POLÍTICA

08/10/2018 as 14:33

Redes sociais decidem Senado e “estrutura” fez a diferença em Sergipe!

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Política
Por Habacuque Villacorte
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Este colunista inicia seu comentário fazendo uma autocritica: assim como boa parte dos sergipanos, a coluna acreditou e acompanhou os resultados das pesquisas de intenção de votos, devidamente registradas na Justiça Eleitoral, e que ao longo de toda campanha apresentaram uma realidade completamente diferente do que foi o resultado final do 1º turno da eleição estadual. O segundo turno entre Belivaldo Chagas (PSD) e Valadares Filho (PSB) se confirmou, mas com uma diferença muito aquém do que vinha sendo divulgado. A coisa fica ainda mais “surreal” quanto à eleição para o Senado da República, que elegeu Alessandro Vieira (REDE) e Rogério Carvalho (PT).

 

O último comentário feito por este colunista trazia um cenário consolidado com Antônio Carlos Valadares (PSB) e André Moura (PSC). Os Institutos IBOPE, DATAFORM e IFP apontavam isso. Até o muito questionado Instituto DATAPLAN também mostrou um cenário de empate técnico entre Belivaldo e Valadares Filho, em uma disputa bastante acirrada e com mínima vantagem para o atual governador. Em síntese, o resultado das urnas despertou um grande descrédito da população com os institutos de pesquisa e provou que as pessoas não se deixaram influenciar pelos números previamente divulgados.  

 

Ao fazer uma leitura rápida do cenário político, para este colunista, diferente do que muita gente tem especulado, a vitória massacrante do delegado Alessandro Vieira tem explicação sim e não se deve apenas ao fato dele ser “ficha limpa” ou de promover a “nova política” na eleição: se ele foi o “segundo voto” de muita gente isso se deve ao excelente trabalho que conseguiu desenvolver nas redes sociais. Com investimento reduzido, baixo custo de uma campanha propositiva, ele conseguiu reverter o mínimo tempo de rádio e televisão e fez a diferença nas redes, sendo efetivo com as ferramentas de propagação, chegando a ser conhecido e votado em todo Estado.

 

O mesmo se deve a Rogério Carvalho: seu marketing foi perfeito em boa parte da campanha, porque apesar de “copiar” a ideia alheia, conforme foi dito por aí, este colunista entende que o “candidato de Lula” fez a diferença em Sergipe, além de que geralmente o “engraçado” é popular, entra nas casas e fica na mente das pessoas. Sem contar que Rogério talvez tenha sido o mais eficiente nas redes sociais, revertendo uma rejeição que lhe acompanhava desde suas gestões na Saúde de Aracaju e do Estado. Explorou bem seu afastamento de Jackson e não se preocupou com o “segundo voto”. Foi as atenções em seu projeto e ponto final.

 

No Executivo nem o governador Belivaldo Chagas certamente espertava abrir tanta vantagem no 1º turno. Avaliando seu resultado, há algo muito claro: os dois principais grupos da oposição foram divididos e fragmentaram os votos. O governo, mesmo desgastado, concentrou sua estrutura e conquistou novos apoios. Nas eleições proporcionais não há como negar que ganhou quem tinha mais condições financeiras e/ou quem já exerce um mandato parlamentar. Isso pesou, inclusive, para a renovação. O peso político de alguns nomes no interior também foi decisivo.

 

Outro detalhe: as “chapinhas” trouxeram novidades e deixaram “gente de peso” sem mandato. A síntese dessa eleição estadual aponta para uma tendência sim de renovação do eleitorado, que “mesclou” na eleição para deputado federal e estadual entre quem já tinha mandato e gente que veio com boa estrutura para conquistar uma das vagas em disputa. As redes sociais chegaram para ficar, foram decisivas e provaram influenciar no resultado da eleição. Diferente das pesquisas divulgadas em Sergipe até agora. O povo passou a manifestar sua vontade própria, na urna...

 

Veja essa!

A compra de votos rolou “escancaradamente” neste primeiro turno da eleição em Sergipe, com muitos rumores de “bocas de urna”, o registro de 32 prisões. A Procuradoria Eleitoral prepara uma série de ações mais adiante...

 

E essa!

Ainda sobre a compra de votos, alguns aspectos chamaram a atenção deste colunista. Um bom exemplo é o fato de determinado candidato ter baixa votação em seu principal reduto eleitoral e ser “lembrado” em regiões mais distantes. Deve ter sido sorte...

