MUNDO

10/09/2019 as 08:59

ONU faz novas denúncias de execuções extrajudiciais e torturas na Venezuela

Michelle Bachelet diz que a ONU identificou 57 novos casos de supostas execuções cometidas.

Portal G1/SE
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A alta comissária das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou na segunda-feira (9) novos casos de possíveis execuções extrajudiciais, assim como "torturas e maus-tratos" de detentos na Venezuela.

 

  • Nicolás Maduro disse que vai 'levar a sério' recomendações de Michelle Bachelet para crise na Venezuela

 

Em um discurso na 42ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Bachelet apresentou um novo relatório muito duro sobre a situação na Venezuela sob o governo do presidente Nicolás Maduro.

 

"Meu escritório continuou documentando casos de possíveis execuções extrajudiciais cometidas por membros das Forças de Ação Especiais da Polícia Nacional - conhecidas como Faes - em alguns bairros do país", afirmou.

 

"Apenas no mês de julho, a organização não governamental 'Monitor de Vítimas' identificou 57 novos casos de supostas execuções cometidas por membros da Faes em Caracas", disse a ex-presidente chilena.

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, cumprimenta Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela — Foto: Ariana Cubillos/AP PhotoMichelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, cumprimenta Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela — Foto: Ariana Cubillos/AP Photo 

Bachelet indicou ainda que o Alto Comissariado documentou casos de "tortura e maus-tratos, tanto físicos como psicológicos, de pessoas arbitrariamente privadas de sua liberdade, em particular de militares".

 

Em contraposição a estas denúncias, Bachelet disse que o governo de Maduro cumpriu "a libertação" de "83 pessoas", incluindo "aquelas cuja detenção havia sido considerada arbitrária pelo Grupo de Trabalho de Detenção Arbitrária".

 

Desqualificação

 

O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, desqualificou horas depois este novo relatório de Bachelet, e a acusou de "crueldade" contra a Venezuela.

Juan Guaidó e Michelle Bachelet se reuniram em Caracas, durante visita diplomática da alta comissária da ONU à Venezuela — Foto: Leo Alvarez / Assessoria de Juan Guaidó / AFPJuan Guaidó e Michelle Bachelet se reuniram em Caracas, durante visita diplomática da alta comissária da ONU à Venezuela — Foto: Leo Alvarez / Assessoria de Juan Guaidó / AFP 

 

"O que disser a senhora Bachelet não vai impedir o nosso sonho. Não vamos nos deixar chantagear por nada", declarou Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

 

Cabello rejeitou a "crueldade" da representante da ONU contra seu país e criticou "sua visita direcionada à Venezuela, Cuba e Nicarágua", enquanto "nada vê" de violações dos direitos humanos em países como Colômbia e Chile.

 

Um primeiro relatório foi apresentado em 5 de julho, no qual Bachelet havia denunciado a "erosão do Estado de direito" na Venezuela, advertindo também que as sanções internacionais agravavam a crise no país.

"A situação dos direitos humanos continua afetando milhões de pessoas na Venezuela e com claros impactos desestabilizadores na região", reiterou na segunda-feira (9), antes de destacar que a economia "atravessa o que poderia ser o episódio hiperinflacionário mais agudo que a América Latina já experimentou".

Bachelet criticou, por outro lado, "ações recentes" com o objetivo de aprovar uma lei que "tipifica como crime as atividades das organizações nacionais de direitos humanos que recebem recursos do exterior".

"Essa lei, se aprovada e aplicada, reduzirá ainda mais o espaço democrático", advertiu a representante da ONU.

 

Ela também insistiu que as sanções do governo do presidente americano Donald Trump contra o governo de Maduro contribuem para "agravar a situação humanitária" do país.

 

A Venezuela vive a pior crise em sua história recente, refletida em hiperinflação, a queda em sua crucial produção de petróleo e a fuga de 3,6 milhões de pessoas desde o início de 2016.

 




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