump tivesse se enganado: "Fiquei chocado quando eles chamou os exercícios de 'provocativos', uma palavra que dificilmente seria usada por um presidente americano".

PROMESSAS DO COMUNICADO CONJUNTO

No comunicado conjunto assinado com Kim, Trump se comprometeu a dar "garantias de segurança" à Coreia do Norte, enquanto Kim "reafirmou seu compromisso firme e inabalável com a desnuclearização completa da Península Coreana".

— Tivemos um encontro histórico e decidimos deixar o passado para trás — disse Kim na assinatura da declaração conjunta — O mundo verá uma grande mudança.

— Vamos cuidar de um problema muito grande e muito perigoso para o mundo — afirmou Trump.


Não foram dados detalhes sobre o cronograma das negociações abertas pelos dois líderes. Do lado americano, elas serão conduzidas pelo secretário de Estado, Mike Pompeo. Trump disse na entrevista coletiva que já haverá um novo encontro entre os negociadores na próxima semana.

Na declaração conjunta, Trump e Kim também prometeram "unir esforços para construir um regime de paz duradouro e estável" na Península Coreana, numa referência a um possível acordo de paz para pôr fim formalmente à Guerra da Coreia, que foi encerrada com uma trégua.


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Com informações de O Globo e agências internacionais. 

 




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