01/10/2018 as 15:38

Nem pai, nem filho

“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica”. Geneton Moraes Neto, jornalista e escritor.

Sem Aspas

Politica
Por Alex Nascimento
Foto: (Zhang Xiaogang).<?php echo $paginatitulo ?>

 

O deputado federal Valadares Filho, candidato ao governo do estado pelo PSB, sabe ouvir os ensinamentos paternos e absorver bem os aprendizados da própria experiência.  Candidato ao governo, Filho tornou-se uma jovem liderança sergipana, preparado para continuar a tradição política da família que começa com o avô, passa pela matriarca, tios, primos e cunhados.

Seu pai, o senador Antônio Carlos Valadares, como todo pai zeloso, usa da experiência de quem faz política há mais de cinquenta anos, e do largo prestígio, para tornar o caminho do rebento o menos áspero possível, não obstante já tenha cravado na alma do rebento duas importantes derrotas e pode vir a ser responsável por uma terceira.

Pai e filho lideram, até aqui, os números de intenção de votos. Mas os Valadares (e aqui mais o pai que o filho) andaram vacilando em algumas de suas principais qualidades, como a compreensão da realidade, a leitura de tendências e a capacidade de se adaptarem a elas. Não é por acaso que, no interior do PSB, há certo receio de que ambos venham a amargar, digamos, algumas decepções com relação às expectativas de voto, e isso já no primeiro turno das eleições, no próximo dia sete. Caso tal realidade aconteça, não será por conta de um suposto marketing do mal praticado por seus adversários, mas por possíveis erros que acumulados.

Os Valadares sabem que em política tudo pode acontecer, e que portanto há sim a possibilidade concreta não apenas do filho perder a dianteira das intenções de voto, nessa última semana de campanha, e ir para o segundo turno das eleições em segundo lugar; como também a de vir o pai a não ser reeleito senador da República. De uma maneira ou de outra, o recente fantasma da derrota também está a rondá-los – e dessa vez mais cedo do que esperavam.

Política, como se costuma dizer, é a peste.

Um segundo lugar para um

Valadares Filho, muito provavelmente, estará no segundo turno das eleições. No entanto, pode ser que perca a dianteira do processo e amargue um segundo lugar nas urnas. Caso aconteça, e o pior, caso o pai não seja reeleito, haverá imenso peso simbólico negativo para sua campanha. No entanto, os Valadares são os Valadares, sabem amortecer revezes...

Um segundo lugar para outro

O peso simbólico que um segundo lugar, no primeiro turno dessas eleições, pode vir a ter para o candidato do PSB, nem de longe terá para o do PSD. A leitura é simples: Belivaldo patinava nos índices de intenção de votos e mesmo houve quem defendesse a tese de que não fosse ele o candidato governista. Portanto, passar para o segundo turno, e colado ao primeiro, mesmo assim a narrativa de que chegou chegando se fortalece. Um jornalista, ligado à campanha do governador, esclareceu a este escrevente: “no segundo turno, a população vai compreender que, da mesma maneira que o candidato vai precisar de mais um turno para vencer o inexperiente opositor, vai também precisar de mais um mandato para mostrar ainda mais porque foi que ele chegou chegando”.

“Eu voto sim”

O vídeo no qual o “eu voto sim” de Valadares Filho, quando do impeachment de Dilma Rousseff, foi amplamente utilizado pelos adversários. No mesmo vídeo, o senador Valadares aparece respondendo a um abraço do presidente Michel Temer. Teriam os Valadares subestimado a força do ex-presidente Lula? O fato é que o vídeo causa certo estrago. 

É preciso enfrentar o medo

Os discursos de intolerância cada vez mais se erguem. Tem ficado difícil, por exemplo, a prática do saudável e antes rotineiro hábito de conversar sobre política com o vizinho de mesa de bar, ou com o passageiro na poltrona ao lado, com o colega de trabalho ou mesmo com um familiar durante almoço no final de semana. Esse salutar exercício da democracia tem ficado perigoso, já que do outro lado pode estar um sujeito que se enerve frente argumentos discordantes: o esforço de uma geração jogado no lixo.

E os “senadores” brincam em serviço?

A disputa pelo senado segue acirrada. O senador Valadares tem 19,4% das intenções de votos, segundo pesquisa do IFP. O candidato André Moura aparece com 15,1%, Jackson Barreto com 14,3%, empatado com Pastor Heleno e Rogério Carvalho com 13,5%. Não há vivalma que duvide do poder de fogo de todos eles, nesta reta final, e muito se especula quanto a quem tem mais...

Alessandro Viera dominará a Rede

Além desses pesos pesados da política sergipana, o candidato Alessandro Viera, da Rede Sustentabilidade, vem sendo bem lembrado, nada menos que 12,5%. É bom lembrar que é baixo o seu índice de rejeição. O candidato teve uma doação generosa do partido, em torno de meio milhão. Nessa reta final, pode conquistar ainda um bocado de voto “espontâneo”. A senador Maria do Carmo, por exemplo, antes do início do processo eleitoral propriamente dito, afirmou na imprensa que o delegado poderia ser uma surpresa. O problema é seu partido, onde alguns não estão muito felizes com a sua desenvoltura junto ao eleitor.

Boca de urna

“E a boca de urna promete”, assegura um eleitor. Nos quatro cantos do estado há uma expectativa danada para ver quem vai garantir “os cinquentinha pra cerveja”. Muitos candidato passaram a semana recebendo a “lista das lideranças”, como nos “velhos tempos”. Há candidatos que, corre à boca miúda, devem gastar mais de dois milhões de reais nessa última semana de eleição.

Vera contra Bolsonaro

A imprensa noticiou que Vera Lúcia, candidata à presidência da República pelo PSTU, entrou na quinta-feira, 27, com representação na Justiça do Estado do Rio de Janeiro contra o vereador Carlos Bolsonaro (PSC/RJ) por crime de apologia à tortura. A representação também é assinada por Hertz Dias, vice na chapa com Vera Lúcia. O vereador fez apologia à tortura.  A candidata Vera Lúcia é, como se costuma dizer, uma guerreira. Nascida no sertão de Pernambuco, sua família muda-se para Aracaju fugindo da seca. Vera foi garçonete, datilógrafa e funcionária da antiga fábrica de calçados Azaleia. Aqui, ela inicia sua vida sindical. Negra e mulher, formada em ciências sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Vera é uma ativista política que passa a ser cada vez mais conhecida nacionalmente. Curiosidade: a candidata declarou ter um patrimônio de apenas vinte mil reais.

 

 

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