 

Pesquisas

À medida que a apuração do 1º turno ia se desenrolando, boa parte do eleitorado se dizia enganada e revoltada com os números apresentados pelos diversos institutos de pesquisa sobre a eleição em Sergipe. Pelo resultado da eleição, muita gente vai ter trabalho para reconquistar a credibilidade perdida...

 

Governo

Belivaldo Chagas recebeu 40,84% dos votos válidos contra 21,49% de Valadares Filho. Com 100% das urnas apuradas, Belivaldo teve 403.252 votos, contra 212.169 de Valadares e 202.349 votos de Eduardo Amorim (PSDB). O segundo turno ocorrerá no próximo dia 28.

 

Senado

O delegado Alessandro Vieira com 474.449 votos (25,95% dos votos válidos) e Rogério Carvalho com 300.247 votos (16,42% dos votos válidos) foram eleitos para o Senado. André Moura (PSC) com 251.213 votos (13,74% dos votos válidos), Jackson Barreto (MDB) com 204.677 votos (11,20% dos votos válidos) e Valadares com 175.155 votos (9,58% dos votos válidos) ficaram de fora.

 

40% não votaram

Chama a atenção para o volume de sergipanos que se abstiveram de votar em um dos candidatos a governador no 1º turno. 63.994 votaram em branco (5%), 228.303 anularam o voto (17,84%) e 296.770 (18,83%) se abstiveram de votar. Ou seja, mais de 40% do eleitorado não votou em ninguém nesse domingo.

 

Presidente em Sergipe

O petista Fernando Haddad venceu no primeiro turno em Sergipe com 571.234 votos (50,09% dos votos válidos). Jair Bolsonaro (PSL) teve 310.310 votos (27,21%) e Ciro Gomes (PDT) teve 148.526 votos (13,02%).

 

Deputados federais

Foram eleitos e/ou reeleitos em ordem decrescente: Fábio Mitidieri (PSD), Laércio Oliveira (PP), Fábio Reis (MDB), Gustinho Ribeiro (SD), João Daniel (PT), Bosco Costa (PR), Valdevan Noventa (PSC) e Fábio Henrique (PDT).

 

Deputados estaduais

Foram eleitos: Talysson de Valmir (PR); Maisa Mitidieri (PSD); Jeferson Andrade (PSD); Gilmar Carvalho (PSC); Luciano Bispo (MDB); Ibrain Monteiro (PSC); Zezinho Guimarães (MDB); Iran Barbosa (PT); Dr. Vanderbal (PSC); Zezinho Sobral (PODE); Janier Mota (PR); Francisco  Gualberto (PT); Georgeo  Passos (REDE); Garibalde  Mendonça (MDB); Adailton Martins (PSD); Goretti Reis (PSD); Diná Almeida (PODE); Maria Mendonça (PSDB); Dilson de Agripino (PPS); Kitty Lima (REDE); Luciano Pimentel (PSB); Capitão Samuel (PSC); Rodrigo Valadares (PTB);

e Dr. Samuel Carvalho (PPS).

 

Crimes eleitorais I

O Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) vai investigar as suspeitas de crimes eleitorais identificadas pelas forças policiais em Sergipe no sábado (6) e domingo (7). A maioria dos casos suspeitos diz respeito a compra de votos e propaganda de boca de urna.

 

Crimes eleitorais II

De acordo com a Polícia Militar de Sergipe, foram registrados casos suspeitos em pelo 19 municípios: Aracaju, Brejo Grande, Canindé de São Francisco, Capela, Cumbe, Frei Paulo, Itabaiana, Itabi, Lagarto, Laranjeiras, Neópolis, Nossa Senhora do Socorro, Pirambu, Propriá, Riachão do Dantas, Santa Luzia do Itanhy, Santo Amaro das Brotas e São Cristóvão.

 

Inquérito policial

A procuradora Regional Eleitoral, Eunice Dantas, explica que uma suspeita de compra de votos gera duas investigações em paralelo: é instaurado um inquérito policial para a investigação do crime eleitoral de compra de voto. O acompanhamento desta etapa é de responsabilidade do Promotor Eleitoral do município.

 

Cassação de registro

Simultaneamente, a Procuradoria Regional Eleitoral instaura um Procedimento Preparatório Eleitoral para investigar o ilícito eleitoral de captação ilícita de sufrágio. Esse processo pode gerar cassação do registro do mandato e inelegibilidade por oito anos. Tanto os candidatos envolvidos quanto as pessoas presas serão investigados para apurar a responsabilidade pela compra de voto. “Temos até a data da diplomação dos eleitos, que acontece até 19 de dezembro, para ajuizar as ações para responsabilizar os envolvidos”, detalhou Eunice Dantas.

 

CRÍTICAS E SUGESTÕES

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