SERGIPE

28/10/2019 as 08:32

Mais de 850 toneladas de óleo já foram recolhidas do litoral sergipano, diz Adema

A substância foi encontrada no em Sergipe no dia 24 de setembro. Mais de 249 praias já foram atingidas pela substância nos nove estados do Nordeste desde agosto.

Portal G1/SE
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Subiu para 895,4 toneladas a quantidade de resíduos de óleo recolhida no litoral sergipano, de acordo com um relatório apresentado pela Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) nesta segunda-feira (28). Ainda segundo o documento, os resíduos representam 17 metros cúbicos, de uma área de 150 metros cúbicos afetada.

A substância foi encontrada no em Sergipe no dia 24 de setembro. Mais de 249 praias já atingidas pela substância nos nove estados do Nordeste desde agosto.

Neste fim de semana, o trabalho de limpeza das praias de Sergipe ganhou o reforço do Exército Brasileiro e do 28º Batalhão de Caçadores (28º BC), em Aracaju.

Soldados estão com equipamentos que evitam o contato com a substância  — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe

Soldados estão com equipamentos que evitam o contato com a substância — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe 

O grupo trabalha com equipamentos básicos para recolhimento de produto tóxico, luvas reforçadas de silicone, máscaras e sacos de lixo, também reforçados, para evitar vazamentos do óleo.

 

Novas Manchas

 

Na manhã deste sábado (26), o litoral de Aracaju voltou a registrar as manchas de óleo. Desta vez, a substância foi vista nas praia da Cinelândia e Atalaia, na Zona Sul da capital.

Diante do desastre ambiental, o projeto Praia Limpa, que existe em Sergipe há mais de um ano, mobilizou muitos voluntários pelas redes sociais e atraiu dezenas de pessoas. Como o petróleo cru é tóxico e o odor é forte, todos tiveram de usar equipamentos de proteção individual com luvas de silicone e máscaras.

Movimento Praia Limpa, em Aracaju — Foto: Cléverton Macedo/TV Sergipe/Arquivo

Movimento Praia Limpa, em Aracaju — Foto: Cléverton Macedo/TV Sergipe/Arquivo 

Uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Aracaju também se somou e trouxe alguns equipamentos de proteção para distribuir com os voluntários.

 

Carta à sociedade

 

Foi assinada nesta sexta-feira (25), em Aracaju, uma carta à sociedade brasileira relatando o impacto do derramamento de óleo no litoral nordestino. O documento foi elaborado por representantes de mais de 80 comunidades, que dependem diretamente ou não com a pesca.

O assunto foi tema de uma audiência pública organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), através da Comissão de Direitos Humanos, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Adema/SE/Arquivo

Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Adema/SE/Arquivo 

Ampliação do pagamento do Defeso

 

O presidente da República em exercício, Davi Alcolumbre, assinou um decreto da tarde desta quinta-feira (24), durante visita a Aracaju, que determina ampliação do pagamento do auxílio defeso, destinado aos pescadores das localidades afetadas pelas manchas de óleo no litoral sergipano. O anúncio foi realizado durante uma reunião com o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, e representantes dos órgãos que atuam no combate ao avanço do óleo.

 

Aplicação de recursos federais

 

Após liberação de recursos do governo federal no valor de R$ 2,5 milhões representantes da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Defesa Civil Estadual e Defesa Civil Nacional se reuniram, na manhã desta terça-feira (22), para discutir como empregar o dinheiro. O encontro foi realizado na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do Estado (Sedurbs), em Aracaju.

Com o recurso, entre as medidas a serem adotadas está a contratação de uma empresa para limpeza dos locais atingidos pelo óleo. Além da disponibilização de 500 kits com luvas, óculos, sacos plásticos, e outros equipamentos de proteção individual que devem chegar ao estado ainda esta semana.

 

Liberação de recursos

 

Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), autorizou, na segunda-feira (21), o repasse de R$ 2,5 milhões para o estado de Sergipe utilizar na limpeza das praias afetadas pelo derramamento de óleo.

O estado decretou situação de emergência no dia 5 de outubro, que foi reconhecida pelo governo federal 10 dias depois, para as cidades de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Brejo Grande, Estância, Itaporanga D’Ajuda, Pacatuba e Pirambu. Já no dia 17, o Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil da Secretaria de Estado da Inclusão Social solicitou R$ 22 milhões para restabelecer a costa sergipana.

Segundo o Ministério, os recursos federais poderão ser utilizados pelo em serviços complementares para limpeza do litoral, viabilização de pontos estratégicos de coleta e transporte do material. A expectativa é que mais repasses sejam autorizados para outros estados, de acordo com o recebimento das solicitações.

 Neste sábado (12) foram instalados 75 metros de boias absorventes por equipes da Adema no Rio Vaza-Barris, em Aracaju — Foto: Adema/Divulgação

Neste sábado (12) foram instalados 75 metros de boias absorventes por equipes da Adema no Rio Vaza-Barris, em Aracaju — Foto: Adema/Divulgação  

Reforço da contenção

 

Entre as medidas definidas nos relatórios pelos órgãos ambientais na quinta-feira, está a instalação de mil metros de boias em locais que ainda estão sendo analisados como prioridade. O material que deverá ser instalado em pontos estratégicos de Sergipe foi disponibilizado pela Petrobras. Um outro ponto discutido durante a reunião foi o risco da colocação de boias para a navegação nos rios do estado.

 

Polêmica sobre as barreiras

 

No último dia 12, o governo sergipano iniciou, no rio Vaza-Barris, a instalação de barreiras alugadas pelo valor de quase R$ 7 mil por dia. A administração estadual esperava que a Petrobras pudesse enviar equipamento de proteção para conter a mancha, mas as barreiras de proteção não chegaram.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que veio a Aracaju no dia 7 de outubro para avaliar a situação, afirmou, no dia 14, que iria cumprir a determinação da Justiça Federal e colocar as barreiras de contenção em rios de Sergipe, mas alegou que elas não seriam eficientes para conter as manchas de óleo. O Ibama seguiu a afirmação. Já a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), disse que a escolha pelo material ocorreu com avaliação técnica e que a eficácia é comprovada.

 

Análise das manchas

 

No dia 16, Ricardo Salles, esteve no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no município de São Cristóvão (SE) onde se reuniu com o professor do Departamento de Química e coordenador do laboratório de Petróleo e Biomassa, Alberto Wisniewski Jr., responsável pela análise do óleo coletado nas praias do litoral sergipano.

"A opinião do que nós vimos aqui é a hipótese de que esse óleo dos barris tenha relação com o óleo encontrado nas diversas manchas encontradas no litoral. E que, portanto, dão mais um elemento para a investigação que está sendo muito bem feita pela Marinha do Brasil, sobre a origem desse fato que é o derramamento de óleo no litoral”, disse o ministro.

 




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