MUNDO

22/10/2018 as 14:23

Premiê britânica tenta abafar rebelião sobre sua estratégia para o Brexit

Theresa May está cada vez mais ameaçada por causa das indefinições sobre a saída da União Europeia

Foto: ( AFP).<?php echo $paginatitulo ?>

 

A primeira-ministra britânica, Theresa May, tentava nesta segunda-feira reprimir a rebelião em seu partido conservador em relação à estratégia para o Brexit, garantindo que um acordo com a União Europeia esteja quase finalizado, ao mesmo tempo em que rejeita a proposta europeia sobre a fronteira com a Irlanda.

Faltando cinco meses do divórcio, a chefe de governo assegurou no tabloide "The Sun" que atua "no interesse nacional", ao passo que é atacada por todos os lados por sua incapacidade de tirar do impasse as negociações após o fracasso da cúpula europeia de outubro, aumentando os receios de uma saída sem paraquedas.

Insatisfeitos, os deputados da maioria conservadora se prepararam para contestar sua liderança, segundo a imprensa britânica.

"As negociações sobre o Brexit não são sobre mim ou meu destino pessoal, é sobre o interesse nacional, e isso envolve fazer as escolhas certas, não as mais fáceis", disse May no "The Sun".

Nesta segunda-feira à tarde, aos deputados, May deve garantir que o acordo para selar a retirada do Reino Unido está "95%" concluído, de acordo com trechos de sua intervenção comunicada por seus serviços.

Impasse irlandês

Mas a conclusão de tal acordo com Bruxelas continua a tropeçar no destino da fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e da República da Irlanda (membro da UE) após o Brexit, programado para 29 de março 2019.

Ambas as partes querem evitar o restabelecimento de uma fronteira física, a fim de preservar os acordos de paz de 1998 na Irlanda do Norte, mas não conseguem chegar a um acordo para isso.

"Fui muito clara sobre o fato que devemos alcançar isso sem criar uma fronteira rígida de qualquer tipo entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido", disse Theresa May no domingo.

A UE propõe manter a Irlanda do Norte na união aduaneira e no mercado único, caso nenhuma outra solução seja encontrada - inaceitável para May, que a vê como um fio condutor da "integridade do Reino Unido".

Ela propõe que todo o Reino Unido permaneça alinhado com as regras aduaneiras da UE até à assinatura de um acordo de comércio livre mais amplo.

Isto rendeu-lhe a ira dos Brexiters, que defendem uma ruptura clara e rápida com a UE, que temem que este alinhamento se torne permanente e impeça o Reino Unido de concluir acordos comerciais com países terceiros depois do Brexit.

"As últimas fases das discussões serão as mais difíceis", previu May.

Voto de confiança

A pressão subiu quando Theresa May não descartou a possibilidade de uma extensão de "alguns meses" do período de transição pós-Brexit. A previsão atual é que dure até o final de 2020. Neste período, o seu país permaneceria alinhado com as regras da UE, mas não participaria no processo de decisão.

Segundo a imprensa, a ameaça de um voto de confiança paira. A líder é convidada a se explicar na quarta-feira à tarde diante do Comitê de 1922, responsável pela organização interna dos Conservadores e pelo desencadeamento de tal votação.

O pequeno partido DUP da Irlanda do Norte, essencial para a sua maioria absoluta, ameaçou retirar o seu apoio na votação do orçamento de 29 de outubro se a Irlanda do Norte não tiver o mesmo destino que o resto do país.

E cerca de 41 deputados conservadores poderiam apoiar uma emenda nesta semana para evitar as barreiras entre a Irlanda do Norte e o resto do país sem a aprovação da assembleia regional.

Do lado dos anti-Brexit, cerca de 700 mil pessoas se manifestaram no sábado em Londres para exigir um referendo sobre o acordo final.


 

 

 

Com infromações de France Presse.




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