SAÚDE

12/02/2020 as 15:22

Última epidemia de coronavírus deixou rastro de doenças mentais

O surto atual de coronavírus está provocando pânico em todo o mundo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Entre 2002 e 2003, um coronavírus provocou pânico no mundo e quase 800 mortes pela Sars (síndrome respiratória aguda grave). Mas os estragos não pararam ali: quatro anos depois, 42% dos sobreviventes haviam desenvolvido algum transtorno mental.

 A maioria deles (54,5%) manifestou transtorno de estresse pós-traumático, e 39% tiveram depressão, de acordo com um estudo publicado em 2014 na revista especializada East Asian Arch Psychiatry.

O medo é comum em momentos de crise em saúde pública e, portanto, faz parte da resposta a epidemias, aponta outro artigo, publicado na semana passada na revista médica The Lancet e que trata dos impactos da nova epidemia de coronavírus.

Segundo os autores, há poucos dados sobre o programa desenvolvido pelo governo chinês para acompanhamento e tratamento psicossocial de seus cidadãos, mas, por outro lado, há um extenso plano de "intervenção emergencial em crises psicológicas" para profissionais de saúde da China, fruto do aprendizado da Sars.

A cartilha prevê o acompanhamento psicológico de grupos de risco entre os infectados e familiares para prevenção de comportamentos impulsivos e tendências suicidas, por exemplo.

No dia 28 de janeiro, o governo chinês inaugurou uma linha direta para que os cidadãos possam ligar para requerer ajuda psicológica emergencial, outra forma de prevenir que o que aconteceu após a epidemia de Sars.

Pacientes infectados ou com suspeita de infecção podem manifestar, principalmente, medo das consequências de portar a doença. Já aqueles que estão em quarentena podem ter experiências que vão do tédio à solidão.

Esses sentimentos e sintomas de sofrimento psíquico podem levar a transtornos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, agitação psicomotora, delírio e suicídio.

Os efeitos psicológicos de epidemias também podem afetar equipes em hospitais.

Durante a Sars, os profissionais de saúde que participaram dos esforços contra a doença apresentaram transtorno de estresse pós-traumático, depressão, ansiedade, medo e frustração devido à possibilidade de serem contaminados e contaminarem familiares e amigos e à impossibilidade de salvar todos os pacientes atendidos.

Até esta terça (11), mais de 43 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus e ao menos 1.100 morreram. A epidemia atual já superou a Sars em todos os níveis.

Os dados são importantes e são atualizados diariamente como serviço à população, mas o excesso de informação pode levar ao medo, senão pânico, segundo o artigo.

Ana Bock, professora de psicologia social da PUC de São Paulo, explica que o medo da epidemia pode gerar a sensação de que ela é ainda maior. "Apesar da informação qualificada, as pessoas nem sempre estão preparadas para compreendê-la. O medo está ligado à fragilidade de lidar com a informação", afirma.




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