MUNDO

25/09/2019 as 16:47

Câmara abre processo de impeachment contra Donald Trump

O republicano será investigado devido a uma ligação telefônica, em julho, no qual ele teria pressionado o presidente da Ucrânia a investigar o filho de um de seus principais adversários, o democrata Joe Biden

Reuters<?php echo $paginatitulo ?>

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, anunciou na terça-feira (24) a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump.

O republicano será investigado devido a uma ligação telefônica, em julho, no qual ele teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, a investigar o filho de um de seus principais adversários, o democrata Joe Biden.

Hunter, filho do pré-candidato à Presidência e possível rival na corrida em 2020, é integrante do conselho de uma empresa de gás ucraniana.

"Isto é uma quebra da Constituição americana", afirmou Pelosi ao anunciar a abertura do processo. "O presidente precisa ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei", disse ela após um encontro com a bancada democrata, que tem maioria na Câmara.

Uma semana antes do telefonema, o presidente americano havia congelado uma ajuda de cerca de US$ 400 milhões para a Ucrânia. A oposição afirma que o republicano usou a verba para pressionar Zelenski a investigar o filho de Biden, o que a Casa Branca nega. Em 11 de setembro, portanto após a conversa, a verba foi descongelada.

Muitos democratas já vinham sugerindo, em público e em particular, que as evidências recentes indicavam a pressão de Trump sobre o governo ucraniano, e acusavam a tentativa do governo de obstruir o acesso do Congresso a mais informações do caso.

Um agente de inteligência que ouviu a conversa de Trump com o líder ucraniano -um procedimento padrão nos Estados Unidos- alertou as autoridades de que o presidente teria colocado em perigo a segurança nacional.

O Congresso foi automaticamente avisado do problema, mas não recebeu detalhes. Com isso, os deputados fizeram duas requisições ao governo: que liberasse a transcrição das conversas do presidente com Zelenski -o Senado fez um pedido semelhante– e permitisse que o agente que ouviu a ligação testemunhasse sobre o caso.

Trump disse que permitirá a divulgação da transcrição e nega ter cometido algum erro. Logo após a fala de Pelosi, voltou a afirmar no Twitter que é alvo de uma "caça às bruxas" e que os democratas promovem uma "perseguição presidencial". Já o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, afirmou que o agente concordou em testemunhar.

Para viabilizar a investigação, o presidente americano teria pedido que o ucraniano trabalhasse com seu advogado pessoal, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani.

Giuliani se encontrou nesta terça com o presidente Jair Bolsonaro após o discurso do brasileiro na Assembleia Geral da ONU. Depois de deixar a reunião, comentou o caso e atacou os democratas."Tudo o que estão fazendo é torná-lo [Trump] mais popular. E o que eles estão fazendo é destruir a si próprios", afirmou.

Questionado sobre a abertura do processo de impeachment contra Trump, Bolsonaro, ao sair do hotel em que está hospedado em Nova York, disse que o americano "vai ser reeleito no ano que vem".

Apesar de diversas alas democratas defenderem a abertura do processo, Pelosi se recusava a dar início à medida. Até então, afirmava que um processo poderia aumentar a polarização e influenciar as eleições de novembro de 2020.

 



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