13/08/2018 as 09:21

Os jornais eram o que importavam

Por Ivan Valença, Ponto de Vista

Ponto de Vista

Política
Por Ivan Valença
Foto: (Pixabay).<?php echo $paginatitulo ?>

Falei quase tudo que me veio a mente sobre a feira daqueles tempos que não tive tempo de revelar porque eu gostava tanto da barraquinha que vendia sabão. Fazia questão de ficar por lá, sem acompanhar minha mãe às compras. É que lá, dona Marocas guardava um monte de jornais  - não os do dia, claro -, alguns até bem antigos, que lhe servia para embrulhar o sabão de quem comprava seus produtos. 

Eu passava as horas, entretendo-me no folhear daquelas preciosidades. Foi assim que eu tomei conhecimento com dezenas e dezenas de jornais aracajuanos – e também do interior do Estado – geralmente cheios de “fofocas” da política local. Talvez tenha sido neste aprendizado  às avessas que aprendi a ler jornais muito rapidamente. Tinha poucos momentos com eles, logo era preciso ler o máximo que pudesse.

Consumia o “Correio de Aracaju” – o “pasquim” que era mantido pela UDN de Leandro Maciel – assim como o “Diário de Sergipe”, o “pasquim” do outro lado, mantido pelo político que mais lhe fazia oposição, o prefeito (mas acho  que ele ainda não era o dr. Alcaide de Aracaju) José Conrado de Araújo. Tinha também “O Nordeste”, mantido pelo deputado do PTB Francisco de Araújo Macedo e sua mulher, Núbia Macedo. O Partido Comunista do Brasil marcava ponto com uma “Folha Popular”, dirigido por Robério Garcia (aliás, irmão do governador do Estado, Luiz Garcia) que eu conhecia mais como dirigente esportivo que o era. Alguns outros jornais menos conhecidos, pelo menos para mim, eram a “Gazeta Socialista” e “A Cruzada”, este o “jornal dos padres”, porque propagava a religião católica.

Eram todos jornais pequenos: geralmente, quatro páginas, em tamanho standard, isto é, do tamanho do “Jornal da Cidade” e “Correio de Sergipe”, que circulam hoje em dia. O que me interessava neles? Além das manchetes as fofocas políticas que mais se acentuavam em época de eleições, como agora.

Destino único daquelas edições que me chegavam as mãos: ser pacotes de barras e barras de sabão...

         

 




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