POLÍTICA

18/03/2020 as 15:15

Bolsonaro fica 'arrumando inimigo para arranjar um conflito', diz Maia

"Ele não compreendeu. O isolamento é para ele se proteger e proteger os outros da transmissão (do vírus). Não é o isolamento político", disse Maia sobre Bolsonaro ter participado de ato pró-governo

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Evitando reagir aos ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, que acusou o Congresso de usar a crise do coronavírus para uma "luta pelo poder", o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu na terça-feira, 17, a aprovação rápida de um programa, nos moldes do Bolsa Família, com um benefício temporário de renda mínima para atender 18 milhões de trabalhadores informais. Maia afirmou que, em vez de dar prioridade a divergências políticas, Bolsonaro deveria concentrar energia para combater o avanço da doença.

 "Ele fica arrumando inimigo para arranjar um conflito. É besteira. O problema agora é muito grave", disse o presidente da Câmara ao jornal O Estado de S. Paulo.

O sr. tem reforçado a necessidade de diálogo entre os Poderes para enfrentar o coronavírus, mas essa crise ganhou um componente político, com o presidente Jair Bolsonaro dizendo que "seria um golpe isolar chefe do Executivo por interesses não republicanos". Como o sr. reage?

Ele não compreendeu. O isolamento é para ele se proteger e proteger os outros da transmissão (do vírus). Não é o isolamento político.

O presidente está atrapalhando o combate da pandemia?

O meu papel é articular soluções com os deputados e com aqueles que comandam o enfrentamento à crise. Na segunda-feira, estive com o ministro Mandetta (Luiz Henrique Mandetta, da Saúde), com o presidente do Supremo, Dias Toffolli, com o presidente (do Senado) Davi Alcolumbre, discutindo a crise na área de Saúde e também tenho conversado de forma permanente com vários quadros da equipe econômica. Todas as pautas que o governo encaminhar serão atendidas.

Mas Bolsonaro disse ter passado 15 meses levando pancada do sr. e de Alcolumbre...

Estamos vivendo talvez a maior crise dos últimos 100 anos. Eu não vou ficar discutindo divergência política. O Parlamento foi mais do que um aliado da agenda de reformas desse governo, comandou de forma efetiva as reformas.

O próprio Bolsonaro insinuou que haveria uma articulação para o impeachment. É fato?

Isso não está na agenda da Câmara. A nossa agenda é única: enfrentamento ao coronavírus nos próximos meses no Brasil. Ele fica arrumando inimigo para arranjar um conflito. É besteira. Nós estamos com uma projeção grave no mundo real. O mundo real é o que contrata, que gera emprego, que investe. Hoje (na terça-feira) morreu o primeiro brasileiro. Temos de garantir sempre o diálogo permanente com a equipe econômica, com a área social do governo, para que possamos construir um cinturão de soluções.




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